terça-feira, 30 de novembro de 2010

Se.


SE



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Haroldo de Campos


Haroldo Eurico Browne de Campos nasceu em São Paulo-SP, no dia 19 de agosto de 1929 e faleceu também em São Paulo-SP, no dia 16 de agosto de 2003. Teve um papel importante na história da literatura brasileira devido aos seus ensaios, pesquisas e traduções. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo em 1952, mesmo ano em que fundava, com Augusto de Campos e Décio Pignatari, o Grupo Noigandres, de poesia concretista. A poesia concreta propunha o poema-objeto. Os poetas utilizavam múltiplos recursos: o acústico, o visual, a carga semântica, o espaço tipográfico e a disposição geométrica dos vocábulos na página.

Em 1956 e 1957 participou do lançamento oficial da Poesia Concreta na I Exposição Nacional de Arte Concreta, no MAM/SP e no saguão do MEC/RJ. Em 1958, publicaria o Plano-Piloto Para Poesia Concreta, com Augusto de Campos e Décio Pignatari. Nos anos seguintes trabalhou como tradutor, crítico e teórico literário, além de Professor Titular do curso de pós-graduação em Comunicação e Semiótica da Literatura na PUC/SP. Em 1992 foi laureado com o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano; em 1999 o Prêmio Jabuti de Poesia foi conferido para seu livro Crisantempo: No Espaço Curvo Nasce Um (1998). Considerado o "mais barroco" dos concretistas, Haroldo de Campos tem sua obra poética intimamente ligada ao movimento. A crença em uma “crise no verso” o levou ao experimentalismo, à busca de novas formas de estruturação e sintaxe, em curtos poemas-objeto ou longos poemas em prosa.

"A poesia concreta é o primeiro movimento internacional que teve, na sua criação, a participação direta, original, de poetas brasileiros. Como no caso do anterior movimento de renovação que houve neste século na literatura brasileira - o Movimento Modernista de 22 - também a POESIA CONCRETA se constitui em São Paulo" (Irmãos Campos In: NICOLA, José de. Literatura Brasileira das origens aos nossos dias. 4ª ed. São Paulo: Scipione, 1991.)

Fontes: http://www.scribd.com/
             http://www.revista.agulha.nom.br/

domingo, 28 de novembro de 2010

Recado.


RECADO

Vós que sentistes a dor de uma separação,
Em tempos passados, quando feliz éreis na vida.
Se por degeneração física, falta de amor ou paixão,
Ou quaisquer que foram os motivos da partida.

Vós que sentistes o desprazer do abandono,
Sem ao menos o direito de tentardes uma reação.
Destes-vos ao sofrimento, e pra vida nenhum plano,
De um novo e grande amor para alentar o coração.

Vós que sentis hoje, o amargor da solidão,
E viveis das lembranças de um passado distante.
Sem consolo, e a mercê de um desprezo gritante,
Condenada ao desalento, sem dó e sem compaixão.

Eis que é chegado o momento de uma total mudança,
Tendes de reagir, pois não cometestes nenhum pecado.
Afinal, não custa nada alimentardes a vital esperança,
De recobrardes a felicidade. Este é o meu recado.

R.S. Furtado.

sábado, 27 de novembro de 2010

Exílio.


"EXÍLIO"

"Hoje, sonhei que estava lá
Lá pr'além dos Andes
Lá, longe dos meus,
Naquela fria, alheia, terra estrangeira.
Não estava lá por livre escolha minha.
Estava proscrito, exilado
Botado fora. Desterrado por vontade alheia.
Mas nunca saí de mim, daqui.
Todo tempo, eu sabia, me doía saber
Que assaltaram minha Pátria,
M'a roubaram. Cidadão sou de Pátria proibida.
Errando mundo afora, em pátrias alheias.
Nesta dor da terra ausente, consolava
Levá-la no peito, gemendo, noite e dia,
Gastando meu escasso tempo de viver
Nesta agonia arfante de saudade."

Darcy Ribeiro

Darci Ribeiro nasceu em Montes Claros, MG, no dia 26 de outubro de 1922. A obra de Darci Ribeiro está impregnada de brasilidade. Os escritos desse sociólogo, educador, antropólogo, indianista e político são um mergulho nas entranhas do espírito brasileiro; trata-se de uma radiografia da formação de nosso povo. Tanto em sua ficção quanto em seus ensaios estão presentes os fatores constitutivos da nação: a violência da colonização, a peculiaridade de uma miscigenação tantas vezes louvada, a tropicalidade inerente à cultura etc. Seus livros representam, de fato, uma história do Brasil, mas uma história vista — e muitas vezes narrada — sob o ângulo de quem a sofreu: índios e negros, sobretudo. Fugindo de todo academicismo, Darci Ribeiro procurou fazer mais do que, baseando-se em modelos teóricos estrangeiros, refletir acerca da constituição do povo; sua ambição era a de construir um amplo panorama antropológico, que fosse um painel explicativo do Brasil para os brasileiros. Polêmico, crítico, dono de um carisma arrebatador, utilizou-se da antropologia menos como teoria e mais como um instrumento de transformação social. Morreu em Brasília no dia 17 de fevereiro de 1997.

OBRAS:

Culturas e Línguas Indígenas do Brasil (1957)
O Processo Civilizatório (1968)
Os Índios e a Civilização (1970)
Teoria do Brasil (1972)
Uira Sai à Procura de Deus (1974)
Maíra (1976)
O Dilema da América Latina (1978)
Ensaios Insólitos (1979)
O Mulo (1981)
Utopia Selvagem (1982)
Migo (1988)
O Povo Brasileiro, a Formação e o Sentido do Brasil (1995)
Confissões (1997), entre outros

Fontes: http://pt.shvoong.com/

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vós que ocupais a nossa terra.


VÓS QUE OCUPAIS A NOSSA TERRA

E preciso não perder
de vista as crianças que brincam:
a cobra preta passeia fardada
à porta das nossas casas.
Derrubam as árvores fruta-pão
para que passemos fome
e vigiam as estradas
receando a fuga do cacau.
A tragédia já a conhecemos:
a cubata incendiada,
o telhado de andala flamejando
e o cheiro do fumo misturando-se
ao cheiro do andu
e ao cheiro da morte.
Nos nós conhecemos e sabemos,
tomamos chá do gabão,
arrancamos a casca do cajueiro.
E vós, apenas desbotadas
máscaras do homem,
apenas esvaziados fantasmas do homem?
Vós que ocupais a nossa terra?

Manuela Margarido


Maria Manuela Conceição Carvalho Margarido (roça Olímpia, Ilha do Príncipe, 1925 - Lisboa, 10 de Março de 2007) foi uma poetisa são-tomense.

Manuela Margarido cedo abraçou a causa do combate anti-colonialista, que a partir da década de 1950 se afirmou em África, e da independência do arquipélago. Em 1953, levanta a voz contra o massacre de Batepá, perpetrado pela repressão colonial portuguesa.

Denunciou com a sua poesia a repressão colonialista e a miséria em que viviam os são-tomenses nas roças do café e do cacau.

Estudou ciências religiosas, sociologia, etnologia e cinema na Sorbonne de Paris, onde esteve exilada. Foi embaixadora do seu país em Bruxelas e junto de várias organizações internacionais.

Em Lisboa, onde viveu, Manuela Margarido empenhou-se na divulgação da cultura do seu país, sendo considerada, a par de Alda Espírito Santo, Caetano da Costa Alegre e Francisco José Tenreiro, um dos principais nomes da poesia de São Tomé e Príncipe.

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Fundação do Xintoísmo.



FUNDAÇÃO DO XINTOÍSMO

700 a.C. – Funda-se no Japão a sua primeira religião, o Xintoísmo. Mais tarde partilha com o Budismo. Seus crentes veneram as forças da natureza; – o Sol, os astros, o fogo, os ventos, os vulcões, as rochas (litolatria). Representa cada um desses elementos um Kami ou divindade. Mais tarde a deificação se estende aos seres humanos (antropolatria), nas pessoas dos heróis, guerreiros e patriotas. Todos simbolizam o imperador. Este é designado por Arahitokami, que reúne em sua pessoa os dois poderes máximos: temporal e espiritual. Na atualidade o Xintoísmo se resume nestes três prinçipios: 1.º) Honrarás os deuses e amarás a pátria. 2.º) Obedecerás às leis celestes e ao dever do homem. 3.º) Venerarás ao Micado, teu soberano e obedecerás aos seus preceitos. No Xintoísmo moderno os Kami vão se apagando. Prevalece o mito de Amaterasu, filho do Sol e deus eterno, cujo único representante na terra é o Micado (ou deus Tenno).

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 18/19.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ficaram-me as penas.


FICARAM-ME AS PENAS

O pássaro fugiu, ficaram-me as penas
da sua asa, nas mãos encantadas.
Mas, que é a vida, afinal? Um voo, apenas.
Uma lembrança e outros pequenos nadas.

Passou o vento mau, entre açucenas,
deixou-me só corolas arrancadas...
Despedem-se de mim glorias terrenas.
Fica-me aos pés a poeira das estradas.

A água correu veloz, fica-me a espuma.
Só o tempo não me deixa coisa alguma
até que da própria alma me despoje!

Desfolhados os últimos segredos,
quero agarrar a vida, que me foge,
vão-se-me as horas pelos vãos dos dedos.

Cassiano Ricardo


Cassiano Ricardo Leite, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 26 de julho de 1895 e morreu no Rio de Janeiro em  14  de janeiro de 1974. Tendo participado do movimento modernista e de grupos que se lhe sucederam, Cassiano Ricardo soube aproveitar como poucos o Indianismo, uma das influências do momento, tomando-o como base de uma autenticidade americana. ‘Martim Cererê’, seu livro mais conhecido, traduzido para muitos idiomas e ilustrado por Di Cavalcanti, se fundamenta no mito tupi do Saci-Pererê, manifestando uma conciliação das três raças formadoras da cultura nacional, a indígena, a africana e a portuguesa. Mesclando essas três fontes linguísticas, ele elabora o que foi chamado de "mito do Brasil-menino". Modernista e primitiva a um só tempo, brasileira sem ser nacionalista, sua estrutura lembra alguns elementos da história em quadrinho e dos filmes de animação, prenunciando a pop art. Além de ter escrito esse livro clássico da literatura brasileira, Cassiano Ricardo manteve, até o fim de sua vida, uma pesquisa poética experimental e independente, acompanhando de perto os novos movimentos de vanguarda, sobre os quais escreveu. Seu último livro, 50 anos após o de estréia, exemplifica essa constante inquietação.

OBRAS:

Dentro da Noite (1915)
Vamos Caçar Papagaios (1926)
Borrões de Verde e Amarelo (1926)
Martim Cererê (1928)
O Sangue das Horas (1943)
Um Dia Depois do Outro (1947)
Poemas Murais (1950)
A Face Perdida (1950)
O Arranha-Céu de Vidro (1956)
Poesias Completas (1957)
22 e A Poesia de Hoje (1962)
Algumas Reflexões sobre Poética de Vanguarda (1964)
Jeremias Sem-Chorar (1964) 

Fonte: http://pt.shvoong.com/

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Reconhecimento.


RECONHECIMENTO

“Uma das maiores grandezas do ser humano é saber  reconhecer por tudo aquilo de bom que lhe é proporcionado.”

R.S.Furtado.

domingo, 21 de novembro de 2010

Apelo.


APELO

Eu venho das lições dos tempos idos,
e vejo a Guerra no horizonte armada.
Será que os homens bons não fazem nada?
Será que não me prestarão ouvidos?

Eu vejo a Humanidade manejada
em prol dos interesses corrompidos.
É mister acabar com esta espada
suspensa sobre os lares oprimidos!

É preciso ganhar maturidade
no fomento da paz e da verdade,
na supressão do mal e da loucura. .

Que a estrutura econômica da guerra
se faça em pó! E reinem sobre a Terra
os frutos do trabalho e da fartura!

Eno Theodoro Wanke




ENO THEODORO WANKE (1929-2001) nasceu em Ponta Grossa, Paraná, a 23 de junho de 1929. Filho de Ernesto Francisco Wanke e de Lucilla Klüppel Wanke. Aprendeu as primeiras letras na Escola Evangélica Alemã, de sua cidade natal. Quando a escola foi fechada em razão do advento do Estado Novo, o futuro escritor foi transferido para o Liceu dos Campos, cuja proprietária era a educadora Judith Silveira, hoje nome de rua na cidade.

Estudou também no Colégio Regente Feijó, de Ponta Grossa, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Castro, PR, onde completou o ginásio. Em 1948, transferiu-se para Curitiba, PR, onde terminou o científico no Colégio Iguaçu e em 1949, após vestibular, entrou para a Escola de Engenharia Civil da Universidade do Paraná, formando-se em 1953. Trabalhou na Prefeitura de Ponta Grossa (1954-1955). Atuou como fiscal de construção de uma linha de alta tensão elétrica em Curitiba, da Companhia Força e Luz do Paraná.

Em 1957 ingressou, por concurso, no curso de Refinação de Petróleo, da Petrobrás, no Rio, passando a trabalhar em 1958 na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão, SP, residindo em Santos, onde viveu onze anos. A partir de 1969 passou a residir no Rio de Janeiro, onde fez carreira dentro da Empresa.

Começou a escrever desde os doze anos. Poeta, Trovador, Contista, Cronista, Biógrafo, Ensaísta, Historiador, Fabulista e Prefaciador, entre outros. Como sonetista de primeira, obteve com o soneto APELO, 160 versões para 95 idiomas e dialetos. É o soneto em português mais traduzido para idiomas estrangeiros:

A obra de Eno Theodoro Wanke é extensa e variada. Eis as principais: “NAS MINHAS HORAS” (poesia, 1953), “MICROTROVAS” (1961), “OS HOMENS DO PLANETA AZUL” (sonetos, 1965), “OS CAMPOS DO NUNCA MAIS” (poesia, 1967), “VIA DOLOROSA” (sonetos religiosos, 1972), “A TROVA” (estudo, 1973), “A TROVA POPULAR” (estudo, 1974), “A TROVA LITERÁRIA” (estudo, 1976), “REFLEXÕES MAROTINHAS” (pensamentos humorísticos, 1981), “VIDA E LUTA DO TROVADO RODOLFO CAVALCANTE” (biografia, 1982), “A CARPINTARIA DO VERSO” (didática da metrificação, 1982, 1989, 1990 e 1994), “DE ROSAS & DE LÍRIOS” (minicontos, 1987), “O ACENDEDOR DE SONETOS” (líricos, 1991), “ALMA DO SÉCULO” (sonetos, 1991), “FÁBULAS” (1993), “ADELMAR TAVARES, UM TROVADOR AO LUAR” (biografia, 1997), “ANTOLOGIA DE SONETOS SOBRE A TROVA” (1998), “CONTOS BEM-HUMORADOS” (1998), “FARIS MICHAELE, O TAPEJARA” (biografia, 1999), “ELUCIDÁRIO MÉTRICO” (metrificação, 2000) e “APARÍCIO FERNANDES, TROVADOR E ANTOLOGISTA” (biografia, 2000).

Fontes: http://www.clubedapoesia.com.br
             http://www.usinadeletras.com.br

sábado, 20 de novembro de 2010

Partindo.


PARTINDO

Triste, por te deixar, de manhãzinha
Desci ao porto. E logo, asas ao vento,
Fomos singrando, sob um céu cinzento,
Como, num ar de chuva, uma andorinha.

Olhos na Ilha eu vi, amiga minha,
A pouco e pouco, num decrescimento,
Fugir o Lar, perder-se num momento
A montanha em que o nosso amor se aninha.

Nada pergunto; nem quero saber
Aonde vou: se voltarei sequer;
Quanto, em ventura ou lágrimas, me espera

Apenas sei, ó minha Primavera,
Que tu me ficas lagrimosa e triste.
E que sem ti a Luz já não existe.

Eugénio Tavares


Eugénio Tavares foi a figura cimeira da vida cultural, política e social de Cabo Verde entre 1890 e 1930. Durante essas 3 décadas, ele dominou em todas as áreas a cultura do seu povo tendo sido o seu maior interprete até aos nosso dias. A sua vastíssima obra vai da poesia à música, da retórica à ficção, passando pelos ensaios. Durante a festa da língua portuguesa em Sintra, Corsino Fortes, poeta e antigo embaixador de Cabo Verde em Portugal, intitula-o de "Camões de Cabo Verde" e realça Eugénio Tavares de fazedor de opinião numa enorme dimensão de pensador.

Fonte: www.eugeniotavares.org/

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Princípio de Arquimedes".


“PRINCÍPIO DE ARQUIMEDES”

212 a.C. – Arquimedes é famoso geômetra grego. Nasceu em Siracusa em 278. Inventa as roldanas, o parafuso sem fim, as rodas dentadas, o princípio da alavanca, etc. É dele a lei de hidrostática, conhecida por “Princípio de Arquimedes”. Todo o corpo mergulhado num fluido sofre da parte desse fluido uma pressão vertical de baixo para cima, igual ao peso do volume do fluido que desloca. – Nesse ano de 212 os romanos, conduzidos por Marcelo, cairam sobre a Sicília. Começaram o cerco de Siracusa. Essa cidade, mal fortificada, não poderia resistir por muito tempo às forças inimigas. Mas havia, então, em Siracusa um homem, cujo gênio valia sozinho por um exército numeroso. Esse homem era Arquimedes. Várias invenções lhe serviram para repelir os ataques romanos, dentre elas, Políbio, Tito-Lívio e Plutarco citam, com admiração, os espelhos ardentes (parabólicos), por meio dos quais, (afirmam esses historiadoras), o sábio lançou o fogo do Sol sobre a frota inimiga reduzindo-a a cinzas.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 52/53.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Soneto aos sapatos quietos.


SONETO AOS SAPATOS QUIETOS

Os pés dos sapatos juntos.
Hei-de calçá-los, soltos
e imensos, e talvez rotos,
como dois velhos marujos.

Nunca terão o desgosto
que tive. Jamais o sujo
desconsolo: estando postos,
como eu, em chãos defuntos.

Em vãos de flor, sem o riacho
de um pé a outro, entre guizos.
Não há demência ou fome.

Sapatos nos pés não comem.
Só dormem. Porém, descalço
pela alma, o paraíso.

Carlos Nejar


Luís Carlos Verzoni Nejar, poeta, ficcionista, crítico e tradutor, nasceu em Porto Alegre (RS), em 11/01/1939. Seu primeiro livro de poesias, “Sélesis”, foi publicado em 1960. Nessa época trabalhava no “Diário de Notícias”, de Porto Alegre, como colaborador da página literária “Nossa Geração”. Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica – RS, em 1962, entre 1966 e 1974 foi professor da rede pública estadual em Itaqui (RS) e Promotor de Justiça em várias cidades do interior gaúcho, além de Procurador da Justiça em Porto Alegre. Atualmente, aposentado, reside em Guarapari (ES). É membro da Academia Brasileira de Letras desde 09 de maio de 1989, ocupando a cadeira nº 4. Recebeu inúmeros prêmios, entre eles, em 1970, o Prêmio Jorge de Lima, pelo livro “Arrolamento”, concedido pelo Instituto Nacional do Livro. Em 1979 ocorreu a gravação de seus poemas para a Biblioteca do Congresso, em Washington (EUA).

Considerado um dos 37 escritores chaves do século, entre 300 autores memoráveis, no período compreendido de 1890-1990, Nejar — chamado "o poeta do pampa brasileiro" — figura como uma voz emblemática e universal, de original e abundante produção lírica, ao lado de Octavio Paz, Jorge Luis Borges, César Vallejo e Nicanor Parra. O ensaio do crítico suíço Gustav Siebenmann, “Poesía Y Poéticas del Siglo XX En La América Hispana Y El Brasil” (Ed. Gredos, Biblioteca Românica Hispânica, Madri, 1997), analisa as vertentes da poética espanhola e latino-americana, resgatando seus movimentos e tendências. Da literatura brasileira, 14 nomes são mencionados, entre outros, além de Nejar, Cruz e Sousa, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Haroldo de Campos.

Fonte: Academia Brasileira de Letras e Itaú Cultural.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Segundo aniversário.


MEUS QUERIDOS AMIGOS E MINHAS QUERIDAS AMIGAS!

Hoje, dia 16 de novembro de 2010, o ARTE & EMOÇÕES está completando o seu segundo ano de existência. Isso, sem sombra de dúvida, somente foi conseguido graças à compreensão, à paciência, ao incentivo e, principalmente, ao valiosíssimo carinho de todos vocês.

O ARTE & EMOÇÕES alcançou a marca dos 280 seguidores, superou as 36.800 visitas e detém hoje o Page Rank 4, o que faz com que nos sintamos envaidecidos e cada vez mais convencidos de que esta vitória pertence também a todos vocês.

Muito obrigado a todos os amigos(as) seguidores(as) e a todos aqueles que nos deram e dão a honra da visita.

Beijos carinhosos no coração de todos e que DEUS nos proteja.

R.S. Furtado.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Canto da minha terra.


Hoje, 15 de novembro, dia em que comemoramos a Proclamação da República, nada melhor para comemorá-lo do que este lindo poema do grande OLEGÁRIO MARIANO.

CANTO DA MINHA TERRA

Amo-te, ó minha terra, por tudo o que me tens dado:
Pelo azul do teu céu, pelas tuas árvores, pelo teu mar;
Pelas estrelas do Cruzeiro que me deixam anestesiado,
Pelos crepúsculos profundos que põem lágrimas no meu olhar;

Pelo canto harmonioso dos teus pássaros, pelo cheiro
Das tuas matas virgens, pelo mugido dos teus bois;
Pelos raios do sol, do grande sol que eu vi primeiro…
Pelas sombras das tuas noites, noites ermas que eu vi depois;

Pela esmeralda líquida dos teus rios cristalinos,
Pela pureza das tuas fontes, pelo brilho dos teus arrebóis;
Pelas tuas igrejas que respiram pelos pulmões dos sinos,
Pelas tuas casas lendárias onde amaram nossos avós;

Pelo ouro que o lavrador arranca das tuas entranhas,
Pela bênção que o poeta recebe do teu céu azul,
Pela tristeza infinita, infinita das tuas montanhas,
Pelas lendas que vêm do Norte, pelas glórias que vêm do Sul;

Pelo teu trapo de bandeira que flâmula ao vento sereno,
Pelo teu seio maternal onde a cabeça adormeci,
Sinto a dor angustiada do teu coração pequeno
Para conter a onda sonora que canta de amor por ti.

Olegário Mariano

Fonte: Toda uma vida de poesia: poesias completas, Olegário Mariano, em dois volumes, José Olympio: 1957, Rio de Janeiro, 1° volume.

Biografia: Vide nossa postagem de 18/03/2010, ou clic no link abaixo:
http://arteemoes.blogspot.com/search/label/OLEG%C3%81RIO%20MARIANO

domingo, 14 de novembro de 2010

A menina e a casa.


A MENINA E A CASA

Minha Sônia
Minha Sônia
Minha Soninha Maria
Nesta casa
Neste mato
Quero ver Sônia crescer.
A casa é cheia de livro
O mato é cheio de bicho
Os livros contam histórias
Os bichos falam também
Mesmo as mesas, mesmo as plantas
Os retratos dos vovós
As panelas da cozinha
Mangueiras e coisas velhas
Têm boca falam também
Dizem segredos bonitos
Que os meninos
Que os poetas
Ouvem ninguém sabe como.
Quero ver Sônia Maria
Conversando com as galinhas
Com o gato
Com os passarinhos
Com a cadeira de balanço
Com o rio que passa perto
Preguiçoso dando voltas
Sem pressa de ir pro mar
Com as estrelas com as palmeiras
Com as cigarras dos bambus
Com os pingos d´água da chuva
E mesmo com os cururus
Com os livros cheios de histórias
Com os almanaques
Com os quadros
E com a melhor das mamães.

Gilberto Freyre


Gilberto Freyre escreveu 67 livros, sendo Casa Grande & Senzala a sua maior obra, publicada em 1933, e que se tornou um clássico sobre a história da formação da sociedade brasileira. O autor de Sobrados e Mocambos foi o escritor brasileiro que mais recebeu homenagens de universidades da Europa e dos EUA.

O escritor e sociólogo Gilberto Freire imprimiu a sua obra uma visão poderosa e original dos fundamentos da sociedade brasileira.

Sua mensagem representou um divisor de águas na evolução cultural do Brasil e contribuiu para que o país encarasse com mais confiança seu papel no mundo moderno. Gilberto de Melo Freire, que como escritor assinava Gilberto Freyre, nasceu em Recife-PE, no dia 15 de março de 1900. Fez estudos primários e secundários no Colégio Americano Gilreath e seguiu depois para os Estados Unidos, onde cursou as universidades de Baylor (Waco, Texas) e Colúmbia (Nova York).

De volta ao Brasil em 1924, permaneceu em Recife, cidade que se tornou a base de sua atividade intelectual, mas não abandonou as viagens internacionais. Dirigiu por algum tempo o jornal A Província. Foi oficial de gabinete e assessor direto do governador de Pernambuco Estácio de Albuquerque Coimbra, deposto pela revolução de 1930. O escritor projetou-se nacionalmente na década de 1930. Deputado à Assembléia Nacional Constituinte em 1946, Freire permaneceu na Câmara Federal até 1950.

Membro do Conselho Federal de Cultura desde sua criação, em 1967, recebeu numerosas láureas, títulos e prêmios, nacionais e estrangeiros. Professor honoris causa da Universidade de Coimbra e de outras universidades brasileiras e estrangeiras, membro de sociedades internacionais de cultura, afirmou, no entanto, sua independência em relação à instituição acadêmica, da mesma forma que se declarou pós-marxista e não modernista, acatólico e não anticatólico.

Gilberto Freire morreu em Recife, em 18 de julho de 1987. Sociólogo e escritor brasileiro. Sua obra, sobre a contribuição do negro e o fenômeno da miscigenação, apresenta uma visão original da sociedade brasileira.

Enciclopédia Britannica Ltda.

sábado, 13 de novembro de 2010

A descoberta dos micróbios.


A DESCOBERTA DOS MICRÓBIOS


1680 Anthony Van Leeuwenhoek, ótico e naturalista holandez, revela ao mundo a existência de micróbios, no seu livro, publicado no ano de 1680, intitulado: Arcana Naturae ope Exatissimorum Microscopiorum de Tecta. Conseguiu ele esta descoberta dispondo de um sistema de lentes que proporcionam aumentos muito maiores do que os conseguidos noventa anos antes por Juan e Zacarias Jansen, inventores do microscópio composto. Na referida obra, o sábio descreve pela primeira vez as células das bactérias, distinguindo suas várias formas (redondas, retas, curvas, em espirais, etc.); observa seus movimentos e determina-lhes o tamanho confrontando-os com um grão de areia, que lhe serve como unidade de medida. Afirma que esses micro-organismos existem abundantemente na água, nas folhas secas, nos intestinos dos homens e de animais, na saliva e outras matérias. Afirma ainda que devem ter uma parte importante nos fenômenos de fermentação e putrefação, assim como nas enfermidades.


Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, página 166. 

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Se me perguntares.


SE ME PERGUNTARES

Se me perguntares
Quem sou eu
Cavada de bexiga de maldade
Com um sorriso sinistro
Nada te direi
Nada te direi
Mostrar-te-ei as cicatrizes de séculos
Que sulcam as minhas costas negras
Olhar-te-ei com olhos de ódio
Vermelhos de sangue vertido durante séculos
Mostrar-te-ei minha palhota de capim
A cair sem reparação
Levar-te-ei às plantações
Onde sol a sol
Me encontro dobrado sobre o solo
Enquanto trabalho árduo
Mastiga meu tempo
Levar-te-ei aos campos cheios de gente
Onde gente respira miséria em toda a hora
Nada te direi
Mostrar-te-ei somente isto
E depois
Mostrar-te-ei os corpos do meu Povo
Tombados por metralhadoras traiçoeiras,
Palhotas queimadas por gente tua
Nada te direi
E saberás porque luto.

Armando Guebuza


Armando Emílio Guebuza (Murrupula, Nampula, 20 de Janeiro de 1943) é um político moçambicano, atual presidente de seu país. Seus poemas apareceram primeiro no Boletim da Frelimo, juntamente com outros prestigiosos poetas guerrilheiros.

Junta-se à FRELIMO em 1963, na então Lourenço Marques e abandona Moçambique em 1964 para estudar numa escola especial na Ucrânia, base de Perevalny. No Governo de Transição (1974-1975), Guebuza ocupa a pasta da Administração Interna, e no primeiro Governo do Moçambique independente a pasta de Ministro do Interior. Ocupou então vários importantes postos governamentais e em 1992 é nomeado chefe da delegação do governo na Comissão de Supervisão e Implementação do Acordo Geral de Paz para Moçambique.

Em 2002 é eleito secretário-geral da FRELIMO, cargo que o torna candidato do partido às eleições presidenciais de 2004, que vence. Em 2 de Fevereiro de 2005 Armando Guebuza torna-se o terceiro Presidente da República de Moçambique. 

Fonte: http://blogvisao.wordpress.com/

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O assassino era o Escriba


O ASSASSINO ERA O ESCRIBA

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito
inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da la conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto
adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

Paulo Leminsk


Paulo Leminski Filho nasceu no dia 24 de agosto de 1949 em Curitiba-PR, e faleceu, também em Curitiba-PR, no dia 07 de junho de 1989. Poeta, romancista e tradutor. Filho de Paulo Leminski, militar de origem polonesa, e Áurea Pereira Mendes, de ascendência africana. Aos doze anos, ingressa no Mosteiro de São Bento, onde adquire conhecimentos de latim, teologia, filosofia e literatura clássica. Em 1963, abandona a vocação religiosa. Viaja a Belo Horizonte para participar da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, onde conhece Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos, criadores do movimento Poesia Concreta. No ano seguinte, publica seus primeiros poemas na revista Invenção, editada pelos concretistas, e torna-se professor de história e redação em cursos pré-vestibulares, experiência que motivou a criação de seu primeiro romance, Catatau (1976). Leminski também atua como diretor de criação e redator em agências de publicidade, o que contribui para sua atividade poética, sobretudo no aspecto da comunicação visual. Fascinado pela cultura japonesa e pelo zen-budismo, Leminski pratica judô, escreve haicais e uma biografia de Matsuo Bashô. O interesse pelos mitos gregos, por sua vez, inspira a prosa poética Metaformose. Paulo Leminski exerce atividade intensa como crítico literário e tradutor, vertendo para o português obras de James Joyce, Samuel Beckett, Yukio Mishima, Alfred Jarry, entre outros. Colabora em revistas de vanguarda, como Raposa, Muda e Corpo Estranho, e faz parcerias musicais com Caetano Veloso e Itamar Assumpção, entre outros. Em 1968, casa-se com a poeta Alice Ruiz, com quem vive durante vinte anos, e tem três filhos: Miguel Ângelo (que morre aos dez anos de idade), Áurea e Estrela. Em 7 de junho de 1989, o poeta morre, vítima de cirrose hepática.

www.itaucultural.org.br/

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Realidade.


"REALIDADE"

"A beleza e o perfume das rosas transportam-nos a um mundo prazeroso, porém, às vezes, necessário se faz levarmos umas espetadas nos seus espinhos, para que aprendamos que o mundo não é feito somente de flores, e que nascemos não só para sorrir, mas, também, para chorar."

R.S.Furtado.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pedra Filosofal.


PEDRA FILOSOFAL

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão.


Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu em Lisboa, no dia 24 de novembro de 1906, e faleceu, também em Lisboa, no dia 19 de fevereiro de 1997, foi um químico, professor de Físico-Química do ensino secundário, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, divulgador da ciência, e poeta sob o pseudônimo de António Gedeão. Pedra Filosofal e Lágrima de Pedra são dois dos seus mais célebres poemas.

Acadêmico efetivo da Academia das Ciências de Lisboa e Diretor do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa. O dia do seu nascimento foi, em 1997, adotado em Portugal como Dia Nacional da Cultura Científica.

António Gedeão concluiu no Porto o curso de Ciências Físico-Químicas, exercendo depois a atividade de docente. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições, como A Atividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX. Publicou ainda outros estudos, como História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1959), O Sentido Científico em Bocage (1965) e Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (1979).

Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo. A esta viriam juntar-se outras obras, como Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Na sua poesia, reunida também em Poesias Completas (1964), as fontes de inspiração são heterogêneas e equilibradas de modo original pelo homem que, com um rigor científico, nos comunica o sofrimento alheio, ou a constatação da solidão humana, muitas vezes com surpreendente ironia. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção.

Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e dez anos depois a sua primeira obra de ficção, A Poltrona e Outras Novelas (1973). Na data do seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago de Espada.

Fontes: http://www.astormentas.com/
Wikipédia.

domingo, 7 de novembro de 2010

Com barro amassei meu sangue.


COM BARRO AMASSEI MEU SANGUE

Com barro amassei meu sangue
pus-lhe dentro o coração
depois deitei-lhe uma estrela
e um ponto de exclamação.

Mas esta coisa anda mesmo?
Lá dentro havia o pulsar
de rio de águas fervendo
em jeito de respirar.

Deitei-lhe trigo e o trigal
ali mesmo rebentou:
 Depois juntei-lhe uma pedra:
que montanha se formou!

Mas esta Coisa anda mesmo?
Lá dentro nascia pão
e fogo que rebentava
da cratera de um vulcão.

Depois soprei-lhe com força:
Vinha de lá um rumor
como vendaval crescendo.
Coisa maluca, Senhor?

Pois esta Coisa anda mesmo?
Mas isto tudo é de gente?
O que pode acontecer
quando um Poema se sente?

Cândido da Velha
Poeta, contista e jornalista angolano, Cândido Manuel de Oliveira da Velha nasceu a 18 de Julho de 1933, em Ílhavo, no distrito de Aveiro, onde passou a infância e parte da adolescência.
Tendo terminado o ensino secundário, foi viver algum tempo para Lisboa e é já aqui que decide ir para Angola, em 1957, onde viveu até ao momento da Independência, tendo desempenhado funções de funcionário público no Instituto de Trabalho de Angola. Na verdade, regressa a Portugal em Outubro de 1975, onde exerceu a sua actividade profissional no Baixo Alentejo, entre 1976 e 1986.
A sua actividade literária começou por ser veiculada através da imprensa regionalista, ainda em Portugal, tendo sido um dos organizadores dos cadernos "Atitude".
Foi membro da Sociedade Cultural de Angola e foi galardoado, em 1957, com o 1.º Prémio de Poesia da Associação dos Naturais de Angola (ANANGOLA) pelo seu livro, à data ainda manuscrito, Poemas do Apocalipse. Em 1959, ganhou o Prémio "Mota Veiga" com o livro As Idades da Pedra.
Entre 1958 e 1975, foi colaborador literário de diversos jornais, nomeadamente "Cultura II"; "ABC"; "Jornal de Angola"; " A Província de Angola"; "Notícias de Angola"; "Brasília do Sul" e também, embora por curto período de tempo, do "Suplemento Literário" de Minas Gerais (Brasil).
Colaborador da revista "Cultura II", continuadora da revista "Mensagem"extinta pela Polícia Política do Governo Colonial, Cândido da Velha assume uma escrita poética notoriamente "engagée" que, constituindo-se como um processo de catarse, evoca o passado de escravidão e denuncia o presente colonial de miséria. Produzindo os seus textos em tempo de repressão e de luta contra o colonialismo, o autor projecta um "eu lírico" militante que, denunciando a opressão fascista e colonialista, se enforma como um grito colectivo de um povo que começa a tomar verdadeira consciência da sua exploração e se predispõe a mudá-la.
Poeta conceituado, os seus textos têm sido seleccionados para animar espaços de poesia promovidos por, entre outros, António Cardoso Pinto.
A sua obra figura em diversas antologias poéticas, a saber: "Kazuela I", 1973; "Breve África" 1975; "No Reino de Caliban. Antologia Panorâmica da Poesia Africana de Expressão Portuguesa, II", 1976; "Antologia da Poesia Pré-Angolana",1976 e "Antologia do Mar na Poesia Africana de Língua Portuguesa do Século XX", 2000.
Escreveu, entre outros, os seguintes títulos: Quero-te Intangível, África (1960-Poesia); Equador (1961-Contos); As Idades da Pedra (1969 - Poesia); Corporália (1972 - Poesia); Signo de Caranguejo (1972 - Poesia); Memória Breve de Uma Cidade (1988 - Poesia); Navio Dentro do Mapa (1994 - Poesia) e Lugares do Vento Suão (1998 - Poesia).
Como referenciar este artigo:
Cândido da Velha. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-11-07].
Disponível na www: .

sábado, 6 de novembro de 2010

Invenção da Batuta.


INVENÇÃO DA BATUTA

1685Jean Baptiste Lully, músico florentino, inventa a “batuta”. Os antigos diretores de orquestras marcavam o compasso com o pé. Jean Baptiste Lully, notabilíssimo diretor da orquestra de Luís XIV, foi o primeiro a usar, para tal fim, um bastão de dois metros de altura, origem indiscutível das pequenas e leves “batutas” atuais. Infelizmente, sua invenção foi, também, causa de sua morte. Dirigindo um “Te Deum” na capela real, o bastão escapuliu de suas mãos. Caiu em cheio sobre o pé do insigne maestro, produzindo-lhe um profundo ferimento. Passados poucos dias a ferida gangrenou e Lully faleceu após atrozes sofrimentos, em 1687.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 167/168.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Canto de regresso à pátria.


CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

Oswald de Andrade


José Oswald de Souza Andrade nasceu em São Paulo, em 1890. Jornalista e advogado, fundou a revista O Pirralho, em 1911, bacharelando-se pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1919. Mais tarde, trabalhou para o Diário Popular, Correio Paulistano, Correio da Manhã, O Estado de São Paulo.

Participou ativamente da Semana de Arte Moderna de 1922, da qual foi um dos organizadores. Amigo de Mário de Andrade, formou com ele a dupla de maior expressão do movimento modernista. Posteriormente a 1922, desencadeou dois movimentos, o Pau-Brasil (1924/25) e o da Antropofagia (1928). O primeiro, utilizando elementos da vanguarda francesa, pregava a criação de uma poesia primitiva e nacionalista, fruto da união de uma cultura nativa com uma cultura intelectualizada. Sua proposta é a de unir a floresta e a escola. O segundo movimento questionava a estrutura política, econômica e cultural do país, entendida como uma herança deixada pelo colonizador. Em maio de 1928, colocou em circulação o primeiro número da Revista de Antropofagia, primeira dentição.

Entre 1922 e 1934, publicou a Trilogia do exílio formada pelos romances Os condenados (1922), Estrela de absinto (1927) e A escada vermelha (1934). Paralelamente à sua intensa atividade literária, OSWALD DE ANDRADE envolveu-se com o clima de radicalização política dominante no país após a Revolução de 1930, tendo ingressado no início da década no Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB). Nesse período, escreveu três peças de teatro: O homem e o cavalo (1934), A morta e O rei da vela (1937).

Adversário do integralismo, do nazi-facismo e da ditadura do Estado Novo (1937-1945), em 1940, através de uma carta-desafio, lançou-se candidato à Academia Brasileira de Letras (ABL), não sendo, contudo, eleito. Em 1945 participou do I Congresso Brasileiro de Escritores, rompendo com o PCB. Naquele mesmo ano obteve a livre-docência de literatura brasileira na cadeira de literatura brasileira na USP com a tese A crise da filosofia messiânica. Faleceu em São Paulo em 1954.

Além das já citadas, devem ser mencionadas as seguintes obras de sua autoria: Pau-Brasil (1925), Memórias sentimentais de João Miramar (1927), Manifesto Antropofágico (1928), Serafim Ponte Grande (1933), A revolução melancólica (1943), Ponta de lança, A Arcádia e a Inconfidência (1945) Chão (1946) e Sob as ordens de mamãe (1954).

Fonte: www.cpdoc.fgv.br

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Esperanças.


ESPERANÇAS

Já não mais sei até aonde vão as minhas esperanças,
De reacender as chamas do amor, que há muito terminou.
Mergulhado na solidão, vivo somente das lembranças,
Que como recompensa, foi tudo quanto me restou.

Já não mais sei até onde suportarei esta mal vivida vida,
Imposta pelo destino que o SENHOR me assegurou.
Mas, seguirei minha batalha sem descanso, sem guarida,
Correndo atrás da felicidade que o amor me reservou.

Já não mais sei se devo, como também, até quando,
Seguirei nesse intento de reviver tudo o que passou.
Se sou merecedor não sei, de continuar sonhando,
Encontrar o alguém que eu amei e que também me amou.

Já não mais sei onde buscá-la, nem qual o seu paradeiro,
Mesmo assim continuarei, insistirei nas minhas andanças.
Encontrá-la-ei, nem que para isso revire o mundo inteiro,
Pois a fé em DEUS não me fez perder as esperanças.

R.S. Furtado.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Chuva.


CHUVA

Chuva torrencial carregada
de frutos. Chuva exausta
de longos braços
pendentes.

Chuva nos campos da fatalidade
entregando bandeiras.

Música opulenta de rios
que se despenham.

Durante noites e noites.

As criaturas estão à espera
Protegidas pelas paredes
E a palavra — sol
Unge todos os lábios.

Só eu na minha imensidade sem teto,
só eu te suporto o peso,
só eu te sorvo esse gosto,
de morte.

Chuva, plenitude amarga
de derrota.

Sinto que és retorno,
corpo cansado de espírito,
corpo vencido,
corpo
que se entrega
pesadamente
à terra.

Henriqueta Lisboa


A poetisa, ensaísta e tradutora Henriqueta Lisboa nasceu na cidade de Lambari, no Estado de Minas Gerais, no dia 15 de julho de 1901, fruto da união entre o deputado federal João de Almeida Lisboa e Maria Rita Vilhena Lisboa. Ela se torna, posteriormente, a primeira escritora a ser eleita integrante da Academia Mineira de Letras, em 1963.

Jovem estudante, ela recebe o diploma de normalista no Colégio Sion de Campanha, ainda em Minas. Logo depois, em 1924, ela se transfere para terras cariocas. Henriqueta se devota à poesia prematuramente. Em 1929 ela já tem seu primeiro poema, Enternecimento, premiado; ela angaria então o Prêmio Olavo Bilac de Poesia da Academia Brasileira de Letras.

Sua primeira obra, intitulada Fogo Fátuo, foi publicada quando ela tinha apenas 21 anos, o que confirma seu talento precoce. Ao público infantil ela reserva três livros – O Menino Poeta, de 1943; Lírica, de 1958; e o relançamento, em 1975, do primeiro trabalho devotado às crianças, lançado igualmente em disco pelo Estúdio Eldorado.

Um dos maiores impactos em sua carreira literária é a participação no movimento modernista, em 1945. Nesta época ela foi incentivada a integrar esta escola pelo amigo Mário de Andrade. principalmente através das cartas que ambos trocaram entre 1940 e 1945.

Além dos poemas, Henriqueta produziu várias traduções, ensaios e antologias. Escritora de intensa sensibilidade, ela se devotou de corpo e alma à criação de seus poemas. Ao longo de sua trajetória literária, a poetisa sempre se manteve receptiva a novos estímulos e sugestões de seus contemporâneos, conquistando assim inúmeros admiradores no meio artístico e intelectual, entre eles Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Gabriela Mistral.
Henriqueta foi homenageada, em 1984, com o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras por sua obra como um todo. Paralelamente ao ofício literário, ela atuou também no campo do magistério, como professora de Literatura Hispano-Americana e Literatura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica (Puc Minas) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e como inspetora escolar.

Esta célebre poetisa morreu em 9 de outubro de 1985, na cidade de Belo Horizonte. Em 2002 houve vários eventos comemorativos em prol de seu centenário de nascimento, quando então foram relançados vários de seus livros, em meio a diversas realizações de natureza cultural.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Henriqueta_Lisboa
           http://www.revista.agulha.nom.br/hlisbo00.html

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