sábado, 31 de julho de 2010

Viola quebrada.


VIOLA QUEBRADA

Da viola pra muié
É pequena a deferença.
Ancê óia, escuta e pensa.
Eu juro, esta fala é franca:
A viola tem cabelo
Nas dez corda qui ela tem.
Tale quale uma muié,
Ela tem braço também
E tem cintura e tem anca.
A viola faz chorá
E chora a hora qui qué.
Tale quale uma muié,
Derrete toda na mão
Da pessôa qui qué bem.
Só inziste duas cousa
Qui ela tem e muié não:
É qui a viola de pinho
Tem alma e tem coração…

Camillo de Jesus Lima



Camillo de Jesus Lima nasceu no dia 08 de setembro de 1912, em Caetité, na Bahia e faleceu no dia 28 de fevereiro de 1975 em Itapetinga, também na Bahia, foi um poeta brasileiro.

Filho de Francisco Fagundes de Lima e D. Esther Fagundes da Silva trazia no sangue a estirpe de várias famílias tradicionais da cidade: Fagundes, Lima, Cotrim e Prisco. Mas seu sobrenome não seria Lima, e sim Fagundes, como consta do registro de nascimento.

Em 1915 seria Caetité elevado a sede de bispado. A cidade contava com uma educação que só tinha paralelo na capital Salvador: o Colégio Americano, protestante, e o Jesuíta São Luis Gonzaga, rivalizavam na formação de uma elite intelectual. O nome da cidade era proferido com orgulho, o Jornal A Penna circulava, mantendo acesa a vida cultural, enquanto fervilhava a vida política. Resumidamente, foi neste fervilhante cadinho cultural que nasceu o poeta.

Como ocorria a todos os estudantes daqueles tempos, Camillo simpatiza com as idéias comunistas. Qual seu tio-avô Plínio de Lima, que abraçara a causa da igualdade entre os homens com o abolicionismo, Camillo defende uma sociedade mais justa, e irá pagar alto preço por isto.

Tornando-se tabelião ("oficial de registro de imóveis e hipotecas"), mora em Vitória da Conquista, Macarani e Itapetinga. Talentoso, desdobra-se em jornalista, escritor, professor, deixando extensa obra literária, do romance ao conto, mas é na poesia que se consagra, já em 1942, com o livro Poemas, recebedor do Prêmio Raul de Leoni da Academia Carioca de Letras (edição de "O Combate", que publicou quatro de seus livros).

Também publicou: As Trevas da Noite Estão Passando ("O Combate", em colaboração com Laudionor Brasil, poemas, 1941); Viola Quebrada ("O Combate", poesia, 1945); Novos Poemas ("O Combate", id., ib.); Cantigas da Tarde Nevoenta ("Edição de Artes Gráficas - Salvador", poesia); Memórias do Professor Mamede Campos (romance); A Mão Nevada e Fria da Saudade ("Edições MAR", poesia), A Bruxa do Fogão Encerado (contos); Vícios (contos); Bonecos (Perfis); O Livro de Miriam (Poesia, 1973, impresso na gráfica de "O Jornal de Conquista" para "edições MAR"); Cancioneiro do Vira-mundo (Poesia), e outros tantos escritos, publicados em todo o país, muitos ainda inéditos.

Mesmo longe dos centros culturais do país, Camillo fervilha com a pena na mão. Sua poesia plena de lirismo cativa, e tem em Vitória da Conquista, num tempo onde surgem Glauber Rocha, Elomar e outros, um meio artístico incomum, que, por produzir pensamentos, provocou reação junto àqueles para quem o pensar e a palavra eram armas perigosas, a ser combatidas…

Fonte: Wikipédia.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Máxima - 01.


“Não vos preocupeis com as perguntas inocentes que estas crianças vos formularão, mas sim, com as respostas que derdes.”

R.S. Furtado

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Se porém fosse portanto.


SE PORÉM FOSSE PORTANTO

Se trezentos fosse trinta
o fracasso era um portento
se bobeira fosse finta
e o pecado sacramento
se cuíca fosse banjo
água fresca era absinto
se centauro fosse anjo
e atalho labirinto
Se pernil fosse presunto
armadilha era ornamento
se rochedo fosse vento
cabra vivo era defunto
se porém fosse portanto
vinho branco era tinto
se marreco fosse pinto
alegria era quebranto
se projeto fosse planta
simpatia era instrumento
se almoço fosse janta
e descuido fosse tento
se punhado fosse penca
se duzentos fosse vinte
se tulipa fosse avenca
e assistente fosse ouvinte
se pudim fosse polenta
se São Bento fosse santo
dona Benta fosse benta
e o capeta sacrossanto
se a dezena fosse um cento
se cutia fosse anta
se São Bento fosse bento
e dona Benta fosse santa.

Cacaso


Antônio Carlos de Brito, conhecido como Cacaso, (Uberaba, 13 de março de 1944 — Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1987) foi um professor universitário, letrista e poeta brasileiro.

Depois de viver no interior de São Paulo, mudou-se aos onze anos para o Rio de Janeiro, onde estudou Filosofia e, nas décadas de 1960 e 1970, lecionou Teoria da Literatura e Literatura Brasileira na PUC-RJ. Foi colaborador regular de revistas e jornais, como Opinião e Movimento, tendo, entre outros assuntos, defendido e teorizado acerca do cenário poético de seus contemporâneos, a geração mimeógrafo, criadores da dita poesia marginal, que ganhou publicidade com a antologia 26 poetas hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda, com quem Cacaso, em janeiro de 1974, escreveu o artigo "Nosso verso de pé quebrado", no qual fazem uma síntese das poéticas de então. Seus artigos estão reunidos em "Não quero prosa", publicado em 1997.

Com grande talento para o desenho, já aos 12 anos ganhou página inteira de jornal por causa de suas caricaturas de políticos. Antes dos 20 anos veio a poesia, através de letras de sambas que colocava em músicas de amigos como Elton Medeiros e Maurício Tapajós.

Como poeta estreou em 1967, com o livro "A palavra cerzida", que foi recebido com entusiasmo por José Guilherme Merquior, por representar junto de Francisco Alvim a primeira geração "pós-vanguarda". Em 1974, lança "Grupo Escolar", pela coleção Frenesi, composta também dos livros "Passatempo", de Chico Alvim, "Corações veteranos", de Roberto Schwarz, "Em busca do sete-estrelo", de Geraldo Carneiro, e "Motor", de João Carlos Pádua. Cacaso une-se então a outros poetas, como Eudoro Augusto, Carlos Saldanha e Chacal, formando a coleção Vida de Artista, pela qual lançou "Segunda classe" (em parceria com Luiz Olavo Fontes) e "Beijo na boca", ambos em 1975. Depois vieram "Na corda bamba" (1978), "Mar de mineiro" (1982) e "Beijo na boca" e outros poemas (1985), que reunia uma antologia poética da obra do autor. Seus livros não só o revelaram uma das mais combativas e criativas vozes daqueles anos de ditadura e desbunde, como ajudaram a dar visibilidade e respeitabilidade ao fenômeno da "poesia marginal", em que militavam, direta ou indiretamente, amigos como Francisco Alvim, Helena Buarque de Hollanda, Ana Cristina Cezar, Charles, Chacal, Geraldinho Carneiro, Zuca Sardhan e outros.

No campo da música, os amigos/parceiros se multiplicavam na mesma proporção: Edu Lobo, Djavan, Tom Jobim, Toquinho, Olívia Bvington, Sueli Costa, Cláudio Nucci, Novelli, Nelson Ângelo, Joyce, Toninho Horta, Francis Hime, Sivuca, João Donato, Eduardo Gudin e muitos mais.

Fonte: "http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Carlos_de_Brito”

terça-feira, 27 de julho de 2010

Do que chora a criança.

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DO QUE CHORA A CRIANÇA

Do que chora a criança?
É dor no seu corpo
Do que chora a criança?
É sangue que cansou de ver

Um pássaro grande chegou
Com ovos de fogo
O pássaro grande veio
Com os ovos da morte

Caçadores desconhecidos
Enganados metralharam a tabanca
Caçadores, pretos como nós
Enganados metralharam a bolanha

Queimou-se o mato
Queimaram-se as casas
Perdurou a dor na nossa alma

Carlos Schwarz


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José Carlos Schwarz (Bissau, 6 de Dezembro, 1949 – Havana, 27 de Maio, 1977) foi um poeta e músico da Guiné-Bissau. Ele é amplamente reconhecido como um dos mais importantes e notáveis músicos da Guiné-Bissau.

Ele escreveu em português e francês, porém cantava em crioulo. Em 1970 ele formou o "Cobiana Djazz", banda formada por um grupo de amigos. Após a independência da Guiné-Bissau, Schwarz tornou-se o diretor do Departamento de Artes e Cultura, e também o responsável pela política de infância guineense. Em 1977 iniciou sua carreira na Embaixada da Guiné-Bissau em Cuba. No dia 27 de Maio do mesmo ano, Schwarz morreu em acidente de avião próximo a Havana.


Fonte: Wikipédia.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O homem e a mulher.

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 http://www.mensagensvirtuais.xpg.com.br/celebridades/Victor_Hugo.bmp
 Vitor Hugo
“O HOMEM E A MULHER”

1827Vitor Hugo estabelece a comparação, mediante o seu gênio criador, entre as duas principais criaturas que habitam o planeta Terra. Eis sua maravilhosa página, intitulada “O Homem e a Mulher”.

“O homem é a mais elevada das criaturas; a mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher um altar. O trono exalta e o altar santifica.

O homem é o cérebro; a mulher o coração. O cérebro produz a luz; o coração produz o amor. A luz fecunda, o amor ressuscita.

O homem é o gênio; a mulher é o anjo. O gênio é imensurável, o anjo é indefinível.

A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude extrema. A glória promove a grandeza; a virtude, a divindade.

O homem tem a supremacia; a mulher a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.

O homem é forte pela razão; a mulher é invencível pelas lágrimas. A razão convence; as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher de todos os martírios. O heroísmo nobilita; o martírio purifica.

O homem é código; a mulher um evangelho. O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.

O homem é um templo; a mulher é um sacrário. Diante do templo se descobre; diante do sacrário se ajoelha.

O homem pensa; a mulher sonha. Pensar é ter uma larva no cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é o oceano; a mulher é o lago. O oceano tem a pérola que o adorna; o lago a poesia que vislumbra.

O homem é a águia que voa; a mulher é o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma.

O homem tem um fanal: – a consciência; a mulher, uma estrela: – a esperança. O fanal guia; a esperança salva.

Enfim, o homem está colocado onde termina a Terra; a mulher onde começa o Céu”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume2, páginas 349/354.

domingo, 25 de julho de 2010

Soneto oco.

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SONETO OCO

Neste papel levanta-se um soneto,
de lembranças antigas sustentado,
pássaro de museu, bicho empalhado,
madeira apodrecida de coreto.

De tempo e tempo e tempo alimentado,
sendo em fraco metal, agora é preto.
E talvez seja apenas um soneto
de si mesmo nascido e organizado.

Mas ninguém o verá? Ninguém. Nem eu,
pois não sei como foi arquitetado
e nem me lembro quando apareceu.

Lembranças são lembranças, mesmo pobres,
olha pois este jogo de exilado
e vê se entre as lembranças te descobres.

Carlos Pena Filho

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Carlos Souto Pena Filho nasceu no dia 17 de maio de 1929 na cidade do Recife, onde fez sua vida de poeta. Em 1952 publicou seu primeiro livro de poesias, “O tempo da busca”. Em 1955, “Memórias do boi Serapião”, ilustrado por Aloísio Magalhães. “A vertigem lúcida” foi publicado em 1958, e, no ano seguinte, sua obra foi reunida no “Livro Geral”. Organizada por seu biografo Edilberto Coutinho, em 1983 foi publicada a antologia “Os melhores poemas de Carlos Pena Filho”.

Em parceria com Capiba, renomado músico pernambucano, foi autor de letras de músicas de sucesso, entre as quais destacamos “A mesma rosa amarela”, incorporada ao movimento da Bossa Nova na voz de Maysa.

Carlos Pena Filho morreu precoce e tragicamente no dia 1º de julho de 1960, vítima de um acidente automobilístico. Foi da redação do “Jornal do Commércio” — onde trabalhava — que pegou carona no carro de um amigo que se chocaria com um ônibus. No jornal assinou duas colunas: “Literatura” e “Rosa dos Ventos”. Cinco dias antes da sua morte, 26/6/60, foi publicado no “JC” seu último poema, que acima reproduzimos.


Fonte: Wikipédia.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Amarga missão.

http://fotos.sapo.pt/ZGaG01SEtQA28OabyzUT/

AMARGA MISSÃO

Já não mais sei quem sou,
Nem tampouco quem eu era
Se fui feliz ou não, já passou,
Vivo a vida numa eterna espera.
Dos dias que a mim decretou,
O destino a uma lida severa.

Já não mais tenho esperanças,
De algo de bom nesta vida.
Perambulo em minhas andanças,
Buscando um pouco de guarida.
Sem nada deixar de lembranças,
Até a hora da minha partida.

Sou um ser que não vive, vegeta,
E quem sabe, talvez sem coração.
Que veio ao mundo só cumprir a meta,
De penar em constante solidão.
E a uma vida de sofrimentos era certa,
Pois essa era a sua amarga missão.

R.S. Furtado.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Distância.

http://www.fotosdachapada.com/foto/gd/VarzeaNova_ws_P_179.jpg


DISTÂNCIA

Há uma várzea no meu sonho,
Mas não sei onde será...
Em vão, cismando, transponho
Coxilhas enluaradas,
Cristas serrilhadas,
Solidões do Caverá.

Leito do trevo e flechilha,
Várzea azul, da luz da lua,
Verde várzea - onde será?
No ar da tarde flutua
Fino aroma de espinilho
E de flor de maricá.

Era além do azul da serra,
Era sempre noutra terra,
Era do lado de lá...
Em vão, cismando, transponho
Poentes e madrugadas,
Intermináveis estradas
Perdidas ao deus-dará.

Há uma várzea no meu sonho,
Mas não sei onde será.

Augusto Meyer


http://www.mensagensvirtuais.xpg.com.br/celebridades/augusto_meyer.gif

Augusto Meyer, poeta e ensaísta, nasceu em Porto Alegre, RS, em 24 de janeiro de 1902 e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 10 de julho de 1970.

Sexto ocupante da Cadeira 13, eleito em 12 de maio de 1960, na sucessão de Hélio Lobo e recebido pelo Acadêmico Alceu Amoroso Lima em 19 de abril de 1961.

Era filho de Augusto Ricardo Meyer e de Rosa Meyer, imigrantes alemães. Fez os estudos na cidade natal, mas deixou os cursos regulares para estudar línguas e literatura, dedicando-se a escrever. Colaborou com poemas e ensaios críticos em diversos jornais do Rio Grande do Sul, especialmente Diário de Notícias e Correio do Povo. Estreou na literatura em 1920, com o livro de poesias intitulado A ilusão querida, e foi com os livros Coração verde, Giraluz e Poemas de Bilu que conquistou renome nacional. Esses livros e outras obras posteriores foram depois reunidos em Poesias (1957). Pseudônimo: Guido Leal.

Em 1926 fundou com Teodomiro Tostes, Azevedo Cavalcante, João Santana e Miranda Neto a revista Madrugada. Foi diretor da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul, de 1930 a 1936. Transferiu-se para o Rio e com o grupo de intelectuais gaúchos trazido por Getúlio Vargas organizou o Instituto Nacional do Livro, em 1937, tendo sido seu diretor por cerca de trinta anos. Detentor do Prêmio Filipe de Oliveira (memórias) em 1947 e do Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 1950, pelo conjunto da obra literária. Dirigiu a cadeira de Estudos Brasileiros na Universidade de Hamburgo, Alemanha, e foi adido cultural do Brasil na Espanha.

Augusto Meyer é parte do modernismo gaúcho, introduzindo uma feição regionalista na poesia. Há também em seus versos uma linha lírica, quando evoca a infância, num misto de memória e autobiografia. Completa com Raul Bopp e Mário Quintana a trindade modernista do Rio Grande do Sul.

Como ensaísta, deixou estudo sobre Machado de Assis, um dos trabalhos exegéticos mais importantes sobre o escritor maior das letras brasileiras, que tanto admirava. Sua obra de crítico abrange uma vasta gama de interpretações, de autores nacionais e estrangeiros, que divulgou no Brasil.

A literatura e o folclore do Rio Grande do Sul também foram estudados em obras fundamentais. Cultivou uma espécie de memorialismo lírico em Segredos da infância e No tempo da flor. Com recursos de poeta e de pintor, o memorialista impõe presença de fantasmas familiares, e daí passa aos da sua roda, aos da cidade, aos do mundo.


Fonte: Academia Brasileira de Letras.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Natal.

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NATAL

Branca roupa ao sol
Pirrulas na mulemba
cantam chuva.

Não há estrela-guia
sol-caju brilhando
pelos caminhos antigos
pés gretados batidos
vem todos.
... vovo Bartolomé enlanguescido
em carcomida cadeira acordado...

... sô Santo
subindo a calçada
a mesma calçada que outrora descia...

... Zito e Dimingas
no maximbombo da linha 4...

... Musunda amigo
com a firme vitória da sua alegria...

E vê
vêm também
cheirando a suor
as buganvílias
a den den

Pedro monangamba
olhos abertos de amor
na mão e cetro
a pá de trabalhador

Pascoal
(Ué ainda vivo velho Pascoal?!)
a vassoura de mateba
a farda cáqui
da Câmara Municipal.

De Calumbo
o sol do Cuanza

nos seios caju
docinha manga
trouxe Jana.

Vieram também
também vieram
algas verdes na garganta
os três magos da Ilha
– ngoma, reco-reco e violão!

Branca roupa ao sol
Pirrulas na mulemba
Não havia luar
porque a noite já não era
estrela-guia
e do ventre da mãe negra
o menino nascia.

Luandino Vieira

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/angola/img/luandino_vieira.jpg

José Luandino Vieira, nascido na Lagoa do Furadouro (Portugal) em 4 de Maio de 1935 é cidadão angolano pela sua participação no movimento de libertação nacional e contribuição no nascimento da República Popular de Angola. Passou toda a infância e juventude em Luanda onde frequentou e terminou o ensino secundário. Trabalhou em diversas profissões até ser preso em 1959 (Processo dos 50), é depois libertado e posteriormente (1961) de novo preso e condenado a 14 anos de prisão e medidas de segurança. Transferido, em 1954, para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde passou 8 anos, foi libertado em 1972, em regime de residência vigiada em Lisboa. Iniciou então a publicação da sua obra na grande maioria escrita nas diversas prisões por onde passou.

Depois da Independência foi nomeado para a Televisão Popular de Angola, que organizou e dirigiu de 1975 a 1978; para o D. O. R. (Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA) que dirigiu até 1979; para o I. A. C. (Instituto Angolano de Cinema) que organizou e dirigiu de 1979 a 1984.

Membro fundador da União dos Escritores Angolanos exerceu a função de Secretário-Geral desde a sua fundação – 10-12-1975 – até 31-12-1980.

Foi Secretário-Geral Adjunto da Associação dos Escritores Afroasiáticos, de 1979 a 1984; e de novo Secretário-Geral da União dos Escritores Angolanos, de 1985 a 1992.

Após o colapso das 1.ªs eleições em 1992 e do recrudescimento da guerra civil, abandonou a vida pública, dedicando-se unicamente à literatura.

Fonte da biografia e foto: http://html.editorial-caminho.pt

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sapato de salto alto.

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Jeanne Antoinette Poisson
INVENÇÃO DO SAPATO DE SALTO ALTO

1746 – Inventam-se os sapatos de salto alto, denominados Luís XV. Jeanne Antoinette Poisson, marquesa de Pompadour (1721-1764) era amante de Luís XV. Bela, inteligente e culta, exerceu grande influência na política e na moda. Sua pequena estatura, porém, deixava-a inferiorizada frente às demais damas do seu tempo; somente em tamanho, está claro. Para preencher essa lacuna, idealizou os sapatos de salto alto, que começou a usar. A moda pegou, passando esses sapatos a se chamarem Luís XV, até nossos dias.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 2, página 214. 

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Anoitece...

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ANOITECE...

Anoitece...
Venho sofrer contigo a hora dolente que erra,
Sob a lâmpada amiga, entre um vaso com rosas,
Um festão de jasmins, e a penumbra que desce...
Hora em que há mais distância e mágoa pela terra;
Quando, sobre os chorões e as águas silenciosas,
Redonda, a lua calma e sutil, aparece...

O rumor de uma voz sobe no espaço, ecoando,
Mais um dia se foi, menos uma ilusão!
E assim corre, igualmente, a ampulheta da vida.
Senhor! Depois de mim, como folhas em bando,
Num crepúsculo triste, outros homens virão
Para recomeçar a rota interrompida,
E a amargura sem fim de um mesmo sonho vão...

Nos dormentes jardins bolem asas incautas,
Sobre os campos a bruma ondeia, devagar.
Estremecem no céu estrelas sonolentas
E os rebanhos, que vão na neblina lunar,
Agitam molemente, ao longe, as curvas lentas
Das estradas de esmalte, ao rudo som das flautas.

Anoitece...
Tremula ainda, no poente, a luz de alguns clarões,
E, enquanto sobre o meu teu olhar adormece,
Entre o perfil sombrio e vago dos chorões,
Redonda, a lua calma e distante, aparece...

Ronald de Carvalho


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Filho do engenheiro naval Artur Augusto de Carvalho e de Alice Paula e Silva Figueiredo de Carvalho, Ronald de Carvalho nasce na cidade do Rio de Janeiro – RJ no dia 16 de maio de 1893.

No ano de 1899 inicia o curso secundário no Colégio Abílio (Rio de Janeiro), formando-se em 1907. No ano seguinte, ingressa no curso de Direito da Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, formando-se bacharel no ano de 1912. Nessa época já colaborava com a revista A Época e com o jornal “Diário de Notícias”, de Rui Barbosa.

Em 1913 vai para Paris estudar Filosofia e Sociologia. Nessa cidade faz sua estréia literária com a publicação da obra “Luz gloriosa”, que mostra uma forte influência de Charles Baudelaire e Paul Verlaine.

No ano de 1914 começa a exercer atividades diplomáticas e estabelece-se em Lisboa – Portugal. Conhece então os membros do grupo modernista desse país e, em 1915, já integrado a esse grupo, participa do lançamento da revista “Orpheu”, marco inicial do modernismo português.

De volta ao Brasil, publica, em 1919, a obra “Poemas e Sonetos” que revela um certo contato com a estética parnasiana.

A experiência de fincar o marco inicial modernismo em Portugal parece ter agradado a Ronald de Carvalho, pois em 1922 participa ativamente da SAM (Semana de Arte Moderna), marco inicial do Modernismo no Brasil.

Na noite de 15 de fevereiro, segundo dia da SAM, Ronald de Carvalho causa o maior escândalo ao declamar o poema “Os Sapos”, de autoria de Manuel Bandeira. Isso ocorre porque o poema satiriza violentamente a poesia e, sobretudo os poetas parnasianos, que são comparados a sapos coachando.

Depois da sua participação explosiva na SAM, Ronald dá novos rumos sua poesia: ainda em 1922 publica “Epigramas irônicos e sentimentais”; dois anos depois, é vez de “Toda a América”. Nesta última obra percebe-se que o poeta está sob forte influência de Walt Whitman, pois seus versos agora são amplos e com ritmo livre.

Em 1924, dirigiu a Seção dos Negócios Políticos e Diplomáticos na Europa. Durante a gestão de Félix Pacheco, esteve no México, como hóspede de honra daquele governo.

Em 1926, foi oficial de gabinete do ministro Otávio Mangabeira. Exerceu cargos diplomáticos de relevância, servindo na Embaixada de Paris, com o embaixador Sousa Dantas, por dois anos, e depois em Haia (Países Baixos).

Foi secretário da Presidência da República, cargo que ocupava quando morreu. Em concurso realizado pelo Diário de Notícias, em 1935, foi eleito Príncipe dos Prosadores Brasileiros, em substituição a Coelho Neto. Colaborou, com destaque, em O Jornal. Casou com Leilah Accioly de Carvalho, com quem teve quatro filhos.

Ronaldo de Carvalho falece a 15 de fevereiro de 1935, no Rio de Janeiro, vítima de um acidente de automóvel, ocorrido em 19 de janeiro

No campo da literatura, além de poesia, Ronald de Carvalho dedicou-se aos ensaios, à crítica literária, e aos estudos de história da literatura.


Fonte: http://www.itaucultural.org.br

sábado, 17 de julho de 2010

Tentação.

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TENTAÇÃO

Trajando a cor do céu, entra na igreja,
Que está deserta. Ajoelha-se ante o altar.
A cruz na frente pura sinaliza,
Inclina a arca cabeça, e, põe-se a orar.

Deseja, é, desconhece o que deseja,
Sente sua alma cândida vibrar.
Por isso ela ante a imagem enfazeja,
Vai humilde e angustiosa se postar.

Aflita pede a imagem com ansiedade,
Defesas para o virginal tesouro.
E resistência para a castidade.

No entanto, pela nave, encantador,
Revoando adeja-lhe as aladas de ouro,
O anjo - Tentação do céu do amor-.

R.S. Furtado.
Este soneto foi postado no dia 13/12/2008.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lembrança.

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LEMBRANÇA

Todos os que estão neste cinema agora,
Neste cinema alegre,
Um dia hão de morrer também:
Nos cabides as roupas dos mortos
penderão tristemente.

Os olhos de todos os que assistem
as fitas agora,
Se fecharão um dia trágica e dolorosamente.
E todos os homens medíocres
se elevarão no mistério doloroso da morte.
Todos um dia partirão —
mesmo os que têm mais apego às coisas do mundo:
Os abastados e risonhos
Os estáveis na vida
Os namorados felizes
As crianças que procuram compreender —
Todos hão de derramar a última lágrima.

No entanto parece que os freqüentadores deste cinema
Estão perfeitamente deslembrados de que terão de morrer
— Porque em toda a sala escura há um grande ritmo de esquecimento e equilíbrio.

Augusto Frederico Schmidt 

http://www.bmsr.com.br/autores/imagens/Augusto%20Frederico%20SCHMIDT/Augusto_Frederico_SCHMIDT.jpg


Augusto Frederico Schmidt nasceu no Rio de Janeiro no dia 18 de abril de 1906 e faleceu também no Rio de Janeiro no dia 08 de fevereiro de 1965. Além de poeta, foi editor e político. Considerado importante lírico brasileiro, sua poesia é grandiloquente e discursiva; e frequentemente utiliza o versículo bíblico. Romântico e nostálgico, seus temas preferidos são o mar, a noite, a morte, a solidão, o mistério do destino do homem.


Entre 1924 e 1926, Augusto Frederico Schmidt residiu em São Paulo, ligando-se ao grupo modernista. É quando publica seu primeiro livro, Canto do Brasileiro Augusto Frederico Schmidt.


A seguir, funda uma editora e torna-se um dos grandes divulgadores do Modernismo; e, depois, da literatura do Nordeste. Em 1934, casou-se com Ieda Ovalle Lemos, sobrinha do compositor Jaime Ovalle.


Publicou Canto do liberto Augusto Frederico Schmidt (1929), Navio perdido (1929), Pássaro cego (1930) e Canto da noite (1934), dentre outros.


Escreveu ainda as crônicas de O galo branco (1948) e As florestas (1959)


Enciclopédia Mirador Internacional

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Manhã inflor

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MANHÃ INFLOR

as héveas murcharam
desertas de folhas
desertas de flores

propositadamente
nem só o sangue, mas também a seiva
nem só a criança, mas também a pétala
nem só o homem, mas também a planta
nem só a carne, mas também a lenha
propositadamente

tudo o hamadricida flagelou

a beleza da flor
a inocência da criança
a certeza dos campos
o aconchego duma sombra

mas nos covis a vida continuou
e o apelo à luta redobrou

as héveas murcharam
e com as héveas
a manhã inflor
a terra nua

mas ainda a vida
nos covis continua

Oswaldo Osório

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/cabo_verde/img/oswaldo_osorio.jpg

Oswaldo Osório (pseudônimo literário de Osvaldo Alcântara Medina Custódio) é nome destacado na literatura cabo-verdiana.

Nascido no Mindelo a 25 de Novembro de 1937, distingue-se como poeta e contista, sendo um dos fundadores do caderno de cultura do Notícias de Cabo Verde, Sèlo.

Fez os estudos secundários e o seminário em Nazareno, tendo exercido várias funções profissionais, como trabalhador de rádio, funcionário público, empregado de comércio, presidente da União dos Sindicatos, director do "Suplemento de Poesia dos Anos 80", Voz di Povo, co-fundador da página de cultura Seló, onde iniciou a sua actividade como poeta e prosador.

Em consequência das suas actividades políticas, estreitamente ligadas às acções culturais durante o regime de Salazar, Oswaldo Osório foi preso por duas vezes.

Da sua produção literária, salienta-se os poemas de luta “Caboverdeanamente Construção Meu Amor” (1975), “Cântico do habitante. Precedido de Duas Gestas” (1977), “Clar(a)idade Assombrada” e “Os loucos poemas de amor e outras estações inacabadas”.

No domínio da prosa, escreveu “Cantigas de Trabalho – Tradições Orais de Cabo Verde”, “Emergência da Poesia em Amílcar Cabral (ensaio) e Nimores e Clara & Amores de Rua” (romance). O novo livro de poesia: “A Sexagésima Sétima Curvatura” Colaborou, ainda, em publicações diversas, como “Selo”, “Alerta”, “Vértice”, “Notícias de Cabo Verde” e “Raízes”. A sua obra encontra-se também em várias antologias de literatura africana.


“As Ilhas do Meio do Mundo” é título do próximo romance do escritor.
Fonte da biografia: www.inforpress.cv

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Invenção do Aeróstato.

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http://faroldasletras.no.sapo.pt/padre_bartolomeu4.jpg
 

INVENÇÃO DO AERÓSTATO
 1709 – (08 de agosto) é inventado o aeróstato pelo padre jesuíta Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Nasceu em Santos (Estado de São Paulo) em dezembro de 1685. Faleceu em Toledo a 19 de novembro de 1724. Já noviciado da Companhia de Jesus, aos 16 anos, os jesuítas levam-no a Lisboa. Em 1705 volta ao Brasil. É recebido por D. João V e a rainha D. Maria Ana da Áustria, dos quais recebe proteção régia. Em abril de 1709 pediu a D. João V privilégio exclusivo para o seu invento aerostático. Diante, porém, duma onda de inveja que se levantou contra ele, as experiências que se deveriam realizar a 24 de junho, somente ocorreram a 08 de agosto. Tiveram lugar no pátio da Casa da Índia. Seu balão, denominado “Passarola”, aterrou no Terreiro do Poço. Enorme multidão ali ficou embasbacada. Presentes ainda se achavam os soberanos, os infantes, o núncio Cardeal Conti, o marquês de Fontes e Abrantes e numerosa fidalguia. Bartolomeu de Gusmão conseguiu, assim, demonstrar flagrantemente a possibilidade da ascensão de um aparelho ao espaço, pelo princípio de Arquimedes, fato até então inédito nos Anais da Humanidade. Foi cognominado entre o povo português de “O Padre Voador”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume2, páginas 193/194.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Noturno.

http://www.overmundo.com.br/uploads/overblog/img/1172527205_galo1.jpeg

NOTURNO

Sozinho
nas ruas desertas
do velho Recife
que atrás do arruado
moderno ficou...
criança de novo
eu sinto que sou:

— Que diabo tu vieste fazer aqui, Ascenso?

O rio soturno,
tremendo de frio,
com os dentes batendo
nas pedras do cais,
tomado de susto
sem poder falar...
o rio tem coisas
para me dontar:

— Corrre senão o Pai-do-Poço te pega, condenado!

Das casas fechadas
e mal-assombradas
com as caras tisnadas
que o incêndio queimou
pelas janelas esburacadas
eu sinto, tremendo,
que um olho de fogo
medonho me olha:

– Olha que o Papa-Figo te agarra, desgraçado!

Dos brutos guindastes
de vultos enormes
ainda maiores
nessa escuridão...
os braços de ferro,
pesados e longos,
parece quererem
suster-me no chão!

Ai! Eu tenho medo dos guindastes,
Por causa daquele bicão!

Sozinho, de noite,
nas ruas desertas
do velho Recife
que atrás do arruado
moderno ficou...
criança de novo
eu sinto que sou:

— Larga de ser vagabundo, Ascenso!

Ascenso Ferreira


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Ascenso nasceu no dia 9 de maio de 1895 em Palmares, cidade do interior de Pernambuco. Foi registrado como Aníbal, mas em 1917 muda o nome para Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira. Órfão de pai aos 7 anos, teve em sua mãe, uma professora primária abolicionista, sua primeira e maior mestra. Aos treze anos já trabalhava no comércio, na loja do seu padrinho. Lá teve contato com viajantes e suas estórias. Muito de sua infância interiorana estão em memoráveis poemas como em Minha Escola.

Foram essas "lindas histórias" que Ascenso usou para compor uma verdadeira rapsódia poética nordestina. São poemas com gosto da terra, de "Cana Caiana", de "Bumba-Meu-Boi", "Cavalhada", "Maracatu", "Mulata Sarará", "Xangó", "Xenhenhém"... Sua temática é a vida nordestina, e seus versos são de uma naturalidade que poucos alcançaram, como os de Manuel Bandeira e José Lins do Rego na prosa.

Tão natural que pula entre versos livres e metrificados, chegando até mesmo a fechar com chaves-de-ouro. Une o verso metrificado com o livre, com rima, toada e cadência própria de forma espontânea, como se "já tivesse vindo pronto” e não fossem resultados de construção poética. A "versatilidade do tom, as surpresas do humour, a poesia profunda de certos momentos da vida e da linguagem cotidianas" foi o que Ascenso aproveitou do modernismo, segundo Manuel Bandeira prefaciando um de seus livros.

Ascenso transmite uma musicalidade própria que faz seus poemas ganharem outra dimensão quando ouvidos. E chega a estar no limiar entre o verso e a música.

Mário de Andrade, escrevendo ao Diário Nacional em 1927 a respeito do lançamento do livro Catimbó, reconhecia que "só mesmo Ascenso Ferreira com este Catimbó trouxe pro modernismo uma originalidade real, um ritmo verdadeiramente novo". Em 1928 Ascenso trava um conhecimento pessoal com o autor de Paulicéia Desvairada e no ano seguinte se aproxima de vários intelectuais paulistas, como Cassiano Ricardo, Anita Malfatti, Menoti Del Picchia, Oswald de Andrade, Afonso Arinos e Tarsila do Amaral. Em 1951 grava LP com seus poemas, sendo o primeiro poeta brasileiro a gravar seus poemas em disco. Em 1955 é o 4o poeta brasileiro que tem sua voz gravada para a Biblioteca do Congresso em Washington. Morre no dia 5 de maio de 1965 no Recife.


http://www.detetivez.hpg.ig.com/

domingo, 11 de julho de 2010

O hoje é mais seguro.

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O HOJE É MAIS SEGURO

O ontem de hoje não retorna, é passado,
O amanhã de hoje é incerto, é futuro.
Prefiro o ontem do amanhã, presente e sagrado,
Que é o hoje, não passou nem é escuro.
O passado passou e o futuro é ignorado,
Viver a felicidade do hoje é mais seguro.

R.S. Furtado.

sábado, 10 de julho de 2010

Quando eu morrer...

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QUANDO EU MORRER

Não quero! Tenho horror que a sepultura
mude em vermes meu corpo enregelado.
Se no fogo viveu minha alma pura,
quero, morto, meu corpo calcinado.

Depois de ser em cinzas transformado,
lancem-me ao vento, ao seio da natura...
Quero viver no espaço ilimitado,
no mar, na terra, na celeste altura.

E talvez no teu seio, ó virgem linda,
tão branco como o seio da virtude,
eu, feito em cinzas, me introduza ainda.

E no teu coração, pequeno e forte,
(ó gozo triste!) viva eu na morte,
já que na vida lá viver não pude!

 Costa Alegre


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Caetano da Costa Alegre foi um poeta lusófono, nascido no seio de uma família crioula cabo-verdiana, na então colônia portuguesa de São Tomé, no dia 26 de abril de 1864.

Em 1882 se muda para Portugal, e frequenta as aulas de uma escola de medicina em Lisboa, para formar-se como médico naval, porém morre de tuberculose antes de poder cumprir tal objetivo, no dia 18 de abril de 1890.

Em 1916, seu antigo amigo, o jornalista Cruz Magalhães, publicou a poesia escrita por Costa Alegre durante seus oito anos de estadia em Portugal. A obra, escrita em estilo romântico, popular na época, foi um êxito imediato pela forma em que celebra suas origens africanas, a expressão de nostalgia do estilo de vida de São Tomé, e a descrição do sentimento de alienação em que se encontrava sua raça.

Costa Alegre expressa sua tristeza depois de ser recusado por uma mulher branca devido à cor da sua pele, em uma das primeiras tentativas de um poeta africano de lidar com os assuntos raciais.

Apesar de um estilo diferente do europeu, os temas da obra de Costa Alegre convertem-no em um precursor dos escritores e poetas africanos posteriores, que trataram do tema racial, a alienação, as recordações nostálgicas do passado (neste caso, suas reminiscências de São Tomé).

Tinha grande desgosto em ser preto. Escreveu um livro, “Versos” numa edição de apenas 500 volumes numerados, destinando o seu produto à "Caixa de Socorros a Estudantes Pobres".


Fonte: Wikipédia

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Aos poetas.

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AOS POETAS

Mentimos a nós mesmos, embuçados
nessas mágoas irreais em que vivemos.
Mas, somos, a fingir esses extremos,
os maiores dos homens torturados.

Carregamos as dores e os pecados
dos homens. E por eles nos ardemos
em esperanças e êxtases supremos,
com todos os sentidos exaltados.

Tristes de nós, que vamos, nos caminhos,
chorando as almas das torturas presas,
pondo as alheias dores em canções.

Mas, sangrando a nossa alma nos espinho;
fazendo nossas todas as tristezas,
alegramos os tristes corações.

Rodrigues de Abreu

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Benedito Luís Rodrigues de Abreu nasceu em Capivari em 27 de setembro de 1897, na fazenda “Picadão”. Aos sete anos passou a morar em Piracicaba, onde começou os estudos em “escola de sítio”.

Nascido numa fazenda no município de Capivari, Rodrigues de Abreu estudou no colégio dos padres salesianos em Lorena, os quais mais tarde julgando haver nele vocação sacerdotal o fizeram entrar para o seminário de Cachoeira do Campo, em Minas Gerais: Acometido, porém, de grave doença nervosa no segundo ano do curso, abandonou o seminário e voltou para São Paulo.

Continuou os estudos em Lavrinhas, mas interrompeu-os novamente - e definitivamente - no quarto ano ginasial. Foi por algum tempo professor na capital paulista, voltando mais tarde a Capivari, onde exerceu o cargo de guarda-livros na Caixa de Crédito Agrícola. Em 1923, partiu para Bauru onde conseguiu o emprego de escrevente num cartório.

No ano seguinte, declarada a tuberculose que desde 1919 se pronunciara, seguiu ele para Campos do Jordão, mas nem lá nem em São José dos Campos logrou melhoras estáveis, vindo a falecer em Bauru no dia 24 de novembro de 1927. "Com ele", escreveu Odílio Costa Filho, "expira o Simbolismo no Brasil, e expira com beleza, dor e beleza.

Obras poéticas publicadas:

Noturnos (1919)
A sala dos Passos Perdidos (1924)
Casa Destelhada (1927)

Fonte: pt.wikipedia.org

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Invenção do Guarda-chuva.

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INVENÇÃO DO GUARDA-CHUVA


1650 – É inventado o guarda-chuva moderno, que recebe os foros de nobreza e é oficialmente reconhecido como um acessório do vestuário. Há onze séculos antes de Cristo, os veneráveis chineses enfrentavam o vento, o Sol e a chuva com uma espécie de pagode montado num cabo. Atenas e Roma também conheceram, mas somente era usado por mulheres. Surge no século XII, semelhante ao que se usa hoje pelos altos dignitários do Vaticano, mas somente em cerimônias, como símbolo da realeza e do poder. Na corte de Henrique II apresenta-se de seda com pequenos babados. Em seguida se usa outro modelo pelos ingleses, que o apelidam de “Robinson”, pesa três quilos e é visto somente entre nobres e burgueses. Mais pesado se torna depois, quando é servido dum para-raio portátil, mediante primitiva, porém engenhosa haste metálica, ligada a um fio que se arrastava pelo chão. Não se sabe o nome do mecânico inglês, o primeiro a substituir as barbatanas de baleia por haste de aço articuladas e que fabricou o primeiro guarda-chuva em sua forma atual. O certo é que o inglês Fox de Sheffield patenteou o sistema. Passou para a posteridade como o verdadeiro inventor. O moderno guarda-chuva era chamado “paragon” e não pesava mais que quatrocentos gramas.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 154/155.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Aquela Negra

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AQUELA NEGRA

De enxada em punho,
Lutando pela minha fome;
Aquela negra que jorra suores na minha sede
E que vai de lenha na cabeça
Porque o frio me consome;
Aquela negra
Pobre, sem nada,
Que vende os panos para me vestir;
Que chora nas ruas o meu nome;
Aquela negra é minha mãe.

Jorge Macedo

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Jorge Mendes Macedo nasceu na cidade de Malanje em 1941. A primeira actividade profissional que desenvolveu foi a de regente escolar, tendo ingressado em seguida na carreira administrativa. Após a independência ocupou vários cargos de responsabilidade entre os quais os de Director Nacional de Arte e Director Nacional da Escola de Música. Fez os estudos primários e secundários em Malanje. Educado nos seminários, frequentou os seminários Menor e Maior de Luanda até ao curso de Filosofia. Formou-se em etnomusicologia pela Universidade de Kinshasa. Reside actualmente em Lisboa onde exerce a actividade de jornalista, dirigindo a Revista Afro-Letras da Casa de Angola em Portugal.

Este autor pode ser considerado como sendo um dos raros poetas e ficcionistas que, pela estreia precoce à semelhança de Mário António, assinala com a sua obra a transição de gerações, neste caso da geração de 60 a de 70. E pode tal facto estar na origem da sua propensão para o exercício dos vários géneros literários e associações a outras manifestações artísticas. Acabou por ser igualmente colhido pelo desencanto que longe da pátria se agrava, quando sente o país dilacerado pela guerra. É este > o tema do seu último livro de poesia, O Livro das Batalhas. Iniciou a sua vida literária em 1957 com a publicação do livro de poesia Tetembu. Em seguida vieram, As mulheres (poesia, 1970), Pai Ramos (poesia, 1971), Irmã Humanidade (poesia, 1973), Gente do meu bairro (ficção narrativa, 1977), Clima do Povo (poesia, 1977), Voz de Tambarino (1978), Geografia da Coragem (romance, 1980) Página do Prado (1989), Literatura Angolana e Texto Literário (ensaio, 1989), Poéticas na Literatura Angolana (ensaio, 1989) Sobre o Ngola Ritmos (ensaio, 1989) O Livro das Batalhas (1993), O Menino com olhos de bimba (contos de literatura infantil, 1999).

Jorge Mendes faleceu em Luanda no dia 26 de setembro de 2009.

Fonte: www.nexus.ao

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pobrezinho.

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POBREZINHO

Filho meu pobrezinho tu nasceste,
Porque um lar de pobres encontraste.
Uma infância dourada não gozaste,
Pobrezinho nasceste e assim morreste.

Foste lírio e tão pouco floresceste!
Mas feliz foste enquanto vingaste.
Se as doçuras da vida não provaste,
Os rigores do mundo não sofreste.

Eras tu minha estrela de esperança.
Para a noite do meu envelhecer,
Que velozmente ao meu encontro avança.

As horas que eu estive e ainda prossigo,
No meu amargo resto do viver,
Bem longe estão das que vivi contigo.

R.S. Furtado

Nota: Quando eu estava em plena atividade profissional, um funcionário soube que a sua mulher estava grávida, e, a partir daí, passou a viver só em função do filho. Certo dia, o mesmo me confidenciou que segundo o resultado do exame, era um cabra macho e que ele, o pai, iria dar-lhe uma boa educação, pois o seu filho seria o seu seguro para o futuro. Só que, lamentavelmente, ele perdeu o filho com poucos dias de nascido. Dias depois, pensando no ocorrido, veio-me a inspiração e criei esta baboseira que vocês acabaram de ler.

domingo, 4 de julho de 2010

Prova infalível.

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PROVA INFALÍVEL

Quando eu soltar meu último suspiro;
quando o meu corpo se tornar gelado,
e o meu olhar se apresentar vidrado,
e quiserdes saber se inda respiro,

eis o melhor processo que eu sugiro:
— Não coloqueis o espelho decantado
em frente ao meu nariz, mesmo encostado,
porque não falha a prova que eu prefiro:

— Fazei assim: — Por cima do meu peito.
do lado esquerdo, colocai a mão.
e procedei, seguros, deste jeito:

— Gritai “MARIA!” ao pé do meu ouvido,
e se não palpitar meu coração,
então é certo que eu terei morrido!

Pe Manuel de Albuquerque

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Padre Manuel Rebouças de Albuquerque nasceu no município de Eirunepê, no estado do Amazonas, no dia 16 de julho de 1907. Veio para Santarém quando tinha apenas dois anos de idade. Quando tinha treze anos foi mandado para o seminário de Tefé, no Estado do Amazonas, onde estudou durante quatro anos. De Tefé foi para Portugal onde, no seminário de Braga, ingressou na Congregação do Espírito Santo. Fez seu noviciado na França e voltou a Portugal onde ordenou-se padre a 15 de setembro de 1935 na cidade de Viana do Castelo. Em 1936 veio para o Brasil para dedicar-se ao trabalho no interior do Amazonas, Acre e Pará.

Sua produção literária foi enorme, tendo publicado vários livros de poesia, em prosa, além de grande quantidade de escritos esparsos publicos no Brasil e em Portugal.

Padre Manuel Rebouças faleceu no dia 7 de janeiro de 1977, no Rio de Janeiro.

Fonte: http://www.santarem.pa.gov.br

sábado, 3 de julho de 2010

O eco do pranto/Amar.

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O ECO DO PRANTO

Não me digas
Que essa é a voz de uma criança
Não...
A voz da criança
É suave e mansa
É uma voz que dança...
Não me digas
Que essa é a voz de uma criança
Parece mais
Um grito sem esperança
Um eco
Partindo de fundo de um beco
Não me digas
Que essa é a voz de uma criança,
Essa é doce e mansa
É uma voz que dança...
Esta parece mais
Um grito sufocado sob um manto
- O Eco do Pranto.

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AMAR

Amar
É o mesmo que escrever
Docemente,
Amargo,
Mas incompleto.

Agnelo Regalla


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Agnelo Augusto Regalla nasceu em Campeane (Tombali), na Guiné-Bissau,no dia 09 de Julho de 1952. formou-se em jornalismo no Centro de Formação de Jornalistas em França. Desempenhou as funções de director da Radiodiodifusão Nacional, de director-geral da Informação do Ministério da Informação e integrou o Governo por duas ocasiões como secretário de Estado da Informação. Actualmente dirige a Rádio Bombolom.


http://www.didinho.org/agneloregallabiografia.htm

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Máquina de fazer sorvete.

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 Procópio Coltelli

MÁQUINA DE FAZER SORVETE

1660 – Inventa-se a máquina de fazer sorvete. – O autor dessa invenção é o florentino Procópio Coltelli. Nesse mesmo ano abriu o “Café Procópio”, em Paris, anexado á sorveteria, onde, até ao século dezenove foi o centro de reuniões de toda a elite artística e social francesa. Sua máquina (que atualmente é adotada para uso doméstico), consiste num recipiente metálico, com agitador em espátula, posto em um balde de madeira para conter o gelo. O uso de bebidas doces e geladas, como refrigerantes, remonta aos antigos egípcios. Eles descobriram que a água podia ser esfriada quando colocada em jarros porosos, nos terraços, ao por do sol. As brisas noturnas evaporavam no seu interior. A palavra sorvete se origina do árabe “chorbat”. O uso de bebidas açucaradas, com sucos de frutas e aromáticos, postos a gelar, se introduziu depois entre persas e romanos, nas principais cidades italianas, atribuindo-se a Bernardo Buontalente, florentino, no século dezesseis, como sendo o inventor do verdadeiro sorvete de creme, amanteigado. Daí o uso foi para a França, Inglaterra e Estados Unidos, donde se espalhou para o resto do mundo.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, página 156. 

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