domingo, 31 de outubro de 2010

Fundação da Filosofia moderna.


FUNDAÇÃO DA FILOSOFIA MODERNA

1637René Descartes, filósofo e matemático francês, nascido em La Haye, na Turenne e falecido em Estocolmo (1596-1650), funda a Filosofia moderna, com a obra: Discurso do Método, onde estabelece a necessidade de cada um por em dúvida todas as suas opiniões e indica o verdadeiro método para se chegar à verdade, que se resume nesses quatro preceitos: 1º) não aceitar coisa alguma como verdadeira, sem a conhecer evidentemente como tal; 2º) dividir as dificuldades em tantas partes quantas for possível; 3º) conduzir por ordem os pensamentos, procedendo do simples para o composto; 4º) fazer enumerações tão completas e revisões tão gerais que se não omita a menor coisa (primeira e segunda partes). A terceira parte estabelece as regras provisórias da moral, antes de se chegar a verdade, sendo preciso: 1º) obedecer às leis e aos costumes, conservar a sua religião; 2º) ser firme e corajoso em suas ações; preferir a própria vitória à fortuna. A quarta e a quinta partes resumem a Metafísica e a Física de Descartes, havendo a obra em apreço libertado as inteligências do jugo da Escolástica, e encontrando-se nela, ainda, o princípio fundamental da filosofia cartesiana: “Cogito ergo sum”“Penso logo existo”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, páginas 148/152.

sábado, 30 de outubro de 2010

A serenata.


A SERENATA

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Adélia Prado


Adélia Luzia Prado de Freitas, escritora brasileira. Sua poesia de estilo original foi publicada em diversas línguas.

"Achei engraçado quando o poeta tropeçou na pedra, / eu tropeço na lei de jugo suave: amai-vos.", diz Adélia Prado no poema "O servo" (1981), citando o poeta Carlos Drummond de Andrade, um dos primeiros a incentivar e tornar conhecida sua pessoalíssima poesia, hoje traduzida e publicada em várias línguas.

Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em 1936 em Divinópolis MG, onde cresceu e se educou. Formou-se em filosofia e trabalhou como professora. Em 1971 publicou, com Lázaro Barreto, o livro de poemas A lapinha de Jesus, mas somente cinco anos depois fez sua estreia individual, com Bagagem (1976), que revelou uma artista de extrema originalidade e lirismo. Outro livro de poemas, O coração disparado, de 1978, trouxe a consagração definitiva da escritora e lhe valeu o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, de São Paulo.

Depois de publicar dois livros de prosa -- Solte os cachorros (1979), de contos, e o romance Cacos para um vitral (1980) -- voltou a impressionar seus leitores com Terra de Santa Cruz (1981), reunião de poemas escritos em linguagem coloquial, inovadora e estranhamente imbuída de religiosidade e erotismo. Na década de 1980, a atriz Fernanda Montenegro apresentou em várias cidades brasileiras o espetáculo Dona Doida, dramatização dos poemas desse livro, entre outros, e contribuiu para popularizar a obra da poetisa mineira, que pouco alterou sua rotina de esposa, dona de casa, mãe e avó em função do sucesso de sua literatura. Em 1984 publicou Os componentes da banda, de poemas. A obra de Adélia Prado inclui ainda trabalhos dispersos em jornais, revistas e antologias literárias.

Fonte: ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Promessa.



PROMESSA

- Se você renunciar à sua candidatura, eu juro que lhe dou aquilo que você mais gosta.

R.S. Furtado.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ser mulher...


SER MULHER...

Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...

Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor...

Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...

Ser mulher, e, oh! atroz, tentálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!

Gilka Machado


Gilka da Costa de Melo Machado (Rio de Janeiro RJ 1893-idem 1980). Publicou seu primeiro livro de poesia, Cristais Partidos, em 1915. Na época, já era casada com o poeta Rodolfo de Melo Machado. No ano seguinte, ocorreu a publicação de sua conferência A Revelação dos Perfumes, no Rio de Janeiro. Em 1917 saiu Estados de Alma; seguiram-se  Poesias, 1915/1917 (1918); Mulher Nua (1922), O Grande Amor (1928), Meu Glorioso Pecado (1928), Carne e Alma (1931). Em 1932 foi publicada em Cochabamba, na Bolívia, a antologia Sonetos y Poemas de Gilka Machado, prefaciada por Antonio Capdeville. Em 1933, Gilka foi eleita "a maior poetisa do Brasil", por concurso da revista O Malho, do Rio de Janeiro. Foram lançadas, nas décadas seguintes, suas obras poéticas Sublimação (1938), Meu Rosto (1947), Velha Poesia (1968). Suas Poesias Completas foram editadas em 1978, com reedição em 1991. Poeta simbolista, Gilka Machado produziu versos considerados escandalosos no começo do século XX, por seu marcante erotismo.  Para o crítico Péricles Eugênio da Silva Ramos, ela foi a maior figura feminina de nosso Simbolismo, em cuja ortodoxia se encaixa com seus dois livros capitais, Cristais Partidos e Estados de Alma?

Fonte: www.itaucultural.org.br

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Sésta.


A SÉSTA

Pierrot escondido por entre o amarello dos gyrassois espreita em cautela o somno d'ella dormindo na sombra da tangerineira. E ella não dorme, espreita tambem de olhos descidos, mentindo o sôno, as vestes brancas do Pierrot gatinhando silencios por entre o amarelo dos gyrassois. E porque Elle se vem chegando perto, Ella mente ainda mais o sôno a mal-resonar.

Junto d'Ella, não teve mão em si e foi descer-lhe um beijo mudo na negra meia aberta arejando o pé pequenino. Depois os joelhos redondos e lizos, e já se debruçava por sobre os joelhos, a beijar-lhe o ventre descomposto, quando Ella acordou cançada de tanto sôno fingir.

E Elle ameaça fugida, e Ella furta-lhe a fuga nos braços nús estendidos.

E Ella, magoada dos remorsos de Pierrot, acaricia-lhe a fronte num grande perdão. E, feitas as pazes, ficou combinado que Ella dormisse outra vez.

Almada Negreiros,
in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'


José Sobral de Almada Negreiros nasceu em São Tomé e Príncipe, Portugal, no ano de 1893.

Em 1905 já redigia e ilustrava jornais manuscritos (A República e O Mundo). Publicou seu primeiro desenho em A Sátira e faz sua primeira exposição individual de 90 desenhos, em 1913.

Escreveu o Manifesto Anti-Dantas e por extenso e foi publicado o primeiro número da revista Orpheu. Pela polêmica que detonou, é talvez o texto doutrinário mais conhecido de Almada. Foi escrito em 1912, mas impresso sobre papel de embrulho em abril de 1913. O Manifesto é um texto que maldiz uma das figuras da literatura portuguesa que, durante algumas décadas, representou a cultura acadêmica e conformista, influenciando todo um conjunto de escritores, jornalistas, políticos e atores. Tratava-se de Júlio Dantas, cuja peça de teatro Mariana Alcoforado foi satirizada em jeito de caricatura social, por Almada. Numa passagem de O Manifesto, o futurista critica Dantas deste modo: Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrizinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!

Retornou de sua estada em Paris, em 1920.

No ano de 1925 pintou dois painéis para A Brasileira, um café do Chiado, em Lisboa. De 1927 a 1932 morou em Madrid. Em 1938, concluiu os vitrais da Igreja de Nossa Sra. de Fátima. Pintou o famoso retrato de Fernando Pessoa (Lendo Orpheu), para o restaurante “Irmãos Unidos”, em 1954.

Em 1951, o SNI lhe conferiu o “Prêmio Nacional das Artes”. Em 1966 foi eleito membro honorário da Academia Nacional de Belas Artes. No ano seguinte recebeu o Grande Oficialato da Ordem de Santiago Espada. No ano de 1970, o pintor e escritor morreu em Lisboa, no mesmo quarto em que morrera o poeta Fernando Pessoa.

Companheiro de geração de Pessoa, é considerado um dos maiores pintores lusos, além de escritor e agitador cultural. Sua importância na cultura portuguesa é sentida mesmo após sua morte. Deixou contos espalhados por revistas de vanguarda de curta duração.

Fonte: http://www.passeiweb.com/

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A invenção do Taxímetro.


A INVENÇÃO DO TAXÍMETRO

1558 – É inventado o taxímetro – O pai dessa invenção é o francês Jean Hermel. Médico famoso, dedica-se à Astronomia e é apelidado o “Galileu Moderno”. Nasceu em Clermont-en-Beauvais, em 1497. Faleceu em Paris em 1558. nesta data determina a distância de um grau do Meridiano Terrestre, medindo Amiens a Paris. Dai inventa o taxímetro. Mede exatamente o diâmetro das rodas de trás do veículo. Para verificar quantas voltas estas desenvolveram no percurso de Amiens a Paris, mune-os de um contador decimal, que manda um relojoeiro construir. Esse contador é acionado por um gancho, que, fixado a um dos raios da roda, faz a cada volta avançar um dente da primeira roda do mecanismo contador. É esse o primeiro taxímetro. O taxímetro ou contador quilométrico, entretanto, já era conhecido pelos povos antigos e inventado pelo arquiteto Marco Vitrúvio Pollio, que viveu no tempo do imperador Augusto. Como, porém, fosse um maquinismo muito complicado, não foi posto em uso.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, página 121.

domingo, 24 de outubro de 2010

O torso arcaico de Apolo.


O TORSO ARCAICO DE APOLO

Não conhecemos sua cabeça inaudita
Onde as pupilas amadureciam. Mas
Seu torso brilha ainda como um candelabro
No qual o seu olhar, sobre si mesmo voltado

Detém-se e brilha. Do contrário não poderia
Seu mamilo cegar-te e nem à leve curva
Dos rins poderia chegar um sorriso
Até aquele centro, donde o sexo pendia.

De outro modo erger-se-ia esta pedra breve e mutilada
Sob a queda translúcida dos ombros.
E não tremeria assim, como pele selvagem.

E nem explodiria para além de todas as fronteiras
Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar
Que não te mire: precisas mudar de vida.

(Tradução: Paulo Quintela)

Rainer Maria Rilke


Rainer Maria Rilke, por vezes também Rainer Maria von Rilke, nasceu em Praga, na República Tcheca, no dia 04 de dezembro de 1875, e faleceu em Velmont, na Suíça, no dia 29 de dezembro de 1926. Foi um dos mais importantes poetas de língua alemã do século XX. Escreveu também poemas em francês.

Rilke fez seus estudos nas universidades de Praga, Munique e Berlim. Em 1894 fez sua primeira publicação, uma coleção de versos de amor, intitulados Vida e canções (Leben und Lieder). Não exerceu nenhuma profissão, tendo vivido, sempre, à custa de amigas nobres.

Alguns anos depois, em 1899, Rilke viajou para a Rússia a convite de Lou Andreas-Salomé, a escritora e depois psicanalista, filha de um general russo, e que foi sua amante por longos anos. Sua passagem pela Rússia imprimiu uma inspiração religiosa em seus poemas. Rilke passou a enxergar a natureza, dada as dimensões e exuberância das paisagens russas, como manifestação divina presente em todas as coisas. Sobre este aspecto publicou em 1900 a coleção Histórias do bom Deus.

Em 1901 casou com Clara Westhoff, da qual logo se separou. O século XX trouxe para a poesia de Rilke um afastamento do lirismo e dos simbolistas franceses com os quais ele se identificara. Em 1905, publicou O Livro das Horas de grande repercussão à época. Nesta obra, seus poemas já apresentavam um estilo concreto, bem característico desta sua fase.

Em 1902 foi para Paris, onde trabalhou como secretário do escultor Auguste Rodin entre 1905 a 1906. Rodin exerceu grande influência sobre o poema de Rilke, que se reflete em suas publicações de 1907 a 1908.

Quando estourou a Primeira Guerra Mundial, em 1914, Rilke morava em Munique e lá permaneceu durante todo o conflito. Antes de se mudar para Munique, ele viveu na região do Trieste e publicou, em 1913, a A vida de Maria (Das Merien Leben) e iniciou a redação de Elegias de Duíno (Duineser Elegien), texto que só viria a ser publicado em 1923. Duíno era um castelo na região de Trieste, Itália, onde Rilke morou por dois anos antes da Guerra, a convite da princesa Maria von Thurn und Taxis. Após o conflito na Europa, Rilke mudou-se para a Suíça, a última de suas pátrias de eleição,

Fonte: Wikipédia.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Controvérsia.


CONTROVÉRSIA

“Nem sempre, dar aos pobres é emprestar a DEUS, pois não é todo empréstimo que LHE agrada. O descamisado brasileiro é um exemplo.”

R.S Furtado.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Regresso.


REGRESSO

Mamãe Velha, venha ouvir comigo
o bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
que vibra dentro do meu coração.

A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,
que há tanto tempo não batia assim...
Ouvi dizer que a Cidade-Velha,
— a ilha toda —
Em poucos dias já virou jardim...
Dizem que o campo se cobriu de verde,
da cor mais bela, porque é a cor da esp´rança.
Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.
— É a tempestade que virou bonança...

Venha comigo, Mamãe Velha, venha,
recobre a força e chegue-se ao portão.
A chuva amiga já falou mantenha
e bate dentro do meu coração!

Amilcar Cabral


Amílcar Cabral (Bafatá, Guiné-Bissau, 12 de Setembro de 1924 — Conacri, 20 de janeiro de 1973) foi um político da Guiné-Bissau e de Cabo Verde

Filho de Juvenal Lopes Cabral e de Dona Iva Pinhel Évora, aos oito anos de idade, sua família mudou-se para Cabo Verde, estabelecendo-se em Mindelo (ilha de São Vicente), que passou a ser a cidade de sua infância, onde completou o curso liceal em 1943. No ano seguinte, mudou-se para a cidade de Praia, na ilha de Santiago, e começou a trabalhar na Imprensa Nacional, mas só por um ano, pois tendo conseguido uma bolsa de estudos, no ano de 1945 ingressou no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Após graduar-se em 1950, trabalhou por dois anos na Estação Agronómica de Santarém.

Contratado pelo Ministério do Ultramar como adjunto dos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné, regressou a Bissau em 1952. Iniciou seu trabalho na granja experimental de Pessube percorrendo grande parte do país, de porta em porta, durante o Recenseamento Agrícola de 1953 adquirindo um conhecimento profundo da realidade social vigente. Suas atividades políticas, iniciadas já em Portugal, reservam-lhe a antipatia do Governador da colônia, Melo e Alvim, que o obriga a emigrar para Angola. Nesse país, une-se ao MPLA.

Em 1959, Amílcar Cabral, juntamente com Aristides Pereira, seu irmão Luís Cabral, Fernando Fortes, Júlio de Almeida e Elisée Turpin, funda o partido clandestino Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Quatro anos mais tarde, o PAIGC sai da clandestinidade ao estabelecer uma delegação na cidade de Conacri, capital da República de Guiné-Cronacri. Em 23 de janeiro de 1963 tem início a luta armada contra a metrópole colonialista, com o ataque ao quartel de Tite, no sul da Guiné-Bissau, a partir de bases na Guiné-Conacri.

Em 1970, Amílcar Cabral, fazendo-se acompanhar de Agostinho Neto e Marcelino dos Santos, é recebido pelo Papa Paulo VI em audiência privada. Em 21 de novembro do mesmo ano, o Governador português da Guiné-Bissau determina o início da Operação Mar Verde, com a finalidade de capturar ou mesmo eliminar os líderes do PAIGC, então aquartelados em Conacri. A operação não teve sucesso.

Em 20 de janeiro de 1973, Amílcar Cabral é assassinado em Conacri, por dois membros de seu próprio partido. Amílcar Cabral profetizara seu fim, ao afirmar: "Se alguém me há de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios." Aristides Pereira, substituiu-o na chefia do PAIGC. Após da morte de Cabral a luta armada se intensifica e a independência de Guiné-Bissau é proclamada unilateralmente em 24 de Setembro de 1973. Seu meio-irmão, Luís de Almeida Cabral, é nomeado o primeiro presidente do país.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ser mãe.


SER MÃE

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!

Coelho Neto


Henrique Maximiano Coelho Neto, escritor, poeta e jornalista, foi fundador da cadeira número dois da Academia Brasileira de Letras, e também seu presidente em 1926. Nasceu no dia 21 de fevereiro de 1864, na cidade de Caxias, no estado do Maranhão, transferindo-se com a família para o Rio de Janeiro aos seis anos de idade.

Tendo ingressado na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1885 abandonou o curso para dedicar-se ao jornalismo. Voltou para a Capital Federal, integrando o grupo de Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney, cujas histórias relataria mais tarde no romance A Conquista. Ingressou na Gazeta da Tarde e depois na Cidade do Rio, começando a publicar seus primeiros trabalhos literários. Foi nomeado para o cargo de secretário do governo do Estado do Rio de Janeiro em 1890 e, no ano seguinte, Diretor dos Negócios do Estado.

Republicano e abolicionista, após o 15 de novembro tornou-se professor, dando aulas de história da arte e literatura em diversas instituições cariocas. Foi eleito deputado federal pelo Maranhão em 1909 e reeleito em 1917. Cultivando diversos gêneros literários, multiplicava sua produção em revistas e jornais do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras, sendo, por longos anos, o autor mais lido do país. Sua obra, marcada por forte presença realista, inclui mais de um centena de volumes, dentre os quais destacam-se A Capital Federal (1893), O Rei Fantasma (1895) e o livro de contos Sertão (1896).

Coelho Neto faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro no dia 28 de novembro de 1934.

Fontes: www.projetomemoria.art.br
             www.secrel.com.br

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O primeiro livro do A.B.C.


O PRIMEIRO LIVRO DO ABC

1525 – Surge o primeiro Livro do A.B.C. que se conhece no mundo, publicado em alemão, na cidade de Wittenberg, sob a denominação de “Bokeschen vor de leven ond kind”. Contém o Alfabeto, os Dez Mandamentos, o Padre-Nosso, o Símbolo da Fé, algumas orações e os Algarismos. Dois anos mais tarde, Valentim Ickelsamer, em 1527 publicou um livro parecido, porém com algumas sílabas simples, sendo que até o século XVII quase não foram modificados. No começo do século XVIII, pela primeira vez, levaram algumas gravuras de animais e objetos domésticos com a letra inicial. Assim é que o S, por exemplo, era representado por uma cobra e o A por uma escada aberta.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, páginas 114/115.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Convalescente.


CONVALESCENTE

Volto de novo a vida, enfim respiro
como se nada houvera acontecido.
Agora o bosque, o lago, o meu retiro?
O riso em vez do pranto dolorido.

Voltam de novo as noites luminosas
Passadas ao luar alegremente.
Agora as meigas faces cor de rosa...
— Eis-me feliz, tranquilo, independente!

Tudo parece haver se transformado!
Tudo que eu vejo é novo e deslumbrante..
Em cada flor cintila um diamante...
Há mais amor, mais vida pelo prado!

Adolfo Caminha




Adolfo Ferreira Caminha nasceu no dia 29 de maio de 1867, na cidade de Aracati, estado do Ceará. Após ter-lhe morrido a mãe, ficando órfão com mais cinco irmãos, foi para a companhia de parentes em Fortaleza. Seis anos depois, em 1883, mudou-se para a casa de seu tio no Rio de Janeiro que o matriculou na antiga Escola da Marinha. Em 1886, saiu a publicação em versos de Vôos Incertos. No mesmo ano, fez uma viagem de instrução aos Estados Unidos.

Em 1887, a 16 de Dezembro, promovido a 2º tenente, publicou Judite e Lágrimas de um Crente, livro de contos. Em 1888, regressa a Fortaleza e envolve-se em rumoroso escândalo, ao raptar a esposa de um alferes. O ministro da Marinha interfere, inutilmente, para pôr fim à situação. Em 1890, Adolfo Caminha, pressionado de todos os lados, se demite e com a mulher e duas filhas segue para o Rio de Janeiro, onde vive como funcionário publico. Em 1891, fundou, em Fortaleza, a Revista Moderna, e colaborou no jornal O Norte.

Em 1893, lançou o romance A Normalista, colaborou na Gazeta de Notícias e em O País. Em 1894, publicou No País dos Ianques, fruto de sua ida, oito anos antes, aos Estados Unidos. Um ano depois, o romance O Bom Crioulo, e Cartas Literárias. Em 1896, ano em que fundou a Nova Revista, publicou Tentação. Atormentado pelas dificuldades econômicas e debilitado pela tuberculose, morre precocemente no dia 1º de janeiro de 1897, na cidade do Rio de Janeiro. Deixou inacabados os romances: Ângelo e O Emigrado.

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Regresso.


REGRESSO

Andam no ar
Poemas negros
De cor amarga
Misturados à voz rouca
Dos camiões.
Desertas
Frias
Despidas
As cubatas esperam:
Mulheres e homens,
Nas cubatas,
Vozes
Riem
Escutam
Choram
Histórias iguais a muitas.
Nalgumas
O pranto
Inda é maior.

Costa Andrade


Francisco Fernando da Costa Andrade, também conhecido pelos pseudônimos de Angolano de Andrade, Nando Angola, Africano Paiva, Flávio Silvestre, Fernando Emilio, Ndunduma e Ndunduma wé Lépi, este último, nome de guerra adotado nos tempos da guerrilha no Leste de Angola, durante os idos anos 60 e 70, é natural do Lépi, localidade situada na atual província Huambo, onde nasceu em 1936. Fez os estudos primários e liceais na cidade do Huambo e Lubango. Por razões que se prendiam com a falta de universidades ou outras escolas superiores na Angola colonial, como acontecia na generalidade com os jovens da sua geração, Costa Andrade encontrava-se em Portugal, nas décadas de 40 e 50, com o objetivo de, em Lisboa, realizar estudos de Arquitetura. Com Carlos Ervedosa, foi editor da Coleção Autores Ultramarinos da Casa dos Estudantes do Império, que desempenhou um papel decisivo na divulgação das literaturas africanas de língua portuguesa, especialmente da literatura angolana.

PUBLICOU:

Terra de Acácias Rubras, (poesia, 1961) Tempo Angolano em Itália (poesia, 1963); Poesia com Armas (poesia, 1975); O regresso e o canto (poesia,1975); O caderno dos Heróis (poesia, 1977); No velho ninguém toca (texto dramático, 1979); Literatura Angolana ( Opiniões), (ensaio, 1980); No país de Bissalanka (poesia, 1980); Estórias de Contratados (conto, 1980); Cunene corre para sul (poesia, 1984); Ontem e Depois (poesia, 1985) Lenha Seca (versões em português do fabulário de língua Umbundu, 1986); Os sentidos da pedra ( poesia, 1989); Falo de Amor por Amar (poesia), Lwini (poesia) com o heterónimo Wayovoka André, Limos de Lume (poesia, 1989); Irritação (poesia, 1996); Luanda -Poema em Movimento Marítimo (poesia) 1997.

Fontes: www.nexus.ao
             betogomes.sites.uol.com.br

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Farol de Alexandria.


FAROL DE ALEXANDRIA

285 a CPtolomeu Filadelfo, rei do Egito, inventa o Farol. Mandou levantar uma alta torre, que servia para indicar aos navios as entradas dos portos de Alexandria. Chamou-se Farol, porque tal era o nome da ilha que tinha a sua base. Toda a torre era de mármore branco e seu construtor chamou-se Sostrato. O foco luminoso constava de uma fogueira alimentada com lenhas e que constantemente ardia.

Alexandria, o maior porto do Egito, no litoral do Mediterrâneo, foi fundada por Alexandre, o Grande no ano de 331 antes de Cristo. Logo se tornou importante porto e seu farol, feito de mármore branco, passou a ser uma das Sete Maravilhas do Mundo. Sob o reinado dos Ptolomeus, Alexandria foi capital do Egito, tornou-se famosa por sua cultura e suas atividades comerciais. O declínio da cidade motivou a transferência do governo para Constantinopla. Hoje, Cairo é a capital da República Árabe Unida, mas Alexandria ainda continua sendo uma das mais prósperas cidades egípcias.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, página 50. 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Chove!


CHOVE!

Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira


José Gomes Ferreira nasceu na cidade do Porto, no dia 09 de junho de 1900 e faleceu em Lisboa, no dia 08 de fevereiro de 1985, foi um escritor e poeta português, filho do empresário e benemérito Alexandre Ferreira e, pai do arquitecto Raul Hestnes Ferreira e do poeta Alexandre Vargas Ferreira. Formou-se em Direito em 1924, tendo sido cônsul na Noruega entre 1925 e 1929. Após o seu regresso a Portugal, enveredou pela carreira jornalística. Foi colaborador de vários jornais e revistas, tais como a Presença, a Seara Nova e Gazeta Musical e de Todas as Artes. Esteve ligado ao grupo do Novo Cancioneiro, sendo geral o reconhecimento das afinidades entre a sua obra e o neo-realismo. José Gomes Ferreira foi um representante do artista social e politicamente empenhado, nas suas reacções e revoltas face aos problemas e injustiças do mundo. Mas a sua poética acusa influências tão variadas quanto a do empenhamento neo-realista, o visionarismo surrealista ou o saudosismo, numa dialéctica constante entre a irrealidade e a realidade, entre as suas tendências individualistas e a necessidade de partilhar o sofrimento dos outros.

Da sua obra poética destacam-se, para além do volume de estreia, Lírios do Monte (1918), Poesia, Poesia II e Poesia III (1948, 1950 e 1961, respectivamente), recebendo este último o Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores. A sua obra poética foi reunida em 1977-1978, em Poeta Militante. O seu pendor jornalístico reflecte-se nos volumes de crónicas O Mundo dos Outros (1950) e O Irreal Quotidiano (1971). No campo da ficção escreveu O Mundo Desabitado (1960), Aventuras de João Sem Medo (1963), Imitação dos Dias (1966), Tempo Escandinavo (1969) e O Enigma da Árvore Enamorada (1980). O seu livro de reflexões e memórias A Memória das Palavras (1965) recebeu o Prémio da Casa da Imprensa. É ainda autor de ensaios sobre literatura, tendo organizado, com Carlos de Oliveira, a antologia Contos Tradicionais Portugueses (1958).

Em Junho de 2000, foi lançada no porto a colectânea Recomeço Límpido, que inclui versos e prosas de dezenas de autores em homenagem a José Gomes Ferreira

Fontes: http://www.astormentas.com e Wikipédia.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Máxima - 7.


“Talvez seja mais fácil ver cobra pedalando bicicleta, do que político íntegro, de conduta correta.”

R.S. Furtado.

domingo, 10 de outubro de 2010

Libelo.


LIBELO

Não mais trarei justificações
Aos olhos do mundo.
Serei incluído
” Pormenor Esboçado ”
Na grande bruma.
Não serei batizado,
Não serei crismado,
Não estarei doutorado,
Não serei domesticado
Pelos rebanhos
Da terra.
Morrerei inocente
Sem nunca ter
Descoberto
O que há de bem e mal
De falso ou certo
No que vi.

Roberto Piva


Roberto Piva foi um poeta polêmico brasileiro, nasceu na cidade de São Paulo no dia 25 de setembro de 1937 e faleceu também em São Paulo, no dia 03 de julho de 2010, onde sempre viveu. Foi figura marcante na paisagem poética paulistana, através da publicação de poemas em vários meios e da participação pessoal em inúmeros eventos. Sua produção é composta por recortes de jornais, livros, periódicos, fotografias, manuscritos e documentos diversos. Integrou a Antologia dos novíssimos (Massao Ohno, SP-1961) e 26 poetas hoje (org. Heloísa Buarque de Holanda, Labor, RJ-1976, 1.a edição / Aeroplano, RJ-1998, 2.a edição). Publicou os livros de poemas Paranóia (Massao Ohno, SP-1963 / Instituto Moreira Salles, SP-2000, 2a. edição), Piazzas (Massao Ohno, SP-1964, 1a. edição / Kairós, SP-1980, 2a. edição), Abra os olhos e diga ah! (Massao Ohno, SP-1975), Coxas (Feira de Poesia, SP-1979), 20 poemas com brócoli (Massao Ohno/Roswitha Kempf, SP-1981), Quizumba (Global, SP-1983), Antologia poética (L&PM, RS-1985) e Ciclones (Nankin, SP-1997). Todos esses livros foram reunidos em três volumes publicados pela Editora Globo: Um estrangeiro na legião, Mala na mão & asas pretas e o recém-lançado Estranhos Sinais de Saturno.

Fontes: http://www.overmundo.com.br e Wikipédia.

sábado, 9 de outubro de 2010

Girassol.


GIRASSOL

Girassol
Rasga a tua indecisão
E liberta-te.

Vem colar
O teu destino
Ao suspiro
Deste hirto jasmim
Que foge ao vento
Como
Pensamento perdido.

Aderido
Aos teus flancos
Singram navios.

Navios sem mares
Sem rumos
De velas rotas.

Amanheceu!

Orça o teu leme
E entra em mim
Antes que o Sol
Te desoriente
Girassol!

Corsino Fortes


Corsino António Fortes (São Vicente, 1933) é um escritor e político cabo-verdiano.

É licenciado em Direito, pela Universidade de Lisboa (1966). Integrou vários governos na república de Cabo Verde, país de que foi Embaixador em Portugal. Presidiu à Associação dos Escritores de Cabo Verde (2003/06). Autor de obras como Pão e Fonema (1974) ou Árvore e Tambor (1986), a sua obra expressa uma nova consciência da realidade cabo-verdiana e uma nova leitura da tradição cultural daquele arquipélago.

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Escola pitagórica.


ESCOLA PITAGÓRICA

300 a C. - Pitágoras de Samos é filósofo grego. Funda em Crotona a chamada “escola pitagórica”. Nela estabelece: 1.º) uma escala de valores simbólicos, a partir do Uno, princípio das coisas, até a Década, número perfeito. 2.º) Dez são, portanto, os corpos celestes – (a Terra, o Sol, os cinco planetas conhecidos, o céu das estrelas fixas, considerado como um corpo único. Por fim, o antiterra, corpo imaginado para alcançar o número simbólico), os quais estão dispostos ao redor do fogo central. E movem-se com uma divina harmonia de sons, que não ouvimos, devido a sua continuidade ininterrúpta, porque não estamos em condições de percebê-los, senão pelo contraste do silêncio. Pitágoras ainda formulou tábuas aritméticas, que possibilitaram a construção das máquinas de cálculo. Eis aqui dois exemplos:

1.º) S o m a r

0 –   1 –   2 –   3 –   4 –   5 –   6 –   7 –   8 –   9
1 –   2 –   3 –   4 –   5 –   6 –   7 –   8 –   9 – 10
2 –   3 –   4 –   5 –   6 –   7 –   8 –   9 – 10 – 11
3 –   4 –   5 –   6 –   7 –   8 –   9 – 10 – 11 – 12
4 –   5 –   6 –   7 –   8 –   9 – 10 – 11 – 12 – 13
5 –   6 –   7 –   8 –   9 – 10 – 11 – 12 – 13 – 14
6 –   7 –   8 –   9 – 10 – 11 – 12 – 13 – 14 – 15
7 –   8 –   9 – 10 – 11 – 12 – 13 – 14 – 15 – 16
8 –   9 – 10 – 11 – 12 – 13 – 14 – 15 – 16 – 17
9 – 10 – 11 – 12 – 13 – 14 – 15 – 16 – 17 – 18

Toma-se uma das parcelas da primeira linha horizontal e soma-se com outra da primeira linha vertical, (como no presente caso 5 + 4 = 9) e o resultado se verifica no cruzamento.

2.º) M u l t i p l i c a r

1 –   2 –   3 –   4 –   5 –   6 –   7 –    8 –   9
2 –   4 –   6 –   8 – 10 – 12 – 14 – 16 – 18
3 –   6 –   9 – 12 – 15 – 18 – 21 – 24 – 27
4 –   8 – 12 – 16 – 20 – 24 – 28 – 32 – 36
5 – 10 – 15 – 20 – 25 – 30 – 35 – 40 – 45
6 – 12 – 18 – 24 – 30 – 36 – 42 – 48 – 54
7 – 14 – 21 – 28 – 35 – 42 – 49 – 56 – 63
8 – 16 – 24 – 32 – 40 – 48 – 56 – 64 – 72
9 – 18 – 27 – 36 – 45 – 54 – 63 – 72 – 81

O processo é o mesmo do anterior. 6 X 6 = 36. E assim por diante.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 48/50.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nunca te amei tanto.


NUNCA TE AMEI TANTO

Nunca te amei tanto, ma soeur,
Como quando de ti parti naquele pôr-de-sol.
O bosque engoliu-me, o bosque azul, ma soeur,
Sobre que já pousavam as estrelas pálidas a oeste.

Não me ri nem um pouco, nada, ma soeur,
Eu que a brincar ia ao encontro dum destino escuro —
Enquanto os rostos já atrás de mim
Devagar empalideciam no anoitecer do bosque azul.
Tudo era belo naquele anoitecer único, ma soeur,
Nunca mais depois e nunca antes assim —
Verdade é: só me ficaram as grandes aves
Que ao anoitecer têm fome no céu escuro.

Bertold Brecht, in 'Do Pobre B.B.'


Eugen Berthold Friedrich Brecht (Augsburg, 10 de Fevereiro de 1898 — Berlim, 14 de Agosto de 1956) foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. Seus trabalhos artísticos e teóricos influenciaram profundamente o teatro contemporâneo, tornando-o mundialmente conhecido a partir das apresentações de sua companhia o Berliner Ensemble realizadas em Paris durante os anos 1954 e 1955.

Nascido no Estado Livre da Baviera, extremo sul da Alemanha, Brecht estudou medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante a Primeira Guerra Mundial. Filho de Berthold Brecht, que era diretor de uma fábrica de papel, católico, exigente e autoritário, e de Sophie Brezing (em solteira), protestante, que fez seu filho ser batizado nesta igreja.

Suas primeiras peças foram encenadas na vizinha Munique. Baal (1918/1926) e Tambores na Noite (Trommeln in der Nacht) (1918-1920). Em sua participação no teatro Brecht conhece o diretor de teatro e cinema Erich Engel com quem veio a trabalhar até o fim da sua vida.

Depois da primeira grande guerra mudou-se para Berlim, onde o influente crítico, Herbert Ilhering, chamou-lhe a atenção para a apetência do público pelo teatro moderno. Trabalha inicialmente com Erwin Piscator, famoso por suas cenas Piscator, como eram chamadas, cheias de projeções de filmes, cartazes, etc. Em Berlim, a peça Im Dickicht der Städte, protagonizada por Fritz Kortner e dirigida por Engel, tornou-se o seu primeiro sucesso.

O Nazismo afirmava-se como a força renovadora que iria reerguer o país, pretendendo reviver o Sacro Império Romano-Germânico. Mas, ao mesmo tempo, chegavam à Alemanha influências da recém formada União Soviética.

Com a eleição de Hitler, em 1933, Brecht exila-se primeiro na Áustria, depois Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Inglaterra, Rússia e finalmente nos Estados Unidos. Recebeu o Prêmio Lênin da Paz em 1954.

Seus textos e montagens o fizeram conhecido mundialmente. Brecht é um dos escritores fundamentais deste século: revolucionou a teoria e a prática da dramaturgia e da encenação, mudou completamente a função e o sentido social do teatro, usando-o como arma de conscientização e politização.

Teve três filhos com Helene Weigel: Stefan Brecht, Barbara Brecht-Schall e Hanne Hiob.

Fonte: Wikipédia.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Primavera.


PRIMAVERA

Derrama luz e sol, o céu parece,
Uma imensa turquesa incandescente.
E, o vento como fera que enfurece,
A folhagem açoita rudemente.

A terra estica exuberantemente,
O seio acolhedor e amplo oferece.
Em seu regaço, cada uma somente,
Que se abriga de gozo ela estremece.

Um sorriso vital demonstra tudo,
Provocante, sereníssimo, vagueia.
Um fecundo perfume pelo espaço.

Só eu – tristonho poeta – quedo e mudo,
Sinto apenas na vida que entoneia,
O túmulo a seguir-me passo a passo.

R.S. Furtado

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Caranguejola.


CARANGUEJOLA

Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!
Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira...
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.
Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
Para quê? Até se mos dessem não saberia brincar...
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito para festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!
Noite sempre pelo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho - que amor!
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -
Pelo menos era o sossego completo... História! Era a melhor das vidas...
Se me doem os pés e não sei andar direito,
Para que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde.
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...
De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo -
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...
Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará
Para que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. C'o a breca! levem-me p'rá enfermaria -
Isto é: p'ra um quarto particular que o meu pai pagará.
Justo. Um quarto de hospital - higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda...
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris, fica bem, tem certo estilo...
Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras.
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.

Mário de Sá Carneiro


Mário de Sá Carneiro nasceu em Lisboa a 19 de Maio de 1890 e foi um poeta contista e ficcionista português. Foi um dos rostos do modernismo em Portugal e conceituado membro da geração Orpheu.

Começou a escrever poesia com doze anos e aos quinze já traduzia autores como Victor Hugo, Goeth e Schiller.

Matricula-se na Faculdade de Direito em Coimbra onde conhece Fernando Pessoa, figura que viria a tornar-se o seu melhor amigo.

Uma vez que não fez nenhuma cadeira do curso de direito foi para Paris com o objectivo de continuar os estudos superiores na universidade da Sorbone. Cedo de dedicou a uma vida boêmia chegando até a passar fome levando a um total desespero, tendo se envolvida com uma prostituta.
Foi em Paris que compôs grande parte das suas obras poéticas e correspondência com o seu amigo Fernando Pessoa.

Já em Lisboa associando-se a Fernando Pessoa e Almada Negreiros constitui o primeiro grupo modernista português, sendo responsável pela edição da revista Orpheu.

Regressa a Paris onde se suicida em 1916. Apesar de curta a sua carreira literária foi muita rica tendo escrito obras como:

· A confissão de Lúcio (1913)
· Depressão (1914)
· Céu em fogo (1915)

Fonte: http://poetasportuguesesecxx.wikispaces.com/

domingo, 3 de outubro de 2010

O bebê e a mãe.


O BEBÊ E A MÃE

crescera dentro
da mãe
como todos os bebês

uma faca grande
talvez suja
como tantas vezes acontece
cortara
o cordão da vida
que o ligava
à mãe

uma manhã
aninhado
no calor das costas
da mãe
acordou de repente

a mãe corria

depois a mãe caiu
e ele com ela
a mãe ficou
quieta
muito quieta
e ele
chorou alto

sentiu então
que o uniam de novo
à mãe
com uma faca grande

talvez suja
como tantas vezes acontece

José Mena


José Mena Abrantes nasceu em Malanje, ano de 1945. É jornalista, diretor, ator e escritor (ficção, teatro e poesia). As atividades ligadas ao teatro começaram em 1967, como ator em o "Barbeiro de Sevilha", sob direção de Luís de Lima. Desde 1988, Mena Abrantes é diretor e encenador do grupo Elinga-Teatro, de Portugal. Em 1995, participou do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (Fitei), com a peça "O Pássaro e a Morte", em que assina a direção e o texto. Como jornalista, foi director-geral da Agência Angola Press, entre 1982 e 1984, e chefe do setor de Informação e Divulgação da Cinemateca Nacional, entre 1985 e 1987.

Obra poética:

Meninos, 1991, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Na Curva do Cão Morto, 1995, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Objetos Musicais, 1997, Luanda, Edições Chá De Caxinde.

Fonte: http://betogomes.sites.uol.com.br

sábado, 2 de outubro de 2010

A cura da gagueira.


A CURA DA GAGUEIRA

1957 – (09 de dezembro) Inokichi Sato, médico japonês, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Japão (Tóquio) inventou um aparelho que permite curar a gagueira, assim como remediar a insônia, tendo já curado mais de quatrocentos gagos. Segundo o Dr. Sato, a gagueira pode ser determinada tanto por deformações constitucionais como por causas puramente psicológicas. Como essas últimas são as mais numerosas, tratava-se, pois, segundo ele – de descobrir os meios de os gagos falarem sem que pudessem ouvir suas próprias palavras. Dessa forma o Dr Sato concebeu um receptor munido de fones, que neutraliza todos os sons, em seguida, ele registra num magnetofone a voz de seus pacientes. A cura desses é obtida quando, ao se ouvirem falar normalmente, readquirem a confiança em si próprios. Constatou, também, com suas experiências, que mais de 50 pessoas que sofriam de insônia, adormeceram sob a ação do seu aparelho.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 5, páginas 830/831.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Encruzilhamento de linhas.


ENCRUZILHAMENTO DE LINHAS

Núcleo de convergência no bojo da noite oval.
Lanterna Verde
(amêndoa fosforescente
dentro da casca carbonizada)

Longitudinal, centrífugo,
o trem racha em duas metades
a  espessura do escuro
e, cuspindo pela boca da chaminé
as estrelas inúteis à propulsão,
atira-se desenfreado
nos trilhos livres.

Mas se o maquinista fosse daltônico
a locomotiva teria parado.

Felipe d'Oliveira


Felipe Daudt d'Oliveira (Santa Maria, 23 de agosto de 1890 — Paris, 17 de fevereiro de 1933) foi um poeta e escritor brasileiro.

Filho do pernambucano Filipe Alves de Oliveira e de Maria Adelaide Daudt de Oliveira. Em 1908, formou-se farmacêutico, pela Faculdade Livre de Medicina e Farmácia, em Porto Alegre. Na época, colaborava para vários periódicos, entre os quais, o jornal Correio do Povo, Revista Fon-Fon, Gazeta de Notícias. Também já integrava o Grupo dos Sete, difusor do Simbolismo no Rio Grande do Sul.

Seu primeiro livro de poesia, Vida Extinta, foi publicado em 1911; o segundo, Lanterna Verde saiu apenas em 1926. Em 1930 integrou o grupo Tríade Indissolúvel, com seu tio paterno João Daudt de Oliveira e com João Neves da Fontoura, no trabalho para a vitória da Aliança Liberal.

Tem o seu poema Magnificat citado, em virtude do sentimento de continentalidade americana, na conferência Poesia Moderníssima do Brasil , pronunciada na Faculdade de Letras de Coimbra pelo professor da Cadeira de Estudos Brasileiros, Dr. Manuel de Sousa Pinto; e publicada no Jornal do Commercio, domingo, 11 de janeiro de 1931, página 3.

Em 1932, participou da Revolução Constitucionalista, em São Paulo, que lhe custou o exílio na França.

No Brasil foram publicada suas obras Alguns Poemas (1937) e a obra em prosa Livro Póstumo (1938). Sua obra poética foi influenciada, nos primeiros anos, pela estética simbolista e, a partir de 1926, passou a incorporar elementos das vanguardas modernistas.
Sofreu a influência da poesia de Baudelaire, Cesário Verde, Cruz e Sousa, Gabriele d'Annunzio, Maeterlink e Marcelo Gama.

Conviveu com Agripino Grieco, Álvaro Moreyra, Antonio Barreto, Carlos de Azevedo, Eduardo Guimaraens, Francisco Barreto, Guilherme de Almeida, Homero Prates, Paulo da Silveira, Ronald de Carvalho, Teixeira Soares, Villa-Lobos.

É patrono da cadeira 37 da Academia Rio-Grandense de Letras. Com seu nome foi batizada uma rua de Porto Alegre (no bairro Bom Fim) e outra no Rio de Janeiro (no bairro Copacabana).

Fonte: Wikipédia.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...