terça-feira, 31 de agosto de 2010

Aparências.


APARÊNCIAS

Amigos!
Apesar das aparências
estarem de acordo com as circunstâncias
não sou eu quem morre de medo.

Antes
Durante
E após os interrogatórios
(Inclusive nos quotidianos trajectos de jipe)
a minha língua é que se torna de papel almaço
E minhas desavergonhadas rótulas de borracha
Coitadas é que tremem.

Ao bom evangelho dos cassetetes
ouvir avoengos pássaros bantos
cantarem algures nos ombros
velhas melodias de feridas.

E depois
à sedutora persuasão das ameaças
pela décima segunda vez humildemente
pensar: Não sou luso-ultramarino
SOU MOÇAMBICANO!

Será suficiente esta confissão
Sr. Chefe dos cassetetes
da 2ª. Brigada?

José Craveirinha


José João Craveirinha nasceu em Lourenço Marques, no dia 28 de maio de 1922 e faleceu em Maputo–Moçambique, no dia 06 de fevereiro de 2003. É considerado o poeta maior de Moçambique.

Autodidata, desempenhou diversas actividades tais como funcionário da Imprensa Nacional de Lourenço Marques, jornalista, futebolista, tendo também colaborado em diversas publicações periódicas, nomeadamente O Brado Africano, Itinerário, Notícias, Mensagem, Notícias do Bloqueio e Caliban.

Foi preso pela PIDE, mantendo-se na prisão durante cinco anos. Posteriormente após a independência de Moçambique foi membro da Frelimo e presidiu à Associação Africana.

Recebeu o Prêmio Alexandre Dáskalos, o Prêmio Nacional, em Itália, o Prêmio Lótus, da Associação Afro-Asiática de Escritores e o Prêmio Camões, em 1991.

Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa.

Utilizou os seguintes pseudônimos: Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo e Abílio Cossa. Foi presidente da Associação Africana na década de 1950.

Obra: Xibugo, 1964; Cântico a um Dio de Catrane, 1966; Karingana Ua Karingana, 1974; Cela 1, 1980 e Maria, 1988

Fonte: Wikipédia.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Beta.


BETA

Ora que não se dá,
ora que não se deu.
Posto que não se é
aquilo que se perdeu.
Visto ser como fica:
figo, água, leite, aço,
perde se corporifica
as auras de seu espaço.
Mas se libera, excitada,
suas vergonhas de sede,
o gosto da vida embala,
range o balanço da rede.
E ao perfume do incenso,
a maresia salgada,
soma seus cheiros de argila
o ar da manhã molhada.

Reynaldo Jardim


Reynaldo Jardim nasceu em São Paulo no dia 13 de dezembro de 1926.

Entre outras atividades profissionais, participou, nos anos 50, da Reforma do Jornal do Brasil - onde criou e editou o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, o Caderno de Domingo e o Caderno B. Ainda no mesmo grupo, dirigiu a Radio Jornal do Brasil

O Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, o SDJB, passou de páginas de receitas de bolo ao mais importante suplemento literário de poesia concreta do Brasil, por onde passaram críticos e escritores de grande nome, como Oliveira Bastos, Mário Faustino, entre outros. Antes disso, fora redator das revistas O Cruzeiro e Manchete, exerceu cargos de chefia na Rádio Clube do Brasil, na Rádio Mauá, na Rádio Globo e na Rádio Nacional, todas no Rio de Janeiro, e na Rádio Excelsior de São Paulo.

Ao se demitir do JB, em 1964, Reynaldo Jardim continuou a exercer atividades de grande destaque na imprensa do Rio de Janeiro: foi diretor da revista Senhor e diretor de telejornalismo da recém-inaugurada TV Globo. Já em 1967, criou o jornal-escola O Sol, sem dúvida um marco na história da imprensa brasileira, com textos criativos e projeto gráfico inovador. Dirigiu o Correio da Manhã no período de 1967 a 1972. Trabalhou em diversas capitais brasileiras até chegar a Brasília, em 1988.
Realizou, também, reformas gráficas em jornais de diversas capitais do Brasil, como A Crítica (Manaus, Amazonas), O Liberal (Belém, Pará), Gazeta do Povo (Curitiba, Paraná), Jornal de Brasília (Brasí¬lia, DF) e Diário da Manhã (Goiânia, Goiás). Em Brasília, foi editor do caderno Aparte, do Correio Braziliense e diretor executivo da Fundação Cultural do Distrito Federal.

Tem dez livros de poesia publicados, entre eles Joana em Flor e Maria Bethânia, Guerreira, Guerrilha. Seu mais recente livro A Lagartixa Escorregante na Parede de Domingo. Como poeta compulsivo, Reynaldo Jardim manteve a única coluna diária de poesia em jornal, no Caderno B do Jornal do Brasil de 2004 a 2006, quando a coluna passou a semanal. Em 1968 havia tido a mesma experiência, de um poema por dia, no Jornal de Vanguarda, exibido pela TV Rio quando, ao vivo, comentava em versos o acontecimento mais importante do dia.

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br.

sábado, 28 de agosto de 2010

Dura realidade.


DURA REALIDADE

Ela sempre foi muito linda,
Desde o dia em que nasceu.
Dona de uma beleza infinda,
Dádiva que DEUS lhe deu.

Nasceu numa humilde casinha,
Num bairro pobre da periferia.
Os pais com o pouco que tinha,
Nunca lhe davam o que queria.

Sempre via, quando ia à cidade,
As mocinhas que por si passavam.
Bem vestidas, esnobando vaidade,
Indiferentes, nem sequer lhe notavam.

A inveja então, lhe subiu à cabeça,
E a revolta invadiu seu meigo coração.
Saiu de casa, e por incrível que pareça,
Na praia, foi rodar a bolsa no calçadão.

Sua vida então, de imediato mudou,
O resultado foi outro, não o que pensava.
Ao invés de melhorar, tudo piorou,
Sua vida aos poucos desmoronava.

Pra casa logo, resolveu voltar,
E aceitar a vida como realmente é.
Em luxo jamais, deveria pensar,
Pois é só pra quem pode, e não pra quem quer.

A experiência valeu, foi uma lição de vida,
Pois não é luxo ou riqueza que traz felicidade.
Ensinou-lhe que mais vale uma vida sofrida,
Que enfrentar o rigor da dura realidade.

R.S. Furtado.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Humildade.


HUMILDADE

Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.”

Cora Coralina


Cora Coralina nasceu em 20 de agosto de 1889, na casa que pertencia à sua família há cerca de um século, e que se tornaria o museu que hoje reconta sua história.

Filha do Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto e Jacita Luiza do Couto Brandão, Cora, ou Ana Lins dos Guimarães Peixoto (seu nome de batismo), cursou apenas as primeiras letras com mestra Silvina e já aos 14 anos escreveu seus primeiros contos e poemas. "Tragédia na Roça" foi seu primeiro conto publicado.

Em 1910 casou-se com o advogado Cantídio Tolentino Bretas e foi morar em Jabuticabal, interior de São Paulo, onde nasceram e foram criados seus seis filhos. Só voltou a viver em Goiás em 1956, mais de vinte anos depois de ficar viúva e já produzindo sua obra definitiva. O reencontro de Cora com a cidade e as histórias de sua formação alavancou seu espírito criativo.

Cora Coralina faleceu em Goiânia, a 10 de abril de 1985. Logo após sua morte, seus amigos e parentes uniram-se para criar a Casa de Coralina, que mantém um museu com objetos da escritora.

Fonte: http://www.velhosamigos.com.br

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Estátua.


ESTÁTUA

Cancei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor,—frio escalpello,—
O meu olhar quebrei, a debate-lo,
Como a onda na crista d'um rochedo.

Segredo d'essa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu labio oscular, n'um pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu osculo ardente, allucinado,
Esfriou sobre o marmore correcto
D'esse entreaberto labio gelado...

D'esse labio de mármore, discreto,
Severo como um tumulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.

Camilo Pessanha


Camilo Almeida Pessanha (Coimbra, 07 de setembro de 1867 — Macau, 1º de Março de 1926) foi um poeta português, expoente máximo do Simbolismo.

Tirou o curso de Direito em Coimbra. Em 1894, transferiu-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor de Filosofia Elementar no Liceu de Macau, deixando de leccionar por ter sido nomeado em 1900, conservador do registro predial em Macau e depois juiz de comarca. Entre 1894 e 1915 voltou a Portugal algumas vezes, para tratamento de saúde, tendo, numa delas sido apresentado a Fernando Pessoa que era como Mário de Sá-Carneiro, grande apreciador da sua poesia.

Publicou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920), foi publicado sem a sua participação (pois se encontrava em Macau) por Ana de Castro Osório, a partir de autógrafos e recortes de jornais. Graças a essa iniciativa, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições saíram em 1945, 1954 e 1969. Apesar da pequena dimensão da sua obra, é considerado um dos poetas mais importantes da língua portuguesa.

Camilo Pessanha morreu no 1º de Março de 1926 em Macau.

Fonte: Wikipédia
 

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lâmina de barbear.


LÂMINA DE BARBEAR

1887King C. Gillette (1855-1932), cidadão norte-americano, natural de Los Angeles, inventa a lâmina de barbear, em Nova Iorque. Gillette descendia de gente pobre. Não tinha recursos para se estabelecer em sua terra natal. Por isso economizou algum dinheiro e emigrou para Chicago, onde sabia a residência dum bom amigo. Procurou-o. Com a ajuda deste abriu um pequeno negócio. Não prosperou. Ao contrário, vai para trás, até que se vê falido. Põe-se daí a caminhar pelas ruas da grande cidade, torturado e triste pelo seu insucesso. Detém-se diante dum salão de barbeiro. Ali fica com os olhos fixos no oficial, que escanhoava a barba dum freguês. Uma idéia repentina e feliz lhe surge. Fabricar uma lâmina com que todo mundo pudesse barbear-se em sua casa. Uma lâmina que simplificasse tudo aquilo numa operação ligeira, proporcionando conforto e segurança ao paciente. Tinha 32 anos quando suas ideias se tornaram realidade em Nova Iorque, onde patenteou seu invento. Aí também faleceu aos 77 anos, no dia 09 de julho de 1932, com fama de “o rei das lâminas” de barbear.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume3, páginas 526/527.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Apelos.


APELOS

(a Paulo Dantas e Gilberto de Hazaña de Godoy)

Pelos varais premidos da favela,
retalhos multicores da penúria
tremulam apontando para a incúria
da farta sociedade paralela.

Poderes insensíveis à lamúria
amargam os efeitos da sequela:
fechando porta e sem abrir janela
são vítimas também da imensa fúria.

Esse contraste traz desequilíbrio
na luta desigual entre o ludíbrio
e a dura realidade da carência.

E nos varais as roupas tremulando
são mãos desidratadas apelando
na busca de conter a violência.

Carlos Severiano Cavalcanti


Carlos Severiano Cavalcanti (Fazenda Monte, Campina Grande, 31 de julho de 1936) é um poeta brasileiro.

Alfabetizado já na adolescência, viveu restrito à zona rural até os quinze anos, migrou para Pernambuco aos dezesseis, aprimorando seu aprendizado e ingressando no comércio de tecidos. Voltando à Paraíba, transferiu-se para Guarabira, onde tornou-se empresário do ramo têxtil.

Por sua atividade comercial e social naquela cidade, recebeu o título de Cidadão guarabirense, em 1967. Voltou a Pernambuco, onde reside atualmente. Retomando o estudo, formou-se Bacharel em Comunicação social, sendo, posteriormente, professor universitário de Comunicação Social na faculdade onde se graduara.

Livros Publicados:

Caminhos da vida. Recife: Bagaço, 1997.
Reflexos de Terra e Sol. Recife: CEPE, 2001.
Sertanidade. Recife: Facform, 2004.
Histórias sertanejas. Recife: Edições Edificantes, 2008.
A gênese do tempo. Recife: Facform, 2008.
Tresafio. Recife: Paulo Camelo, 2009.

Prêmios literários:

Prêmio De Lyra e César de poesia, 2001, oferecido pela Academia Pernambucana de Letras, para o livro "Caminhos da vida".

Menção honrosa no Prêmio Edmir Domingues de poesia, 2006, oferecido pela Academia Pernambucana de Letras, para o livro "Sertanidade".

Menção honrosa no Prêmio Edmir Domingues de poesia, 2007, oferecido pela Academia Pernambucana de Letras, para o livro inédito "A gênese do tempo".

Fonte: Wikipédia.

domingo, 22 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

Questão de pontuação.


QUESTÃO DE PONTUAÇÃO

Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);

viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):

o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.

João Cabral de Melo Neto


João Cabral de Melo Neto nasceu na cidade do Recife – PE, no dia 09 de janeiro de 1920 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro – RJ, no dia 09 de outubro de 1999.

Poeta e ensaísta. Irmão do diplomata e historiador Evaldo Cabral de Melo (1936), e primo do sociólogo Gilberto Freyre (1900 - 1987), autor de Casa Grande & Senzala, e dos poetas Manuel Bandeira (1886 - 1968) e Mauro Mota (1911 - 1984).

Até os 10 anos vive em engenhos de açúcar em São Lourenço da Mata e Moreno, na Zona da Mata pernambucana. De volta ao Recife, estuda no colégio dos irmãos maristas até 1935.

Aos 22 anos muda-se para o Rio de Janeiro e publica seu primeiro livro de poemas, Pedra do Sono. Inicia a carreira diplomática em 1945 - passa a maior parte da vida fora do Brasil, na Europa (Espanha, Inglaterra, Suíça, França, Portugal), na África (Senegal) e na América Latina (Paraguai, Equador, Honduras), e se aposenta em 1990.

Em 1947, servindo em Barcelona, adquire uma impressora manual e, pelo selo O Livro Inconsútil, edita obras de amigos brasileiros e espanhóis, assim como a sua Psicologia da Composição. Seu trabalho torna-se mais conhecido, quando, em 1965, o grupo de Teatro da Universidade Católica - Tuca encena em São Paulo Morte e Vida Severina, peça baseada em poema homônimo, musicado por Chico Buarque (1944).

É eleito para a Academia Brasileira de Letras - ABL em 1968 e é o primeiro brasileiro a receber o Prêmio Camões, em 1990, patrocinado conjuntamente pelos governos do Brasil e de Portugal. Dois anos depois, é agraciado com o Neustadt International Prize for Literature, da Universidade de Oklahoma, Estados Unidos.

Fonte: www.itaucultural.org.br

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Não vale a pena pisar.


NÃO VALE A PENA PISAR

O capim não foi plantado
nem tratado,
e cresceu. É força
tudo força
que vem da força da terra.
Mas o capim está a arder
e a força que vem da terra
com a pujança da queimada
parece desaparecer.
Mas não! Basta a primeira chuvada
para o capim reviver.

Manuel Rui

 

Manuel Rui [Huambo, Angola] licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra onde foi também membro fundador do Centro de Estudos Jurídicos. Poeta, ficcionista, ensaísta e cronista, entre as suas obras possui textos traduzidos para diversas línguas, entre elas, checo, servo-croata, romeno, russo, árabe e hebraico. Tem colaboração dispersa em diversos jornais e revistas lusófonos, entre os quais, o jornal O Público e o Jornal de Letras.

Foi Ministro da Comunicação Social do Governo de transição que antecedeu a independência de Angola, Director do Departamento de Orientação Revolucionária e do Departamento de Relações Exteriores do M.P.L.A. É autor da letra do primeiro Hino Nacional de Angola e de outros hinos como o “Hino da Alfabetização", “Hino da Agricultura” e versão angolana da “Internacional”. Também é autor de canções com parcerias como Rui Mingas, André Mingas, Paulo de Carvalho e Carlos do Carmo (Portugal) e Martinho da Vila (Brasil), entre outros. Da sua vastíssima obra destacam-se os dois últimos títulos: «O Manequim e o Piano» (2005) e «Estórias de Conversa» (2006).

Fonte: www.revista-atlantica.com

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Impressão Digital.



IMPRESSÃO DIGITAL

1882Juan Vucetich, cidadão argentino (naturalizado), investiga dedos de 50.000 pessoas. Verifica que em suas linhas o desenho varia de pessoa a pessoa. Não encontrando duas pessoas sequer com desenho semelhante, descobre o processo de se tirar a impressão digital. Juan Vucetich era então funcionário da polícia de La Plata. Há quem queira, no entanto, entregar a glória dessa descoberta ao inspetor Edward Henry, como tendo sido o primeiro a utilizar o método. Onze anos antes de Edward, entretanto, Juan Vucetich instalou em Buenos Aires um arquivo, onde classificava de acordo com um método por ele mesmo estabelecido, as impressões digitais dos criminosos ali identificados. Em 1882 Vucetich foi chamado para examinar as marcas papilares encontradas no local onde duas crianças haviam sido degoladas. O exame das impressões digitais apontou a própria mãe como a assassina, o que foi confirmado pela sua confissão. Foi esse o primeiro caso na criminologia da descoberta de um criminoso pelas marcas papilares dos dedos. Esse fato teve repercussão internacional. Depois da Argentina, foi o Brasil o primeiro país a adotar o sistema, numa iniciativa de Félix Pacheco, em 1903.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume3, páginas 308/310.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Coco Pagu.

Retrato de Pagu feito no final da década de 1920.

COCO DE PAGU

Pagu tem os olhos moles
uns olhos de fazer doer.
Bate-coco quando passa.
Coração pega a bater.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Passa e me puxa com os olhos
provocantissimamente.
Mexe-mexe bamboleia
pra mexer com toda a gente.

Eli Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Toda a gente fica olhando
o seu corpinho de vai-e-vem
umbilical e molengo
de não-sei-o-que-é-que-tem.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Quero porque te quero
Nas formas do bem-querer.
Querzinho de ficar junto
que é bom de fazer doer.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Raul Bopp


Raul Bopp nasceu no dia 04 de agosto de 1898, no estado do Rio grande do Sul, no distrito de Vila Pinhal, então pertencente ao município de Santa Maria (e atual Itaara), fundou dois semanários em Tupanciretã (cidade gaúcha para onde se mudou com a família nos primeiros meses de vida), nos quais expunha sua veia literária. Cursou Direito entre 1918 e 1925, em diversas faculdades do país, até formar-se (viajou, então, por todo o Brasil, tendo conhecido sobretudo a Amazônia, base para a construção de sua obra-prima, Cobra Norato).

Integrou o grupo paulista do modernismo, de cujas correntes verde-amarelas (Pau Brasil) e antropofágicas fez parte. Sempre conviveu em ambientes
literários, sendo amigo de autores consagrados como Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade.

Cobra Norato é considerado seu principal livro e obra mais importante do movimento antropofágico. A obra ostenta a grandeza do mundo em formação que é o Amazonas. Pela força de suas descrições, pelo lirismo que informa o poema, pelo seu aproveitamento das raízes populares, é um documento de valor definitivo do Modernismo brasileiro.

Raul Bopp faleceu no Rio de Janeiro no dia 02 de junho de 1984.

Foi Bopp quem deu o apelido de Pagu à escritora e jornalista Patrícia Rehder Galvão, figura importante na história cultural brasileira pelas participações em movimentos culturais e relações com artistas modernistas. Raul Bopp criou o apelido ao imaginar erroneamente que o nome verdadeiro de Pagu fosse Patrícia Goulart.

OBRAS:

Cobra Norato (1931)
Urucungo (1932)
Notas de Viagem (1960)
Nota de um Caderno sobre o Itamarati (1960)
Movimentos Modernistas no Brasil (1966)
Memórias de um Embaixador (1968)
Putirum (1969)
Coisas do Oriente (1971)
Poesia Completa (1998)

Fontes: Wikipédia e www.revista.agulha.nom.br

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Político é igual a feijão.

Meus queridos amigos, remexendo o baú encontrei um artigo que escrevi quando da minha estada em Recife, pois quando nas minhas horas de folga, escrevia algumas baboseiras para o jornal. Como estamos em época de campanha política, achei pertinente usá-lo na minha postagem de hoje, cujo qual, abaixo transcrevo na íntegra:

POLÍTICO É IGUAL A FEIJÃO

Será que existe a tão propagada democracia neste país? Se a resposta for negativa, tudo bem, mas se for positiva, aí cabe mais uma pergunta: “Por que, se existe a democracia, somos obrigados a aceitar tudo aquilo que nos é imposto? Segunda feira, 17-08-98, teve início a indigesta e malfadada propaganda eleitoral, quando na oportunidade os candidatos – na sua maioria – promovem uma verdadeira chuva de excrementos, como se os ouvidos do povo fossem latrinas. É sempre a mesma coisa, promessas e mais promessas, onde todos sem exceção vão melhorar a EDUCAÇÃO, SAÚDE, TRANSPORTE, SEGURANÇA, TRABALHO, HABITAÇÃO, etc., coisas que ao longo dos anos vêm se repetindo. Hoje temos candidatos para os mais variados tipos de gosto, bons, honestos, trabalhadores, solidários, caridosos e muito bem intencionados, verdadeiros anjinhos que aguardam somente a hora de dar o bote no poder, e o resto que se dane. O povo deve lembrar do Sr. Sérgio Naya, político exemplar, ernestíssimo, que provou quando de suas declarações em toda a imprensa brasileira, sobre falsificações de assinaturas, pagamentos e recebimentos de propinas e outros desmandos. O pior de tudo, é que, quando de sua cassação, surgiram mais ou menos 180 coleguinhas de profissão e de casa, igualmente “ernestos” como ele, e votaram contra, insistindo na permanência do corrupto no cenário político nacional.

Outubro vem chegando, e com ele o dia do eleitor exercer o seu ato de cidadania. Portanto, vou terminar, citando uma comparação muito sábia, de um pobre ancião, analfabeto de pai e mãe, que viveu e faleceu numa cidadezinha do interior do Rio Grande do Norte, e que num momento de tamanha felicidade declarou: “Político é igual a feijão quando se bota na água, o bom DESCE e o ruim SOBE”.

Conforme podemos observar, mudanças, não houve, salvo as personagens e as datas. No lugar do Sérgio Naya (Senhor?), muitos e muitos outros, conforme os órgãos de imprensa têm divulgado. Até a falta de vergonha na cara continua a mesma, ou quem sabe, com maior intensidade.

Com ralação ao custo da propaganda aos cofres públicos, vejam o que diz parte do artigo recebido através de Newsletter do Diário de Pernambuco, em sua edição do dia 14-08-2010, conforme transcrito abaixo:

A propaganda eleitoral, veiculada a partir da próxima terça-feira até 30 de setembro, será um marco em termos de gastos para os cofres públicos brasileiros. Neste ano, a previsão é que o palanque eletrônico em rede aberta de televisão e rádio, conhecido como "horário gratuito", custará cerca de R$ 851 milhões à União. Significa mais de quatro vezes a estimativa para as eleições gerais de 2006 (R$ 191 milhões).

A conta da democracia é paga pelo contribuinte por meio de renúncia fiscal dada às emissoras de comunicação, numa espécie de ressarcimento pela exibição obrigatória dos programas de candidatos a presidente, governador e deputados. Ao elaborarem o Imposto de Renda referente ao exercício de 2010, as empresas de comunicação excluirão do lucro líquido parte do preço do espaço que seria utilizado para a publicidade comercial.

Como vimos, amanhã, dia 17-08-2010, vamos ser beneficiados com o início do programa eleitoral nas emissoras de rádio e televisão do país. Portanto meus amigos, vamos limpar bem os ouvidos, para recebermos melhor os excrementos.

Que DEUS nos abençoe.

R.S. Furtado.

domingo, 15 de agosto de 2010

Virgem Auxiliadora.

VIRGEM AUXILIADORA

Minha Nossa Senhora Auxiliadora,
Mãe de misericórdia e de perdão,
Sê, por piedade, a minha protetora
nas amarguras deste mundo vão.

Em minha alma teus zelos entesoura...
Nunca olvides meu pobre coração...
E fulge, sempre, ó luz consoladora,
em meio às sombras que o envolvendo estão.

Ó milagrosa Virgem de D. Bosco,
ouve a súplica humilde, o verbo tosco,
de um frágil pecador, mísero réu...

Acompanha na vida o meu fadário...
E seja, à hora da morte, o teu rosário,
a escada augusta que me leve ao céu!

Mário de Lima


Mário Franzen de Lima (Ouro Preto, 10 de julho de 1886 — Belo Horizonte, 1936) foi um poeta, ensaísta, polemista, jurista e professor brasileiro, filho de Bernardino de Lima e Esther Franzen de Lima.

Estudou no Colégio Salesiano Dom Bosco, de Cachoeira do Campo, formando-se pela Faculdade de Direito de Minas Gerais, hoje UFMG, onde mais tarde lecionou Filosofia do Direito. Foi promotor de Justiça em Rio Novo, reitor do Ginásio Oficial de Barbacena, diretor do Arquivo Público Mineiro e da Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais.

Secretário da Presidência de Minas nos governos de Fernando de Melo Viana e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e delegado-geral do estado de Minas na Exposição Internacional do Centenário da Independência. Foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras, da qual foi presidente em 1921-1922 e do Instituto Histórico de Minas. Cavaleiro da Ordem da Coroa da Bélgica e titular da Goldene Ehrzeichen da República da Áustria, que lhe foi conferida pelo Presidente Michael Hainisch, em 09 de fevereiro de 1928.

Movido por um parnasianismo tardio, Mário de Lima passou ao largo do movimento modernista, apesar de suas ligações com Carlos Drummond de Andrade, que elogiou seu livro de estréia. Exceção ao formalismo parnasiano é o poema Pirâmide, curiosa antecipação concretista "avant la lettre". Sua maior influência provém de Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e, sem sombra de dúvida, de seu tio Antônio Augusto de Lima.

Audiências de Luz, poesia, 1917.
Medalhas e brasões, poesia e sínteses históricas, 1918.
O mito solar nos Evangelhos, ensaio de crítica histórica, 1914.
A escola leiga e a liberdade de consciência, estudo filosófico, 1914.
Elogio do Marquês da Sapucaí, estudo histórico, 1915.
Esboço da história literária de Minas, 1920.
Dante e a Divina Comédia, 1921.
Ouro Preto e a Escola de Minas, 1921.
Idéias e comentários', crônicas e estudos, 1921.
Coletânea de autores mineiros, 1922.
A Igreja, o poder civil e o direito de revolta, 1924.
Minas e a Guerra do Paraguai, 1926.
O bom combate, história da Ação Católica, 1929.
A hermenêutica tradicional e o Direito Científico, 1932. Reeditado em 1955 com o título Da interpretação Jurídica.

Fontes: Wikipédia e http://www.revista.agulha.nom.br

sábado, 14 de agosto de 2010

Nova vênus.


NOVA VÉNUS

Solta aos ventos as tranças douradas,
Meiga filha das bordas do mar,
E no meio das vagas iradas
Solta aos ventos o alegre cantar.

Não, não temas as nuvens sombrias.
Que uma a uma se elevam d'além,
Que rodeado d'amor e alegrias,
O teu céu dessas nuvens não tem.

Canta sempre; de noite às estrelas,
De manhã ao luzir do arrebol,
Ao passarem no mar as procelas,
Ao sorrir aos outeiros do sol.

Canta sempre, ó alcíone destas vagas,
Nova filha da espuma do mar,
Canta sempre, e eu sentado nas fragas,
Voltarei para ouvir-te cantar.

Júlio Dinis


Júlio Dinis, pseudônimo de Joquim Guilherme Gomes Coelho, nasceu na cidade do Porto em Portugal, no dia 14 de novembro de 1839. Romancista português de vida efêmera cuja obra caracterizou-se por um estilo direto e espontâneo, sugestivo e tão voltado para a naturalidade quanto para a própria natureza, abordando costumes e relações sociais nas aldeias portuguesas.

Formado pela escola de medicina e cirurgia do Porto (1861), preferiu dedicar-se à literatura e ao ensino universitário. Colaborou, com o pseudônimo, no jornal A Grinalda, quando publicou seu primeiro romance, "Justiça de Sua Majestade" (1958). No Jornal do Porto (1862-1864), apareceram os contos reunidos depois nos "Serões de província" (1870).

A mesma publicação divulgou em folhetins um dos livros de Dinis mais bem-sucedidos junto ao público, "As pupilas do senhor reitor" (1867). Atacado pela tuberculose, fez constantes viagens de tratamento, inclusive ao litoral e à ilha da Madeira. Destas viagens publicou, em um mesmo ano, "Painéis complementares da vida social no campo e na cidade", "A morgadinha dos canaviais" e "Uma família inglesa" (1868). Outra obra importante foi "Os fidalgos da casa mourisca" (1872).

Também escreveu poemas e dramas, de edição póstuma, após sua prematura morte no Porto, em 12 de setembro (1871), com apenas 32 anos. Romancista da vida familiar e como tal estimado, seus poemas e dramas, de edição póstuma, não desmereceram o talento e a autenticidade do escritor. Uma adaptação de "As pupilas do senhor reitor" ganhou atualidade ao ser levada ao ar por um canal da televisão

Fonte: netsaber.com.br

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A invenção do futebol


A INVENÇÃO DO FUTEBOL

1863 – Nasce o futebol moderno. Narram-nos velhas tradições que a primeira bola usada foi a cabeça dum soldado romano. Corre o ano de 55 antes de Cristo. As famosas legiões romanas conquistam a Grã-Bretanha. São capitaneadas por Júlio César. Os ingleses expulsam-nas. A cabeça dum dos soldados romanos, morto na batalha, é chutada num campo, entre a multidão. Daí em diante o povo gosta da brincadeira. Enche de ar bexigas de carneiro e chuta-as pela estrada. Surge então um esporte entre turbulentos e desordeiros. Um bando de cada lado, sem número certo. Disputam um torneio de vida e morte. Não se obedece a regra de espécie alguma, que até então era desconhecida. Os participantes desses jogos consideravam-se verdadeiros inimigos entre si. Portanto, em meio à disputa, havia muitas mortes. Somente em 1861 é que se apresenta com alguma característica do atual esporte perante o público. Torna-se apreciado pelas multidões. Mas mesmo assim corriam grande risco jogadores e torcida, em virtude da falta de regras e disciplina. Somente a 26 de outubro de 1863 é que se funda em Londres “The Foot-ball Association”. Essa iniciativa se deve a Artur Pember, advogado; C. Morley, Ed Maw, H. T. Steward, J. F. Alcoock e G. W. Shillingford, todos componentes de entidades desportivas. Esses homens suavizaram a prática do esporte. Procuraram educar jogadores e torcedores. Estabeleceram regras e leis, algumas das quais ainda prevalecem, como a largura de 8 jardas das metas, o tiro inicial do meio de campo para o lado contrário e a escolha do campo pelo capitão favorecido no sorteio.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume3, página 458.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Banzo.


BANZO

E por que deixou na areia do Congo
a aldeia de palmas;
e porque seus ídolos negros
não fazem mais feitiços;
e porque o homem branco o enganou com missangas
e atulhou o porão do navio negreiro
com seu desespero covarde;
e porque não vê mais de ânfora ao ombro
a imagem do conga nas águas do Kuango,
ele fica na porta da senzala
de mão no queixo e cachimbo na boca,
varado de angústia,
olhando o horizonte,
calado, dormente,
pensando,
sofrendo,
chorando.
morrendo.

Menotti Del Picchia

Terceiro ocupante da Cadeira 28, eleito em 1º de abril de 1943, na sucessão de Xavier Marques e recebido pelo Acadêmico Cassiano Ricardo em 20 de dezembro de 1943. Recebeu o Acadêmico Luís Viana Filho.

Paulo Menotti del Picchia,  poeta, jornalista, político, romancista, contista, cronista e ensaísta, nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988.

Foram seus pais Luiz del Picchia e Corina del Corso del Picchia. Fez os estudos ginasiais em Campinas, SP, e diplomou-se em Ciências e Letras em Pouso Alegre, MG. Cursou depois a Faculdade de Direito de São Paulo, publicando durante o curso seu primeiro livro de poesias, Poemas do vício e da virtude, em 1913. Foi agricultor e advogado em Itapira, onde dirigiu o jornal Cidade de Itapira e fundou o jornal político O Grito. Lá escreveu os poemas Moisés e Juca Mulato, ambos publicados em 1917, Passou a residir em São Paulo, onde foi redator em diversos jornais, entre os quais A Gazeta e o Correio Paulistano. Fundou o jornal A Noite e dirigiu, com Cassiano Ricardo, os mensários São Paulo e Brasil Novo. Colaborou assiduamente no Diário da Noite, onde por muitos anos manteve uma seção diária sob o pseudônimo de Hélios, seção que ele criara, em 1922, no Correio Paulistano, através da qual divulgou as notícias do Movimento Modernista.

Com Graça Aranha, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros, foi um dos arautos do Movimento, participando da Semana de Arte Moderna de 11 a 18 de fevereiro de 1922. Com Cassiano Ricardo, Plínio Salgado e outros, realizou o movimento Verdamarelo; depois, com Cassiano Ricardo e Mota Filho, chefiou o movimento cultural da Bandeira.

Além de jornalista militante exerceu inúmeros cargos públicos. Foi o primeiro diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado de São Paulo; deputado estadual em duas legislaturas, membro da Constituinte do Estado e deputado federal pelo Estado de São Paulo em três legislaturas. Presidiu a Associação dos Escritores Brasileiros, seção de São Paulo.

Embora tenha incursionado por vários gêneros literários, é a sua poesia que destaca o sentido nacionalista do Modernismo, do qual foi precursor o seu poema nacional Juca Mulato (1917). A sua origem estética, no entanto, ainda é o Romantismo, que é evidente em sua poesia pela grandiloqüência e floreios verbais. Em 1982, foi proclamado Príncipe dos Poetas Brasileiros, o quarto e último deste título que pertenceu anteriormente a Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Olegário Mariano. Em 1984, recebeu o Prêmio Moinho Santista Categoria Poesia.

Fonte: Academia Brasileira de Letras e Wikipédia.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Máxima - 02.



“Sentirdes ódio é cometerdes um suicídio lento, convidando ao mesmo tempo, a pessoa odiada para o vosso sepultamento.”

R.S. Furtado

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Araras versáteis.


ARARAS VERSÁTEIS

Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii...
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.

Hilda Hilst



Hilda de Almeida Prado Hilst nasceu em Jaú, São Paulo, aos 21 de Abril de 1930. Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), formando-se em 1952. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas (SP), onde ainda reside. Ali dedica todo seu tempo à criação literária.

Poeta, dramaturga e ficcionista, Hilda Hilst escreve há quase cinqüenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do país. Participa, desde 1982, do Programa do Artista Residente, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.

Seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, Instituto de Estudos de linguagem, IEL, UNICAMP, em 1995, estando aberto a pesquisadores do mundo inteiro.

Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão. Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Ed. Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Em 1999, sob coordenação do escritor Yuri Vieira dos Santos, é lançado seu primeiro site na Internet.

Hilda Hilst faleceu em Campinas-SP, no dia 4 de Fevereiro de 2004.

Poesia:

•Presságio - SP: Revista dos Tribunais, 1950.
•Balada de Alzira - SP: Edições Alarico, 1951.
•Balada do festival - RJ: Jornal de Letras, 1955.
•Roteiro do Silêncio - SP: Anhambi, 1959.
•Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959. SP: Massao Ohno, 161.
•Ode Fragmentária - SP: Anhambi, 1961.
•Sete cantos do poeta para o anjo - SP: Massao Ohno, 1962. (Prêmio PEN Clube de São Pulo)
•Poesia (1959/1967) - SP: Editora Sal, 1967.
•Júbilo, memória, noviciado da paixão - SP: Massao Ohno, 1974.
•Poesia (1959/1979) - SP: Quíron/INL, 1980.
•Da Morte. Odes mínimas - SP: Massao Ohno, Roswitha Kempf, 1980.
•Da Morte. Odes mínimas - SP: Nankin/Montréal: Noroît, 1998. (Edição bilíngüe, francês-português.)
•Cantares de perda e predileção - SP: Massao Ohno/Lídia Pires e Albuquerque Editores, 1980. ( Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro. Prêmio Cassiano Ricardo/Clube de Poesia de São Paulo.)
•Poemas malditos, gozosos e devotos - SP: Massao Ohno/Ismael Guarnelli Editores, 1984.
•Sobre a tua grande face - SP: Massao Ohno, 1986.
•Alcoólicas - SP: Maison de vins, 1990.
•Amavisse - SP: Massao Ohno, 1989.
•Bufólicas - SP: Massao Ohno, 1992.
•Do Desejo - Campinas, Pontes, 1992.
•Cantares do Sem Nome e de Partidas - SP: Massao Ohno, 1995.
•Do Amor - SP: Massao Ohno, 1999.

Quer saber mais, leia em: http://www.angelfire.com/

domingo, 8 de agosto de 2010

Lá no água grande.


LÁ NO ÁGUA GRANDE

Lá no "Água Grande" a caminho da roça
negritas batem que batem co'a roupa na pedra.
Batem e cantam modinhas da terra.

Cantam e riem em riso de mofa
histórias contadas, arrastadas pelo vento.

Riem alto de rijo, com a roupa na pedra
e põem de branco a roupa lavada.

As crianças brincam e a água canta.
Brincam na água felizes...
Velam no capim um negrito pequenino.

E os gemidos cantados das negritas lá do rio
ficam mudos lá na hora do regresso...
Jazem quedos no regresso para a roça.

Alda Espírito Santo



Alda Espírito Santo, também conhecida por Alda Graça, nasceu em São Tomé em 1926 e teve a sua educação em Portugal. Ainda freqüentou a Universidade, mas teve que abandonar, em parte devido às suas atividades políticas, mas também por motivos econômicos. Sendo uma das mais conhecidas poetizas africanas de língua portuguesa, ocupou alguns cargos de relevo nos governos de São Tome e Príncipe, nomeadamente foi Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura e Deputada. Os seus poemas aparecem nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Depois de publicar "O Jogral das Ilhas, em 1976, publicou em 1978 "É nosso o solo sagrada da terra", o qual é até ao momento o seu trabalho mais importante.

Fonte: http://betogomes.sites.uol.com.br/

sábado, 7 de agosto de 2010

Cruz Vermelha.


FUNDAÇÃO DA CRUZ VERMELHA

1864Henri Dunant funda em Genebra, na Suíça, a Cruz Vermelha. Nasceu em Genebra em 08 de maio de 1828. Em 1859 Henri Dunant viajava pela Itália e seguia as peripécias da guerra. Em várias ocasiões ficou dolorosamente impressionado pela insuficiência de socorro aos feridos. Estes gritavam de dor, choravam no abandono, até que a morte os fizesse calar para sempre. Propôs-se a fazer quanto pudesse para remediá-la. Procurou e encontrou o auxílio de algumas mulheres generosas e de vários estrangeiros. A 24 de junho, em Solferino, onde durante 15 horas lutaram frente a frente 300.000 homens, Dunant e seus auxiliares percorreram o campo de batalha recolhendo e assistindo os feridos. Quantos daqueles infelizes teriam morrido sem o auxílio de Dunant e seus amigos. Ao voltar à Suíça Dunant ocupou-se sem descanso em dar a sua obra uma forma definitiva e fazer com que o principio fosse aceito por todas as nações. Em 1864 os representantes de 16 potências reunidas em Genebra, decidiram sob proposta de Dunant, a neutralidade das ambulâncias e a criação das sociedades de socorros aos feridos. Estes, fosse qual fosse a sua nacionalidade, deviam ser recolhidos e tratados. E elegeu-se como signo o distintivo único, para todos os exércitos do mundo, a Cruz Vermelha, sobre fundo branco, para servir de proteção e abrigo contra toda agressão ao pessoal e material sanitários. Tais foram as decisões desde então aplicadas e respeitadas por todos os povos realmente civilizados. Henri Dunant foi o iniciador, o verdadeiro criador dessa grande obra. Para completá-la, porém, surgiu nesse mesmo ano, em Londres, uma mulher bastante corajosa e de coração humanitário. Trata-se de Florence Nghtingale, nascida em Florença (Itália), que passou a sua infância e adolescência na Inglaterra. Aí organizou a Cruz Vermelha e criou as bases da Enfermagem Moderna. E foi também sob sua influência e do seu grupo de enfermeiras, que se criou, então, em Genebra, o “Comitê Internacional da Cruz Vermelha”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume3, páginas 462/466.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Rosa.


ROSA

Rosa do meu Jardim, que ardes na minha Jarra,
filha do meu afã, mártir do meu amor!
Minha grande paixão egoísta te desgarra
as pétalas, te aspira o segredo interior.

Pois que estamos a sós — eu volúvel cigarra,
tu, borboleta rubra estacionada em flor —
deveras ter comigo uma folha de parra,
a fim de preservar-te a beleza e o pudor...

Pois que! tão nua assim, tão fresca e tão punícea,
rosa da Tentação, rosa da Impudicícia,
és o próprio Pecado: e há virtude em pecar...

— Pecar morrendo em ti, sangrando em teus espinhos,
remindo num Desejo os desejos mesquinhos,
gozando pelo Olfato e amando pelo Olhar...

Hermes Fontes


Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes nasceu em Sergipe, em 28 de agosto de 1888 e faleceu no Rio de Janeiro em 25 de dezembro de 1930.

Filho de Francisco Martins Fontes e de Maria José de Araújo Fontes veio para o Rio de Janeiro em 1898 e aqui bacharelou-se em Direito, em 1911, pela então Faculdade de Direito do Rio de Janeiro e, aqui também, foi funcionário dos Correios e Oficial de Gabinete do Ministro da Viação.

Em Aracajú é nome de uma Avenida e de uma Praça Pública e só não é também nome de algum dos logradouros de Paquetá por já dar nome à uma das ruas do bairro de São Cristóvão, na cidade do R. J.

Aqui também, com Júlio Surkhow e Armando Mota, em 1904, fundou o jornal "Estréia" e colaborou também em vários periódicos como os jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias e as revistas Careta, Fon-Fon, Tribuna, Tagarela e Atlântida, entre outras...

Em 1913 publicou o seu primeiro livro de poesias, "Gênese", seguindo-se Ciclo da Perfeição (1914), Miragem do Deserto (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922) e A Fonte da Mata (1930).

Nesse mesmo ano, suicidou-se no Rio de Janeiro.

Dentre as suas principais poesias destacam-se Mãe, A Cigarra, A Guerra, Anoitecer na Praia, Jogos de Sombras, Luar de Paquetá, Messianeida, Moema, e Rosa.

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/3511/1/Hermes-Fontes/pagina1.html#ixzz0vmIdMLgF
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