sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Não posso adiar o coração.


NÃO POSSO ADIAR O CORAÇÃO

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa


António Ramos Rosa nasceu em Faro, a 17 de Outubro de 1924, e aí viveu durante a sua juventude até se mudar definitivamente para Lisboa, em 1962. Dele pode dizer-se que literalmente a sua vida se confunde com a poesia, tendo sido a sua casa sempre um espaço informal de acolhimento e intercâmbio com outros poetas e leitores de poesia, tanto portugueses como estrangeiros. A sua personalidade e obra têm merecido a distinção de prémios literários nacionais e internacionais, confirmando a importância do seu percurso literário com a atribuição do Prémio Pessoa, em 1988.

Com quase meio século de actividade poética, António Ramos Rosa é um autor não só fértil, mas também dedicado à própria fertilidade simbólica das palavras. É um poeta das imagens e dos gestos, abraçados por um sentido muito vivo e preciso de ser um corpo animado pelo contacto profundo com as coisas do mundo e da natureza. Poderia dizer-se que António Ramos Rosa, em cada poema, procura cercar as palavras de um sopro que efectivamente as anime e as torne mais próximas das coisas que evocam. É um escrita de tom quase epidérmico, e pelo facto de constituir uma obra tão vasta, podemos encontrar uma miríade de variações na expressão, que vagueiam desde a presença dramática das paixões que afligem o ser humano, à tentativa de concretizar através das palavras a alegria de viver de um momento feito símbolo pela presença de uma resposta da natureza...

O último livro que editou intitula-se Cada árvore é um ser para ser em nós, e constitui uma parceria com o fotógrafo Paulo Gaspar Ferreira, autor das fotografias que acompanham os poemas de A. R. Rosa – uma árvore na Granja de Belgais (Castelo Branco), junto da qual foram igualmente efectuados registos sonoros que figuram num CD anexo ao livro. É uma obra verdadeiramente belíssima, cheia de frescura e imagens de profundo requinte poético, que vale certamente a pena por se apresentar como uma composição muito completa em torno do tema da árvore, tratado de forma humanizada...

Fonte: http://lugardaspalavras.no.sapo.pt/

9 comentários:

RELTIH disse...

MUY BELLOS SENTIMIENTOS, LOS DEL AUTOR. GRACIAS POR COMPARTIR.
UN ABRAZO

Chica disse...

Muito lindo esse poema! Sempre boas escolhas!abraços,lindo dia!chica

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amigo
O amor não se adia, ele tem que ser, aqui e agora.
Abração

Livinha disse...

Sabe meu amigo, estou me vendo aí, mas ao mesmo tempo tento ver as coisas por outro prisma, quem sabe ele não esteja se arrumando, para o novo encontro...

Bom seria que esse coração estivesse quetinho, mas o dito é frágil, muda tudo, sempre buscando um aconcheguinho...

Lindo poema meu amigo

Lindo dia pra ti

Bjs

Livinha

Valéria Sorohan disse...

Não se pode adiar nada nessa vida, ela é curta demais!

BeijooO*

Fatima disse...

Eu tb não posso de jeito nenhum!
Bjs.

Marina-Emer disse...

Rosemildo….hoy vengo en plan de visita para agradecer
La tuya y siempre elogiosas palabras a mi
Trabajo poético…muchas gracias
Te deseo un feliz fin semana con todo mi cariño
Besos
Marina

Rosane Marega disse...

Viver, Amar, tudo agora, JA!
Beijosssssss

Stella disse...

Bei versi Furtado.
Abbraccio e felice buona settimana.

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