terça-feira, 29 de junho de 2010

Desilusão.

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DESILUSÃO

Que mais importância tem viver, se a vida,
Já não é a mesma d’antes feliz, e vivida,
Nos saudosos tempos de outrora?
Pra que serve mais viver, se a saudade,
É tudo que me restou, e que me invade,
Em todo momento, e a qualquer hora?

Partiu de mansinho, sem nenhuma despedida,
Nem sequer pensou que a sua partida,
Chegasse a ferir de alguém, o coração.
Levou consigo a alegria e a felicidade,
De um ser que jamais esperou tanta maldade,
E uma prova de tamanha ingratidão.

Sem alento, desprezado e de coração partido,
Sigo caminhando sozinho e desiludido,
Neste mundo cruel e sem compaixão.
Descrente do amor e descrente de tudo,
Desisti de amar, pois assim não me iludo,
Nem tampouco degrado, meu pobre coração.

E, por nada mais ansiar, e nenhuma esperança,
Seguirei meus passos, só com a lembrança,
Dos dias felizes, com muito amor e paixão.
Levarei na bagagem muita dor e sofrimentos,
Saciarei minha sede com os meus tormentos,
E matarei minha fome, com a minha desilusão.

R.S. Furtado.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Árvore de frutos.

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ÁRVORE DE FRUTOS

Cheiras ao caju da minha infância
e tens a cor do barro vermelho molhado
de antigamente;
há sabor a manga a escorrer-te na boca
e dureza de maboque a saltar-te nos seios.

Misturo-te com a terra vermelha
e com as noites
de histórias antigas
ouvidas há muito.

No teu corpo
sons antigos dos batuques à minha porta,
com que me provocas,
enchem-me o cérebro de fogo incontido.

Amor, és o sonho feito carne
do meu bairro antigo do musseque!

António Cardoso


António Mendes Cardoso nasceu em Angola no dia 08 de Abril de 1933. Colaborou na revista Mensagem, embora seja mais conhecido pela sua colaboração com a revista Cultura II, onde fez parte do corpo redatorial. Por causa das suas ideologias e da linha temática que sempre seguiu, foi preso várias vezes, em Luanda, e no Campo de Concentração do Tarrafal (em Cabo Verde).

Após a independência de Angola, exerceu funções superiores na Rádio Nacional, na Secretaria de Estado da Cultura e na União dos Escritórios de Angola, é ainda citado em várias Antologias de Língua Portuguesa e de outros países da Europa.

Poemas de Circunstância, obra de estréia de António Cardoso no mundo literário angolano, em 1962, reúne os primeiros textos do autor. Faleceu em 26-06-2006


domingo, 27 de junho de 2010

Improvisado.

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IMPROVISADO

DERMINDA, esses teus olhos soberanos
Têm cativado a minha liberdade;
Mas tu cheia, cruel, de impiedade
Não deixas os teus modos desumanos.

Por que gostas causar dores e danos?
Basta o que eu sofro: tem de mim piedade!
Faze a minha total felicidade,
Volvendo-me esses olhos mais humanos.

Já tenho feito a última fineza
Para ameigar-te a rija condição;
És mais que tigre, foi baldada empresa.

Podem meus ais mover a compaixão
Das pedras e dos troncos a dureza,
E não podem abrandar um coração?

José Bonifácio

Publicado no livro Poesias Avulsas de Américo Elísio (1825).

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José Bonifácio Ribeiro de Andrada Machado e Silva nasceu em Santos-SP, no dia 13 de  junho de  1763 e faleceu em Niterói-RJ, no dia 06 de abril de 1838. Formou-se bacharel em Leis e Filosofia Natural em Coimbra (Portugal), no ano de 1787. Prosseguiu os estudos até 1800, fazendo aperfeiçoamento em Química e Mineralogia com o cientista Lavoisier, entre outros; foi o descobridor de vários minerais novos. Professor de Geognosia da Universidade de Coimbra, criou a primeira cátedra de Metalurgia em uma universidade portuguesa. Nas duas décadas seguintes exerceu cargos de confiança na Coroa Portuguesa, como desembargador de relações e intendente da polícia. Ao voltar para o Brasil, foi nomeado encarregado da Pasta de Negócios do Reino e Estrangeiros por D. Pedro I, exercendo grande influência sobre o príncipe regente durante o processo de independência.

Em 1823, tornou-se proprietário, editor e colaborador no jornal de oposição O Tamoio; a indisposição para com o Imperador levou-o a ser preso durante a crise política que dissolveu a Assembléia Legislativa. Exilou-se em Bordeaux (França) até 1829; de volta ao Brasil, reconciliou-se com D. Pedro I, que o nomeou tutor de Pedro II e de suas irmãs menores. Publicou sua produção poética no livro Poesias Avulsas, em 1825. José Bonifácio, um dos homens públicos mais importantes do período imperial, produziu poemas de estética árcade, sob o pseudônimo de Américo Elísio.

De acordo com o crítico José Aderaldo Casteo, "o nome do poeta impõe-se como expressão significativa do seu momento, ilustra muito bem as três primeiras décadas do século XIX no Brasil. Independentemente da atuação do estadista, mas de qualquer forma com ela relacionada, a sua produção poética diz bastante das reações e sentimentos dos brasileiros nos anos que agitaram a consolidação da Independência do Brasil, a partir das radicais transformações determinadas entre nós pelas reformas de D. João VI."

Fonte: www.itaucultural.org.br

sábado, 26 de junho de 2010

Designação da tireóide.

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DESIGNAÇÃO DA TIREÓIDE

1656Thomas Wharton é o primeiro cientista a designar o órgão na base do pescoço, em frente da traquéia, pelo nome de glândula tiróide. “A tiróide é um órgão de pequeno tamanho, mas de grande importância, que controla funções vitais do organismo. Consiste em um par de glândulas situadas no pescoço, nas proximidades da traquéia. O funcionamento desta envolve a produção e utilização de um composto ativo que contém iodo, chamado tireoidina. O funcionamento deficiente desta glândula é chamado hipotireodismo e resulta frequentemente numa grande perda de vigor físico e mental, perda de pelos e aumento da espessura da pele. Por outro lado, a atividade excessiva da glândula tireóide traz como resultado a condição denominada hipertireoidismo, e frequentemente leva a um estado de nervosismo e excitação mental, a um aumento de intensidade de todas as funções orgânicas e aceleração de atividade do coração”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 155/156.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Vieram muitos...

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VIERAM MUITOS...

"A massambala cresce a olhos nus"

Vieram muitos
à procura de pasto
traziam olhos rasos da poeira e da sede
e o gado perdido.

Vieram muitos
à promessa de pasto
de capim gordo
das tranqüilas águas do lago.
Vieram de mãos vazias
mas olhos de sede
e sandálias gastas
da procura de pasto.

Ficaram pouco tempo
mas todo o pasto se gastou na sede
enquanto a massambala crescia
a olhos nus.

Partiram com olhos rasos de pasto
limpos de poeira
levaram o gado gordo e as raparigas.


Ana Paula R. Tavares


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Ana Paula Ribeiro Tavares nasceu no Lubango, província da Huíla, a 30 de Outubro de 1952. Passou parte da sua infância naquela província, onde fez os seus estudos primários e secundários. Iniciou o seu curso de História da Faculdade de Letras do Lubango (hoje ISCED-Lubango), terminando-o em Lisboa. Em 1996 concluiu o Mestrado em Literaturas Africanas. Actualmente vive em Lisboa, onde lecciona na Universidade Católica de Lisboa, encontrando-se a fazer o seu doutoramento.

Sempre trabalhou ligada à área cultural, tendo actuado como profissional em diferentes áreas da cultura como a Museologia, Arqueologia e Etnologia, Património, Animação Cultural e Ensino. Participou em simpósios, congressos, comissões de estudo e elaboração de inúmeros projectos da área cultural. Foi Delegada da Cultura no Kwanza Norte, técnica do Centro Nacional de Documentação e Investigação Histórica (hoje Arquivo Histórico Nacional), do Instituto do Património Cultural.
É membro de diversas organizações culturais como o Comité Angolano do Conselho Internacional de Museus (ICOM), Comité Angolano do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), da Comissão Angolana para a UNESCO. É também membro da UEA.

Tem poemas escritos em diversos jornais e revistas angolanos e internacionais como em Portugal, Brasil, Cabo Verde. As suas obras publicadas são: Ritos de Passagem (1985), O Sangue da Buganvília (1998), O Lago da Lua (1999).

A lírica de Paula Tavares reunida (incompletamente) em «Ritos de Passagem» coloca, logo desde esse título, o problema da feminilidade e, com ele, o problema de uma literatura feminina. Metaforicamente falando nos serve, também, para estudarmos a passagem da literatura ainda formada no regime colonial à de poetas amadurecidos após a independência do país. Mas, ao apelar para tradições locais (e do Sul, neste caso), o verso da Paula Tavares reinsere-se clara e assumidamente na linha de cruzamento dos discursos «ocidentais» (da Europa e Estados Unidos, em primeiro lugar) com os africanos.


Fonte: www.uea-angola.org

quarta-feira, 23 de junho de 2010

São João da minha terra.

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SÃO JOÃO DA MINHA TERRA

O São João da minha terra,
É porreta, é arretado.
Começa no pé da serra,
E se espalha no povoado.

Tem festa pra todo lado,
Tem traque, foguete e rojão.
Cachaça tem pra danado,
Tem xote, xaxado e baião.

Tem quadrilha, com casamento,
Tem padre, e até delegado.
Tem carroça puxada por jumento,
Pra carregar o casal enforcado.

Tem inhame, batata e macaxeira,
Bolo tem, de toda qualidade.
Tem milho assado na fogueira,
Pra ninguém ficar na saudade.

Tem cuscuz, tem canjica e pamonha,
Tapioca, beiju, arroz doce e mungunzá.
E tudo isso é pra comer, sem vergonha,
E encher a pança até se empanturrar.

Forró tem em todo canto,
Pra quem pra lá, for brincar.
Mulher tem demais, no entanto,
É proibido, no salão se esfregar.

As mulheres de lá são fogosas,
Mas, tem umas que vivem pra rezar.
As que não casam ficam em pavorosas,
Enquanto as outras, só querem ficar.

Tem gente de toda qualidade,
Pacata, mas também arruaceira.
Quem lá chegar com maldade,
Vai pra ponta da peixeira.

Portanto, meus queridos amigos,
Não sendo um burro que emperra.
Vou relembrar os festejos antigos,
Do São João da minha terra.

R.S. Furtado.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Arte de amar.

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ARTE DE AMAR

Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.

Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder

Thiago de Mello


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Amadeu Thiago de Mello nasceu na cidade de Barreirinha, no Amazonas, em 30 de março de 1926. Depois de fazer sua escolarização inicial em Manaus, foi para o Rio de Janeiro, onde veio a ingressar na Faculdade de Medicina, tendo desistido do curso no 4° ano. Viveu longos anos de exílio no Chile, onde permaneceu até a queda de Allende.


É membro da Academia Amazonense de Letras e mora, há anos, em sua cidade natal, em casa projetada pelo arquiteto Lucio Costa. Vasta é a obra de Thiago de Mello, que acaba de receber bonita homenagem, realizada em 19 de abril de 2006, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em comemoração aos seus 80 anos. Muitos de seus livros foram traduzidos no Chile, em Cuba, na Argentina, em Portugal, nos Estados Unidos, na França, na Alemanha e na Inglaterra, entre outros países. Thiago de Mello é tradutor de Pablo Neruda, T.S. Eliot e Ernesto Cardenal, entre outros e sua obra também está apresentada em discos, alguns com locução do autor, como Poesias de Thiago de Mello (1963), Mormaço na Floresta (1986), Os Estatutos do Homem e Poemas Inéditos (1992) e A criação do mundo (2006).


Entre os livros de poesia publicados poderiam ser destacados: Silêncio e Palavra (1951), Narciso Cego (1952), Vento Geral (reunião dos livros anteriores e mais três inéditos: Tenebrosa Acqua, O Andarilho e a Manhã e Ponderações que faz o defunto aos que lhe fazem o velório - 1960), Faz Escuro mas Eu Canto (com 1ª edição em 1965 e muitas reedições), A Canção do Amor Armado (1ª edição em 1966), Os Estatutos do Homem (com desenhos de Aldemir Martins, 1ª edição em 1977), Horóscopo para os que Estão Vivos (1ª edição em 1966), Mormaço na Floresta (1ª edição em 1981), De uma vez por todas (1ª edição 1996 Prêmio Jabuti 1997) e Os Estatutos do Homem, em edição de luxo trazida a público pela Valer em 1999. Publicou também, vários livros em prosa, como Borges na Luz de Borges (1993) e Amazonas, Pátria da Água (edição de luxo, bilíngüe - português e inglês -, com fotografias de Luiz Cláudio Marigo, em 1991).


Fonte: www.antoniomiranda.com.br

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Circulação sanguínea.

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CIRCULAÇÃO SANGUINEA

1628William Harwey, sábio inglês, descobre a circulação do sangue, que ele descreve, pela primeira vez, cientificamente. Depois de seus estudos em Pádua, com o professor Vesalius, pai da moderna Anatomia, logrou saber que o sangue estava contido em uns tubos, pelos quais corria constantemente, partindo do coração e a ele voltando, depois de percorrer a intricada rede de veias e artérias; porém, infelizmente, não tinha à sua disposição aparelhos adequados, a fim de observar a passagem do sangue do sistema arterial para o venoso. O caso é que até então esse problema se achava envolto no mais profundo mistério. Em suas pesquisas, William Harwey não dispunha sequer de um microscópio, mas ele se utilizou de um vidro que aumentava o tamanho das coisas. Foi então que, com o uso desta lente, ele começou a observar o funcionamento do coração de vespas e mosquitos. Harwey descobriu que o coração é, na realidade, uma bomba que movimenta o sangue em torno do corpo. Data de então, o emprego da “tomada de pulsação”, como primeiro diagnóstico a ser visado pelo médico. A pulsação do coração pode ser observada através de uma das artérias próximas da superfície da pele. As artérias são elásticas, intumescendo e voltando ao normal, na medida em que o sangue passa por elas numa série de vagas. Por conseguinte, o impulso ou batida é realmente a expansão e a contração regulares das paredes das artérias, que continuamente recebem o bombeamento do sangue pela ação do coração.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 147/148.

domingo, 20 de junho de 2010

Sô Santo.

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SÔ SANTO

Lá vai o sô Santo...
Bengala na mão
Grande corrente de ouro, que sai da lapela
Ao bolso... que não tem um tostão.

Quando sô Santo passa
Gente e mais gente vem à janela:
- "Bom dia, padrinho..."
- "Olá!..."
- "Beçá cumpadre..."
- "Como está?..."
- "Bom-om di-ia sô Saaanto!..."
- "Olá, Povo!..."

Mas por que é saudado em coro?
Porque tem muitos afilhados?
Porque tem corrente de ouro
A enfeitar sua pobreza?...
Não me responde, avó Naxa?

 - "Sô Santo teve riqueza...
Dono de musseques e mais musseques...
Padrinho de moleques e mais moleques...
Macho de amantes e mais amantes,
Beça-nganas bonitas
Que cantam pelas rebitas:

'Muari-ngana Santo
dim-dom
ualó banda ó calaçala
dim-dom
chaluto mu muzumbo
dim-dom...'

Sô Santo...

Banquetes p´ra gentes desconhecidas
Noivado da filha durando semanas
Kitoto e batuque pró povo cá fora
Champanha, ngaieta tocando lá dentro...
Garganta cansado:

'coma e arrebenta
e o que sobra vai no mar...'

Hum-hum
Mas deixa...
Quando Sô Santo morrer,
Vamos chamar um Kimbanda
Para ngombo nos dizer
Se a sua grande desgraça
Foi desamparo de Sandu
Ou se é já própria da Raça..."

Lá vai...
descendo a calçada
A mesma calçada que outrora subias
Cigarro apagado
Bengala na mão...

... Se ele é o símbolo da Raça
ou a vingança de Sandu...

Viriato da Cruz

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Viriato Francisco Clemente da Cruz nasceu em Kikuvo, Porto Amboim em 25 de março de 1928. Fez os estudos liceais em Luanda.

Considerado um dos mais importantes impulsionadores de uma poesia regionalista angolana nas décadas de 40 e 50, caracterizando-se a sua obra pelo apego aos valores africanos, quer quanto à temática, quer quanto à forma.

A sua produção está dispersa por publicações periódicas e representada em várias antologias, das quais uma - No Reino de Caliban - reúne a sua obra poética.
Foi um principais mentores do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (1948) e da revista Mensagem (1951-1952).

Saíu de Angola em 1957 e em Paris foi juntar-se a Mário Pinto de Andrade, tendo desenvolvido intensa actividade política e cultural.

Foi membro-fundador e o primeiro secretário-geral do MPLA. durante os primeiros anos da década 60.

Dissidente deste movimento, esteve exilado em Portugal e noutros países europeus, fixando-se posteriormente na China, onde veio a falecer em 13 de Julho 1973.

Obra Poética


Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império.


Fonte: www.lusofoniapoetica.com

sábado, 19 de junho de 2010

"Eu Adoro Engarrafamento"

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“Eu Adoro Engarrafamento”: 
o Movimento de quem fica parado.

Uma campanha da editora Plugme por um melhor aproveitamento do seu tempo.


Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro, 39% dos brasileiros não lêem por falta de tempo. Já o Ibope afirma que os paulistanos passam, em média, 2 horas e 43 minutos por dia no trânsito. Situação semelhante a de outras cidades brasileiras.

Baseada em números como esses, a Plugme, editora de audiolivros das empresas Ediouro, lança a campanha Eu Adoro Engarrafamento (www.euadoroengarrafamento.com.brwww.euadoroengarrafamento.com.br). A ideia é levar as pessoas a se perguntarem: “como pode existir quem goste de desperdiçar tempo, parado no trânsito?”, para logo em seguida explicar que eles não desperdiçam, e sim aproveitam esse tempo para adquirir cultura, conhecimento e entretenimento, ouvindo audiolivros.

Aproveitar melhor o tempo é o conceito por trás da campanha. O engarrafamento é a isca para mostrar a mensagem maior de que existe uma forma moderna e inteligente de preencher o tempo em qualquer ocasião, de que é possível ter contato com a literatura ao mesmo tempo em que fazemos exercícios, atividades domésticas, durante as refeições ou em qualquer ocasião do dia-a-dia.

A associação por trás do Movimento é fictícia, mas o convite à participação é real, assim como os benefícios de se adotar os audiolivros como um hábito. Pessoas podem aderir na pagina http://www.euadoroengarrafamento.com.br/faca_parte.phphttp://www.euadoroengarrafamento.com.br/faca_parte.php: adotando o Twibbon da campanha no Twitter, curtindo a página da campanha no Facebook, colocando um selo em seu blog ou simplesmente repassando a ideia.

A campanha tem ponto de partida no hotsite www.euadoroengarrafamento.com.br e grande foco em redes sociais, utilizando Twitter e Facebook como principais ferramentas de ativação. Blogs, Os outros canais das redes sociais onde a Plugme tem presença também divulgam a campanha: Orkut, MySpace, You Tube e Flickr.

A Plugme

A editora Plugme faz livros para ouvir. Um meio prático e moderno de se adquirir cultura.

Os audiolivros Plugme são versões em áudio de campeões em vendas, narradas e interpretadas por locutores profissionais, atores ou personalidades. São obras como Vale Tudo – Tim Maia, de Nelson Motta, narrado pelo autor; O Mago, de Fernando de Morais, na voz de José Mayer; Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D Yalom, narrado por José Wilker; A Vida Como Ela é, de Nelson Rodrigues, narrado por Milton Gonçalves e outros 90 títulos.


Outras características dos audiolivros Plugme:


- Efeitos sonoros e músicas que ajudam o ouvinte a entrar no clima da narrativa;


- Mobilidade: você pode ouvir os audiolivros em CD ou salvar os arquivos MP3 em seu MP3 Player para ouvir onde quiser;


- Preços competitivos: podem ser baixados a partir de R$ 6,90;


- Linha Infantil com 30 títulos selecionados, como O Pequeno Príncipe, Aladim e Marley, o cãozinho trapalhão.


Conheça toda a linha de audiolivros Plugme no site www.plugme.com.br.


Links:


Site da Campanha: www.euadoroengarrafamento.com.br


Página da Campanha no Facebook: http://www.facebook.com/#!/pages/Eu-Adoro-Engarrafamento/113365992008411?ref=sgm


Perfil Plugme no Facebook: http://www.facebook.com/#!/plugme


Plugme no Twitter: http://twitter.com/plugmeaudiobook


Comunidade Plugme no Orkut: www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=54738084


Plugme no MySpace: www.myspace.com/plugmeaudiolivro


Plugme no Flickr: www.flickr.com/people/plugmewww.flickr.com/people/plugme


Plugme no Youtube: www.youtube.com/plugmeaudiolivrowww.youtube.com/plugmeaudiolivro




Abraços!

R.S. Furtado

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Paixão ardente.

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PAIXÃO ARDENTE

La fora, a noite tão linda e fria,
A brisa forte pela janela entrava.
Cá dentro teu corpo, no leito se estendia,
Juntinho e sedento, eu te contemplava.
Com fome de amor, meu corpo explodia,
Ao amanhecer, a gente se amava.

O tempo passou tão rapidamente,
É chegada a hora da separação.
Me abraças, me beijas, tão loucamente,
Acendendo as chamas de uma louca paixão.
Com os corpos trêmulos, então novamente,
Amamos, amamos, rolando no chão.

Nosso amor tão sincero e sublime,
Com nenhum outro pode se comparar.
Tão lindo e brilhante como uma vitrine,
É um amor que igual ninguém vai encontrar.
O senhor nos criou, nos uniu e previne,
Que nada na vida pode nos separar.

R.S. Furtado

Este poema foi postado no dia 15/03/09.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Promessa de amor/Homo angolensis.

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PROMESSA DE AMOR

Construirei para ti uma casa terrestre,
feita de pão e luz e música,
onde caibas apenas tu
e não haja espaço para os intrusos

E quando, à noite nos amarmos,
como se amaram
o primeiro homem e a primeira mulher,
mandarei que repiquem os tambores

- para que saibam todos que voltaram ao mundo
o primeiro homem e a primeira mulher.

HOMO ANGOLENSIS

Mastiga a própria desgraça
com ela improvisa uma farra
precisa de uma boa maka
como do ar para respirar
acha o mundo demasiado pequeno
pró seu coração
ri à toa fornica por disciplina
revolucionária
jura que um dia será potência
gosta de funje todos os sábados
e foge do trabalho na segunda
mas fica limão
quando lhe querem abusar

João Melo

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João Melo é escritor, jornalista, publicitário e professor. Nasceu em Luanda em 1955. Estudou Direito em Coimbra e em Luanda. Licenciou-se em Comunicação Social e fez o mestrado em Comunicação e Cultura no Rio de Janeiro.

Dirigiu vários meios de comunicação angolanos, estatais e privados. Membro fundador da União dos Escritores Angolanos (UEA), ocupou diversos cargos de responsabilidade nos respectivos órgãos sociais tais como secretário-geral, presidente da Comissão Directiva e presidente do Conselho Fiscal.

Atualmente, é diretor de uma agência de comunicação, dá aulas em duas universidades privadas e é deputado à Assembleia Nacional.


Definição, 1985, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Fabulema, 1986, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Poemas Angolanos, 1989, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Tanto Amor, 1989, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Canção de nosso tempo, 1991, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
O Caçador de Nuvens, 1993, Luanda, União dos Escritores Angolanos;
Limites e Redundâncias, 1997, Luanda, União dos Escritores Angolanos.


Fonte: html.editorial-caminho.pt

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sensibilidade.

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SENSIBILIDADE

Vamos. Esquece a nuvem passageira
Que tentou perturbar-nos a quietude.
Não quiseste magoar. Foi brincadeira.
Eu quis suster as lágrimas; não pude.

Às vezes, sem que a gente saiba ou queira,
A própria essência humana nos ilude,
E uma frase espontânea e traiçoeira,
Por ser irrefletida é quase rude...

O próprio amor quando exaltado fala
A uma alma de mulher, pode magoá-la,
Que as mulheres têm alma de cristal.

E às vezes nosso absurdo sentimento,
Faz um pequeno desentendimento
Mais doloroso que uma dor banal.

Anna Amélia

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Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça nasceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1896. Poetisa, tradutora e feminista carioca, teve seus poemas e crônicas publicados pelos mais importantes jornais do país. Atuou em defesa dos direitos das mulheres e nas iniciativas promovidas pela FBPF. Participou da Associação Damas da Cruz Verde que criou a maternidade Pró-Matre. Ajudou a fundar a Casa do Estudante do Brasil e a Associação Brasileira de Estudantes. Foi a primeira mulher membro de um tribunal eleitoral do país. Traduziu poemas do inglês, francês e alemão, inclusive duas peças de William Shakespeare. Foi a fundadora da Casa do Estudante do Brasil (CEB), juntamente com Pascoal Carlos Magno, localizada na Praça Ana Amélia, no Centro do Rio de Janeiro, e foi sua presidente vitalícia até a sua morte em 1971.

Nascida na então Capital Federal brasileira, filha do engenheiro e colecionador José Joaquim de Queiroz Júnior, Anna Amélia passou a infância no interior de Minas Gerais e foi educada por preceptoras brasileiras, inglesas e alemãs. Ao retornar ao Rio, passa a viver com a família na Estrada Nova da Tijuca. Casou-se com Marcos Carneiro de Mendonça, goleiro e historiador. A partir de 1944 o casal passou a residir em um palacete do século 19 no bairro do Cosme Velho, conhecido como "A Casa dos Abacaxis", por conta dos adornos em ferro fundido que ainda hoje decoram a balaustrada das janelas frontais do solar. A mansão foi erguida em 1843 pelo bisavô de Anna Amélia, o comendador Borges da Costa.

Em seu segundo livro "Alma", em 1926, a poetisa introduziu o tema do futebol na poesia brasileira e colaborou a seu modo para difundir e popularizar esse esporte. Ensinava o jogo aos operários da fábrica de seu pai e dava instruções preciosas durante as partidas. Desde muito jovem era entusiasta do esporte: no seu 12º aniversário, pediu aos pais como presente, uma bola, uma botina de sola grossa e começou a treinar.


Anna Amélia e Marcos tiveram três filhos, sendo a mais nova a crítica teatral Bárbara Heliodora.


Fontes: “A Excelência das Boas Maneiras” – Casa Publicadora Brasileira – 3ª edição - 1964 e Wikipédia.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O Tratado da Alma.

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ARISTÓTELES E O TRATADO DA ALMA


322 a.C.Aristóteles (384-322) filósofo grego, deixa um Tratado da Alma, sendo, por isso, considerado o “pai da Psicologia”. No Tratado da Alma estuda Aristóteles as diversas atividades dos seres viventes: nutrição, movimento local, sensação e intelecto. O estudo destas atividades é para entender a natureza da alma. Para estabelecer sua própria noção, começa Aristóteles com a noção geral da substância, para chegar ao conceito de corpo natural orgânico, dotado de vida. Assim se pode distinguir: o corpo, que é a matéria em potência para a vida; a alma, que é o ato que dá vida ao corpo; e, por fim, o ser vivente, ser substancial, que consta de corpo orgânico e de alma. Em síntese, “a alma é a causa e o princípio de um corpo vivo. A alma é o que dá o ser ao corpo; para receber a alma se forma o corpo, que é como instrumento da alma, a cuja natureza se acomoda; e da alma provém o movimento corporal.“ A alma é, por conseguinte, o princípio que explica a organização e estrutura do corpo, que se faz instrumento apropriado para suas atividades específicas.


Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, página 40.

domingo, 13 de junho de 2010

Ismália.

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ISMÁLIA

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Alphonsus de Guimaraens

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Poeta em que devoção e equilíbrio se dão as mãos desde o início, Alphonsus de Guimaraens foi mestre de um lirismo místico, em que busca e sublima a amada entre o luar e as sombras, o amor e a morte. Afonso Henriques da Costa Guimarães nasceu em Ouro Preto MG em 24 de julho de 1870. Estudou engenharia e direito. Apaixonou-se por sua prima Constança, que morreu logo depois. Em São Paulo, colaborou na imprensa e freqüentou a Vila Kyrial, de José de Freitas Vale, onde se reuniam os jovens simbolistas.

Em 1895, no Rio de Janeiro, conheceu Cruz e Souza. Foi juiz e promotor em Conceição do Serro MG. De seus livros, os três primeiros foram publicados no mesmo ano (1899): Dona mística, Câmara ardente e o Setenário das dores de Nossa Senhora. Foi escrito antes, no entanto, o Kyriale (1902), sua coletânea mais representativa. Seguiram-se Pauvre lyre e Pastoral aos crentes do amor e da morte (1923). Um dos principais representantes do movimento simbolista no Brasil, sua obra, de influência francesa (Verlaine, Mallarmé -- que traduziu), adquire com freqüência acentos arcaizantes e de envolvente conteúdo lírico, uma vez que o exprime num misticismo enraizado no fundo da subjetividade e, desse modo, como uma compulsão do inconsciente.

Em ritmo elegíaco e de solene musicalidade, multiplica a imagem da amada: são "Sete damas", são "As onze mil virgens", Ester, Celeste, Nossa Senhora (com quem identifica Constança), ou a célebre "Ismália". Oscila, assim, entre os indícios materiais da morte e a expectativa do sobrenatural, como se toda a sua poesia se fizesse em variações de um mesmo réquiem. Mas a evolução da linguagem é permanente e a tendência a um barroco discreto -- de Ouro Preto, Mariana -- se flexibiliza, se inova com acentos verlainianos, mallarmaicos, de que brotam imagens muitas vezes ousadas, não longe da invenção surrealista. Alphonsus de Guimaraens morreu em Mariana MG em 15 de julho de 1921.


Fonte: www.omelhordaweb.com.br

sábado, 12 de junho de 2010

Identidade.

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IDENTIDADE

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto

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António Emílio Leite Couto, escritor moçambicano, passou a ser conhecido como Mia Couto por culpa de seu irmão menor, que não conseguia pronunciar direito o Emílio. Mas, segundo o próprio autor, o apelido também tem muito a ver com sua paixão por felinos. Quando pequeno, dizia a seus familiares que queria ser um gato (sem alusão à moderna acepção utilizada pelas mocinhas brasileiras). Nasceu na Cidade da Beira (Moçambique) em 1955, filho de uma família de emigrantes portugueses. Publicou os primeiros poemas no "Notícias da Beira", com 14 anos. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques para estudar Medicina. A partir de 1974, começou a fazer jornalismo, tal como o pai. Com a independência de Moçambique, tornou-se director da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Dirigiu também a revista semanal "Tempo" e o jornal "Notícias de Maputo".

Em 1985 formou-se em Biologia pela Universidade Eduardo Mondlane. Foi também durante os anos 80 que publicou os primeiros livros de contos. Estreou-se com um livro de poemas, "Raiz de Orvalho" (1983), só publicado em Portugal em 1999. Depois, dois livros de contos: "Vozes anoitecidas" (1986) e "Cada Homem é uma Raça" (1990). Em 1992 publicou o seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula". A partir de então, apesar de conciliar as profissões de biólogo e professor, nunca mais deixou a escrita e tornou-se um dos nomes moçambicanos mais traduzidos: espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, norueguês e holandês são algumas línguas. Outros livros do autor: "Estórias Abensonhadas" (1994); "A Varanda do Frangipani" (1996); "Vinte e Zinco" (1999); "Contos do Nascer da Terra" (1997); "Mar me quer" (2000); "Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos" (2001); "O Gato e o Escuro" (2001); "O Último Voo do Flamingo" (2000); "Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra" (2002). "O Fio das Missangas" (2004) é o seu último livro de contos.

Em 1999 foi vencedor do prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra, um dos mais conceituados prémios literários portugueses, no valor cinco mil euros, que já premiou Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho e Eduardo Lourenço, entre outros. Em 2001, recebeu também o Prémio Literário Mário António (que distingue obras e autores dos países africanos lusófonos e de Timor-Leste) atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian por "O Último Voo do Flamingo" (2000).


Fonte: lugardaspalavras.no.sapo.pt

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Meu lindo Sabiá.

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MEU LINDO SABIÁ

Vós que cantais no alto da laranjeira,
Externando ao mundo a vossa melodia.
Sem temerdes a ação da baladeira,
Que pra vós por certo, faz pontaria.

Refletis no canto vossa real beleza,
Que a todos encantam, sois maravilhoso.
Impondes vossa formosura e realeza,
Ao cantardes, sois magno, sois valoroso.

Ouvir-vos é terno, é sagrado, é sublime,
Que até aos ímpios e impuros redime,
Gorjeio igual neste mundo não há.

Deis a mim a honra de feliz primazia,
De ouvir vosso canto como uma magia,
Venhais a mim e canteis meu lindo Sabiá.

R.S. Furtado.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ó Angola meu berço do infinito.

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Ó ANGOLA MEU BERÇO DO INFINITO

Ó Angola meu berço do Infinito
meu rio da aurora
minha fonte do crepúsculo
Aprendi a angolar
pelas terras obedientes de Maquela
(onde nasci)
pelas árvores negras de Samba-Caju
pelos jardins perdidos de Ndalatandu
pelos cajueiros ardentes de Catete
pelos caminhos sinuosos de Sambizanga
pelos eucaliptos das Cacilhas
Angolei contigo nas sendas do incêndio
onde os teus filhos comeram balas
e
regurgitaram sangue torturado
onde os teus filhos transformaram a epiderme
em cinzas
onde das lágrimas de crianças crucificadas
nasceram raças de cantos de vitória
raças de perfumes de alegria
E hoje pelos ruídos das armas
que ainda não se calaram pergunto-me:
Eras tu que subias montanhas de exploração?
que a miséria aterrorizava?
que a ignorância acompanhava?
que inventariavas os mortos
nos campos e aldeias arruinados
hoje reconstituídos nos escombros?
A resposta está no meu olhar
e
nos meus braços cheios de sentidos
(Angola meu fragmento de esperança)
deixai-me beber nas minhas mãos
a esperança dos teus passos
nos caminhos de amanhã
e
na sombra d'árvore esplendorosa.)


João Maimona

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João Maimona nasceu a 08 de Outubro de 1955, em Kibocolo, Maquela do Zombo. Estudou humanidades científicas em Leopoldeville. Em 1978, fixou residência na província do Huambo, onde se licenciou em medicina veterinária. É diplomado em Estudos Superiores Especializados de Virologia Médica e Epidemiologia Animal, pelo Instituto Pasteur de Paris e pela Ecole Nationale Veterinaire d'Alfort, França. É quadro do Ministério de Agricultura e do Desenvolvimento Rural e desempenhou as funções de Director Nacional do Instituto de Investigação Veterinária (I.I.V.), de 1991 a 1993.

É assistente da Universidade Agostinho Neto. Foi membro fundador da Brigada Jovem de Literatura do Huambo. É membro da União dos Escritores Angolanos. É deputado à Assembleia Nacional. Em 1984, arrebatou o prémio Sagrada Esperança com o livro de poesia Trajectória Obliterada. Em 1987, foi distinguido com a medalha de bronze no concurso internacional de poesia, organizado pela Academia Brasileira de Letras, na cidade do Rio de Janeiro. Tem colaboração dispersa pela imprensa angolana e estrangeira. Figura na Antologia No Caminho Doloroso das Coisas (1988).

Obras publicadas: Trajectória Obliterada (poesia, 1985); Les Rose Perdues de Cunene (poesia, 1985); Traço de União (poesia, 1987, 1990); Diálogo com a Peripécia (teatro, 1987); As Abelhas do Dia (poesia, 1988, 1990); Quando se ouvir o sino das sementes (poesia, 1993), Idade das Palavras (poesia, 1997)


Fonte: www.nexus.ao

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dedicatórias.

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DEDICATÓRIAS

I

Já que por terras estranhas
Acompanhar-vos não posso,
Deste fraco amigo vosso
Levai o fiel retrato.
Tem o nariz muito chato
E a boca um pouco torta...
Mas isto bem pouco importa.
Para que ninguém o veja,
Ponde-o a tomar cerveja
Por detrás de alguma porta...

II

Amigo, não faças caso
Deste retrato tão feio.
Ele é meu, e não alheio:
Eu sou um soldado raso;
Porém, se feio é o vaso,
O conteúdo é bonito.
Eu sou um pobre proscrito,
Que só, no meio da calma,
Solto o brado de minha alma:
— Independência! — eis meu grito.

Bernardo Guimarães.


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Bernardo Joaquim da Silva Guimarães nasceu em Ouro Preto a 15 de agosto de 1825 e morreu em 10 de março de 1884 na mesma localidade. Apesar de ser mais conhecido pelos seus romances, de cunho essencialmente regional, foi também jornalista, contista e poeta. Inseparável de um espírito boêmio, que caracterizou toda a sua vida e parte da sua obra, tornou-se famoso pelos ditos humorísticos, pelas artimanhas com que ludibriava os amigos e pela predileção com que se entregava às bebidas espirituosas. Formado em Direito, chegou a exercer as funções de Juiz numa cidade de Goiás.

Porém, pouco tempo se manteve nesse cargo, pois deliberou, certa vez, absolver e dar liberdade a todos os presos da cidade. Dedicou-se depois ao magistério, lecionando em Ouro Preto. Nunca abandonou, em toda a sua vida, a dedicação à literatura, nem diminuiu a atividade intelectual.

A primeira obra que escreveu, Cantos da Solidão (1852), é considerada por alguns críticos a sua obra-prima, em poesia. Depois disso, publicou: Poesias (1865); O Ermitão do Muquem, romance (1871); Lendas e Romances, novelas (idem); O Garimpeiro e O Seminarista, romances (1872); O índio Afonso, romance (1873); A Escrava Isaura, romance (1875); Novas Poesias (1876); Maurício, romance (1877); A Ilha Maldita, O Pão de Ouro, romances (1879); Rosa ura, a Enleitada, romance (1883) e Fôlhas de Outono, poesias (idem).

Escreveu ainda um opúsculo de poesias licenciosas, intitulado O Elixir do Pajé, que foi impresso sub-repticiamente, dada a índole do seu conteúdo e do qual se conhecem muito poucos exemplares. Um deles, considerado "raríssimo", figura na "Coleção Adir Guimarães" da Biblioteca Central da Universidade do Brasil. Bernardo Guimarães é o patrono da Cadeira N.º 5 da Academia Brasileira de Letras.


Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Origem da Literatura Portuguêsa.

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ORIGEM DA LITERATURA PORTUGUÊSA

1189Paio Soares de Taveiros inaugura a Literatura Portuguêsa. Suas poesias constituem o primeiro documento literário das terras henriquinas. Esse referido documento é uma peça lírica, dedicada a Dona Maria Paes de Barros (a Ribeirinha), dama da corte de D. Sancho I. É a seguinte:

CANTIGA D’AMOR

Como moireu quem nunca bem
ouve de ren que mais amou,
e quem viu quando receou
dela e foi morta por én,
ái, mia senhor, assi moireu!

Como moireu quem foi amar
quem lhe nunca quis bem fazer,
e de quem lhe fez Deos veer
de quem foi morto com pesar,
ái, mia senhor, assi moireu!

Com’ome que ensandeceu
Senhor, com gran pesar que viu
e non foi ledo nem dormiu
depois, mia senhor, e moireu
ái, mia senhor, assi moireu!

Como moireu quem amou tal
dona que lhe nunca fez ben,
e quem a viu levar a quen
a non valia, nem a val,
ái, mia senhor, assi moireu!


A poesia portuguesa se origina de Provença (antiga província da França, capital: Aix), com influência do Zejel, forma poética do árabe vulgar e do Moaxaba, forma poética do árabe clássico. O árabe vulgar repousa na existência do Cancioneiro de Abencuzman. Ora, os hispano-romanos, os hispano-godos e os hispano-árabes constituem as três fases sociais que se caldearam, formando a raça portuguesa. Os árabes influenciaram tanto a Espanha como Portugal com sua arte rica e colorida, na Literatura, na Música, na Pintura, nas danças, na Arquitetura e até na Culinária, além das influências esportivas, como a equitação, etc. e, na Ciência, a navegação e a Astronomia, de que eram verdadeiros sábios. Introduziram ainda na Europa os algarismos arábicos, extraídos da Geometria, visto que os números um, dois, três, possuíam um, dois, três ângulos e, nessa sequência de valores, até o numero nove, de modo que o zero ficou sem valor, isolado, por não ter ângulo.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, páginas 74/76.

domingo, 6 de junho de 2010

Epigramas.

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  O barão do Rio Branco adotou o bacuri como sobremesa dos grandes banquetes oficiais do Itamaraty.

EPIGRAMAS

Os camelos já não andam
Por desertos descampados
No Brasil dançam, namoram,
Vivem nos salões dourados.

O Barão de Bacuri
Encontrou no seu brasão
Desarmado de unha e língua
Um negríssimo leão!

Disse à esposa isso é comigo,
Quanto à língua, que não falo;
Quanto às unhas, é lisonja
Do Rei d’armas, e eu me calo.

Porto-Alegre

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Manuel José de Araújo Porto-Alegre (barão de Santo Ângelo), poeta, pintor, professor, jornalista, diplomata e teatrólogo, nasceu em José do Rio Pardo, RS, em 29 de novembro de 1806, e faleceu em Lisboa, Portugal, em 30 de dezembro de 1879. É o patrono da Cadeira nº 32, por escolha do fundador Carlos de Laet.

Era filho de Francisco José de Araújo e de Francisca Antônia Viana. Em 1826 veio para o Rio estudar pintura com Debret na Academia de Belas Artes, cursando também a Escola Militar e aulas de anatomia do curso médico, além de Filosofia. Em 1831, graças a uma subscrição promovida por Evaristo da Veiga, e à proteção dos Andradas, seguiu Debret à Europa, a fim de aperfeiçoar-se como pintor. Ligado a Garrett, foi porventura quem orientou os patrícios chegados a Paris interessados pelo Romantismo. De volta ao Rio, desenvolveu intensa atividade artística, educacional, administrativa e literária. Colaborou com Domingos de Magalhães na criação da revista "Niterói" (1836) e fundou com Joaquim de Macedo e Gonçalves Dias a revista "Guanabara" (1849), veículos que abrigaram os grupos iniciais do Romantismo no Brasil. Em 1858 ingressou na carreira consular, servindo como cônsul do Brasil na Prússia, com sede em Berlim, depois na Saxônia, com sede em Dresden (1860-1866), e finalmente em Lisboa (1866-1879), onde veio a falecer.

Escreveu artigos, biografias, peças de teatro, estudos políticos, poesias, que ainda não foram todas reunidas, tendo ele publicado as principais nas "Brasilianas" (1863). Pseudônimo: Tibúrcio do Amarante. Fez parte do primeiro grupo romântico brasileiro, cuja poesia é marcada por um forte nacionalismo. Abandonou a mitologia clássica em proveito da temática nacional. A sua empresa literária, contudo, foi o poema épico "Colombo", em que trabalhou desde 1840, publicando episódios em revistas da época a partir de 1850. Endeusava reverentemente o amigo Domingos de Magalhães, atribuindo-lhe a chefia da "regeneração das nossas letras", mas tinha ele mesmo a noção da influência da sua obra como início da cor local nativista.


Fontes: “Poetas Românticos Brasileiros” – Editora Amadio – e “Academia Brasileira de Letras”.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sem ninguém.

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SEM NINGUÉM

O sol se foi.
A noite vem,
Sozinho neste quarto,
Estou sem ninguém.

A noite passa,
Sem emoção.
Tristonho e amargurado,
Vivo nesta solidão.

Você partiu,
Não disse adeus.
E nem sequer pensou,
Nos sofrimentos meus.

Fico pensando,
Nos meus fracassos.
E que neste momento,
Estás em outros braços.

Jamais pensei,
Que era paixão.
O amor que tinha,
Em seu coração.

Sei, só resta agora me resignar,
Tenho certeza, não vais mais voltar,
Devo apagar do peito esta ilusão.
Sei que em outros braços você vai ficar,
Devo botar outra em seu lugar,
Matar a dor que sinto no meu coração.

R.S. Furtado.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Era uma vez.

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ERA UMA VEZ

Vôvô Bartolomé, ao sol que se coava da mulembeira
por sobre a entrada da casa de chapa,
enlanguescido em carcomida cadeira
vivia
- relembrando-a -
a história de Teresa mulata

Teresa Mulata!

essa mulata Teresa
tirada lá do sobrado
por um preto d'Ambaca
bem vestido,
bem falante,
escrevendo que nem nos livros!

Teresa Mulata
- alumbramento de muito moço -
pegada por um pobre d'Ambaca
fez passar muitas conversas
andou na boca de donos e donas...

Quê da mulata Teresa?

A história da Teresa mulata...
Hum...
Vôvô Bartolomé enlanguescido em carcomida cadeira adormeceu
o sol coando das mulembeiras veio brincar com as moscas nos
lábios
ressequidos que sorriem
Chiu! Vôvô tá dormindo!
O moço d'Ambaca sonhando...

António Jacinto

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António Jacinto do Amaral Martins nasceu no Golungo Alto, Angola, em 28 de Setembro de 1924. Conclui seus estudos licencias em Luanda, passando a trabalhar como funcionário de escritório.

Destacou-se como poeta e contista da geração Mensagem e, como membro do Movimento de Novos Intelectuais de Angola. tendo colaborado com produções suas em diversas publicações nomeadamente "Notícias do Bloqueio", "Itinerário", "O Brado Africano".

Como contista, por vezes, usava o nome literário de Orlando Távora, como também o de Kiaposse.

Por questões políticas foi preso em 1960 sendo desterrado para Campo de do Tarrafal, em Cabo Verde, onde cumpriu pena até 1972, quando foi transferido para Lisboa, em regime de liberdade condicional, por cinco anos, onde exerceu a função de técnico em contabilidade. Em 1973 evadiu-se de Portugal e foi para Brazzaville, onde se juntou à guerrilha do MPLA.

Após a independência de Angola foi co-fundador da União de Escritores Angolanos, e participou activamente na vida política e cultural angolana, sendo Ministro da Cultura de 1975 a 1978.

Ganhou vários prémios, nomeadamente o Prémio Noma, Prémio Lotus da Associação dos Escritores Afro-Asiáticos e Prémio Nacional de Literatura.
.
Em 1993, o Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD), instituiu em sua homenagem o “Prémio António Jacinto de Literatura”.

Morreu em 23 de Junho de 1991.


Publicou:
Poemas(1961),
Vovô Bartolomeu (1979),
Poemas (1982, edição aumentada),
Em Kilunje do Golungo (1984),
Sobreviver em Trrafal de Santiago (1985; 2ªed.1999),
Prometeu (1987),
Fábulas de Sanji (1988).


Fontes:
http://betogomes.sites.uol.com.br/AntonioJacinto.htm
http://www.lusofoniapoetica.com/index.php/content/category/6/29/304/
http://bracosaoalto.blogspot.com/
http://www.angoladigital.net/

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Descrição do Recife de Pernambuco.

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DESCRIÇÃO DO RECIFE DE PERNAMBUCO

Pera a parte do sul, onde a pequena
Ursa se vê de guardas rodeada,
Onde o céu luminoso, mais serena,
Tem sua influição, e temperada.
Into da nova Lusitânia ordena
A natureza mãe bem atentada,
Um porto tão quieto e tão seguro,
Que para as curvas naus serve de muro.
É este porto tal, por estar posta
Uma cinta de pedra inculta e viva,
Ao longo da soberba e larga costa,
Onde quebra Netuno a fúria esquiva.
Entre a praia e a pedra descomposta
O estanhado elemento se deriva
Com tanta mansidão, que uma fateixa
Basta ter à fatal Argos aneixa.
Em o meio desta obra alpestre e dura
Uma boca rompeu o mar inchado,
Que na língua dos bárbaros escura
Paranambuco – de todos é chamado:
De – Paraná – que é Mar, – Puca, rotura;
Feita com fúria desse mar salgado,
Que, sem no derivar cometer míngua,
Cova do mar se chama em nossa língua.
Para a entrada da barra, à parte esquerda,
Está uma lajem grande e espaçosa,
Quede piratas fora total perda,
Que uma torre tivera suntuosa.
Mas quem por seus serviços bons não herda,
Desgosta de fazer cousa lustrosa;
Que a condição do rei, que não é franco,
O vassalo – faz ser nas obras manco...
Sendo os deuses à lajem já chegados,
Estando o vento em calma, o mar quieto,
Depois de estarem todos sossegados,
Por mandado do rei, e por decreto.
Proteu no céu, c'os olhos enlevados,
Como que investiga alto secreto,
Com voz bem entoada, e bom meneio,
Ao profundo silêncio, larga o freio.

Bento Teixeira

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Bento Teixeira, poeta português nascido 1560 na cidade do Porto, Portugal, autor do primeiro poema épico da literatura brasileira, "Prosopopéia", sobre a conquista de Pernambuco, marco inicial do barroco na nossa literatura, e também sua única obra. Filho de cristãos-novos, a família transferiu-se para a capitania do Espírito Santo, na então colônia do Brasil (1567).

Estudou em colégios jesuítas, tentou seguir a carreira eclesiástica, mas desistiu e casou-se com a cristã Filipa Raposa (1584), em Ilhéus, BA. Formou-se no Colégio da Bahia e transferiu-se em seguida para Pernambuco, onde se dedicou ao magistério, à advocacia e ao comércio. Acusado pela mulher de judeu e mau cristão, foi julgado e absolvido pelo ouvidor da Vara Eclesiástica da Inquisição (1589), depois de levado a auto-de-fé. Depois foi intimado pelo visitador do Santo Ofício, ao qual fez sua confissão (1594). Revoltado, assassinou a mulher (1594) e se refugiou no mosteiro de São Bento, em Olinda.

Preso durante frustrada tentativa de fuga, foi enviado para Lisboa (1595), onde inicialmente negou, mas depois admitiu a crença e prática judaicas, que abjurou em auto-de-fé (1599). Na prisão em Lisboa, de onde não mais sairia vivo, o autor fez sua composição de elogio aos primeiros donatários de Pernambuco no poema épico "Prosopopéia" (1601), considerada uma expressão pioneira do nativismo. Tratava-se de uma composição em oitava rima, com 94 estrofes, exaltando a obra de Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, obedecendo ao modelo Camoniano, considerada cansativa e laudatória, de valor puramente histórico. Faleceu em Lisboa em 1618.


Fonte: www.dec.ufcg.edu.br
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