segunda-feira, 31 de maio de 2010

Amante.

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AMANTE

"Basta, criança! Não soluces tanto...
Enxuga os olhos, meu amor, enxuga!
Que culpa tem a clícia descaída
Se abelha envenenada o mel lhe suga?

"Basta! Esta faca já contou mil gotas
De lágrimas de dor nos teus olhares.
Sorri, Maria! Ela jurou pagar-tas
No sangue dele em gotas aos milhares.

"Por que volves os olhos desvairados?
Por que tremes assim, frágil criança?
Est'alma é como o braço, o braço é ferro,
E o ferro sabe o trilho da vingança.

"Se a justiça da terra te abandona,
Se a justiça do céu de ti se esquece,
A justiça do escravo está na força...
E quem tem um punhal nada carece!...

"Vamos! Acaba a história... Lança a presa...
Não vês meu coração, que sente fome?
Amanhã chorarás; mas de alegria!
Hoje é preciso me dizer — seu nome!"

Castro Alves


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Antônio de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847 na comarca de Cachoeira, na Bahia, e faleceu a 06 de julho de 1871, em Salvador, no mesmo estado brasileiro. Fez o curso primário no Ginásio Baiano. Em 1862 ingressou na Faculdade de Direito de Recife. Datam desse tempo os seus amores com a atriz portuguesa Eugênia Câmara e a composição dos primeiros poemas abolicionistas: "Os Escravos" e "A Cachoeira de Paulo Afonso", declamando-os em comícios cívicos.


Em 1867 deixa Recife, indo para a Bahia, onde faz representar seu drama: "Gonzaga". Segue depois para o Rio de Janeiro, recebendo aí incentivos promissores de José de Alencar, Francisco Otaviano e Machado de Assis.


Em São Paulo, encontra nas Arcadas a mais brilhante das gerações, na qual se contavam Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Bias Fortes e tantos outros. Vive, então, os seus dias de maior glória.


A 11 de novembro de 1868, em caçada nos arredores de São Paulo, feriu o calcanhar esquerdo com um tiro de espingarda, resultando-lhe a amputação do pé. Sobreveio, em seguida, a tuberculose, sendo obrigado a voltar à Bahia, onde veio a falecer.


Castro Alves pertenceu à Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerado a maior expressão da época. Sobre o grande poeta, Ronald de Carvalho diz: "- mais perto andou da alma nacional e o que mais tem influído em nossa poesia, ainda que, por todos os modos, tentem disfarçar essa influência, na verdade sensível e profunda".


Suas obras: "Espumas Flutuantes", "Gonzaga ou A Revolução de Minas", "Cachoeira de Paulo Afonso", "Vozes D'África", "O Navio Negreiro", etc.


Fonte: orbita.starmedia.com

sábado, 29 de maio de 2010

Brasil hexa.

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BRASIL HEXA

Vai fundo Brasil, mostra a tua raça,
Futebol tens demais, chega ser uma graça,
Ensina este povo, tudo que és capaz.
Na África que hoje, é uma mistura de raça,
Como bravos heróis vão trazer essa taça,
Para nós brasileiros, o que nos satisfaz.

Vai fundo Brasil, massacra e arrebenta,
No gramado jogando, ninguém te aguenta,
Pois no mundo da bola, és o maioral.
Aqui na terrinha, a torcida esquenta,
Na espera do hexa, a tensão só aumenta,
Pra na volta festejar, com o maior carnaval.

R.S. Furtado.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Fragmento.

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FRAGMENTO

O mundo é uma mentira, a glória - fumo,
A morte - um beijo, e esta vida um sonho
Pesado ou doce, que s'esvai na campa!

O homem nasce, cresce, alegre e crente
Entra no mundo c'o sorrir nos lábios,
Traz os perfumes que lhe dera o berço,
Veste-se belo d'ilusões douradas,
Canta, suspira, crê, sente esperanças,
E um dia o vendaval do desengano
Varre-lhe as flores do jardim da vida
E nu das vestes que lhe dera o berço
Treme de frio ao vento do infortúnio!
Depois - louco sublime - ele se engana,
Tenta enganar-se p'ra curar as mágoas,
Cria fantasmas na cabeça em fogo,
De novo atira o seu batel nas ondas,
Trabalha, luta e se afadiga embalde
Até que a morte lhe desmancha os sonhos.
Pobre insensato - quer achar por força
Pérola fina em lodaçal imundo!
- Menino louro que se cansa e mata
Atrás da borboleta que travessa
Nas moitas do mangal voa e se perde!...

Casimiro de Abreu

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Casimiro José Marques de Abreu, poeta brasileiro, nasceu no dia 4 de Janeiro de 1839, em Barra de São João, no Estado do Rio, e morreu no dia 18 de outubro de 1860, em Nova Friburgo.

Iniciou seus estudos em Nova Friburgo no Colégio Freese.

Em 1853, Casimiro embarcou para Lisboa deixando seu pai, português, José Joaquim Marques de Abreu, no Rio, onde era comerciante. Viveu 04 anos em Portugal, onde contraiu tuberculose.

Poeta nostálgico, sua solidão deu estímulo à sua vida poética. Dirigiu-se para a terra de Nova Friburgo, vindo a falecer na fazenda lndaiaçu. Seus primeiros versos, foram inspirados e baseados na saudade. Diz Casimiro de Abreu: "estando em minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o titulo "Ave Maria" Sua vocação foi contrariada por seu pai, que o obrigou a trabalhar em sua loja, privando-o das oportunidades de desenvolver sua vocação artística.

O poeta relata os seus desgostos: foi em setembro, sufocando o grito de lamento; contrariada foi a minha vocação, sentei-me à carteira do escritório e abracei-me à vida comercial, vida vulgar que esgota todas as faculdades.

Escreveu as seguintes obras: Camões e o Jau, teatro (1856); Carolina, romance (1856); Camila, romance inacabado (1856); A virgem loura Páginas do coração, prosa poética (1857); "As primaveras" (1859). Foram reunidas na Obras de Casimiro de Abreu, edição comemorativa do centenário do poeta; organização, apuração do texto, escorço biográfico e notas por Sousa da Silveira.

Casimiro foi convidado para patrono da cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras. Sua obra mais famosa é o livro "Primaveras".


Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Martírio.

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MARTÍRIO

Beijar-te a fronte linda:
Beijar-te o aspecto altivo:
Beijar-te a tez morena:
Beijar-te o rir lascivo:

Beijar o ar, que aspiras:
Beijar o pó, que pisas:
Beijar a voz, que soltas:
Beijar a luz, que visas:

Sentir teus modos frios:
Sentir tua apatia:
Sentir até repúdio:
Sentir essa ironia:

Sentir que me resguardas:
Sentir que me arreceias:
Sentir que me repugnas:
Sentir que até me odeias:

Eis a descrença e crença,
Eis o absinto e a flor,
Eis o amor e o ódio,
Eis o prazer e a dor!

Eis o estertor de morte,
Eis o martírio eterno,
Eis o ranger de dentes,
Eis o penar do inferno!

Junqueira Freire


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Luis José Junqueira Freire nasceu em Salvador (BA), no dia 31 de dezembro de 1832. Filho de José Vicente de Sá Freire e Felicidade Augusta Junqueira, teve a infância e a juventude comprometidas por problemas de ordem cardíaca, fato que o levou a concluir os estudos primários de forma irregular.

Em 1849 matriculou-se no Liceu Provincial, onde cursou Humanidades e se destacou como um excelente aluno, grande leitor e poeta. Por pressões familiares e motivado pelas inconstâncias da própria vida, ingressou na "Ordem dos Beneditinos" dois anos mais tarde, em 1851.

Nas clausuras do Mosteiro de São Bento de Salvador, o jovem Junqueira Freire não manifestava a menor vocação monástica. Este período de sua vida foi repleto de amarguras, revoltas e arrependimentos pela decisão irrevogável que tomara. Porém, pôde fazer suas leituras preferidas e dedicar-se a escrever poemas, além de atuar como professor atendendo pelo nome de Frei Luís de Santa Escolástica Junqueira Freire.

No ano de 1853 pediu a secularização que seria outorgada apenas no ano seguinte. Este recurso que lhe permitiria libertar-se das disciplinas monásticas, embora ainda permanecesse sacerdote por força dos votos perpétuos. Assim, recolheu-se a casa de sua mãe onde redigiu uma breve autobiografia, que manifestava um agudo senso de auto-análise. Paralelamente, dedicou-se a reunir uma coletânea de seus versos, que viria a ser intitulada "Inspirações do Claustro". Esta obra foi impressa na Bahia pouco tempo antes de sua morte, ocorrida em 24 de junho de 1855, aos 23 anos, motivada pelas enfermidades cardíacas de que sofreu por toda a vida.

Teve como obras: "Inspirações do Claustro" (1855); "Elementos de Retórica Nacional"(1869); Obras, edição crítica por Roberto Alvim, 03 vols. (1944); Junqueira Freire, organizado por Antonio Carlos Vilaça (Coleção Nossos Clássicos, n. 66); "Desespero na Solidão", organizado por Antonio Carlos Vilaça (1976) e "Obra Poética de Junqueira Freire" (1970).

Fonte: www.spectrumgothic.com.br

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O primeiro dicionário.

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O PRIMEIRO DICIONÁRIO

400 aC – Inventa-se o Dicionário. Seu autor é Heládio de Alexandria, mas essa preciosidade se encontra atualmente perdida. Os primeiros dicionários foram usados pelos assírios e babilônios. Não explicavam palavras, porém sinais. Surgiram, assim, os silabários, para explicar os ideogramas. Mas os precursores dos nossos atuais dicionários são os gregos, os quais se afastaram do especial para formular o geral. Outro dicionário mais antigo que se conhece é o de Apolônio de Alexandria, organizado no tempo de Augusto e que contém um glossário de palavras usadas por Homero; depois surgiram outros, tratando das palavras e frases ambíguas, corruptas, bárbaras, estrangeiras ou dialetais dos poetas trágicos e cômicos; outros, sobre termos de culinária, um assunto fascinante para os gregos. De mais fôlego, entretanto, foram o de Heládio de Alexandria e o Dicionário Onomástico de Júlio Pólux, em 10 volumes, que chegou até a nossa época.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, página 35.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Estátua.

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ESTÁTUA

Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, --- frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.

Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado...

Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.

Camilo Pessanha

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Camilo de Almeida Pessanha (1867-1926) nasceu a 07 de Setembro de 1867 em Coimbra, tendo tirado o curso de Direito nessa cidade. Em 1894, transferiu-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor secundário de Filosofia, deixando de leccionar por ter sido nomeado em 1900 conservador do registro predial em Macau e depois juiz de comarca. Levou uma vida de solitário excêntrico.

Doente dos nervos, com antecedentes familiares patológicos, voltou a Portugal algumas vezes em busca de cura, mas, desiludido, voltou definitivamente para Macau em 1915. Os seus poemas, escritos em folhas soltas e oferecidos a pessoas amigas, dispersaram-se ou chegavam mesmo a perder-se, sem que o autor se desse ao cuidado de guardar cópias, sendo no entanto capaz de reproduzi-los de memória quando desejasse. Assim, graças a João de Castro Osório, a quem ditara as suas produções, foi impresso o volume "Clepsidra" (1920), com alguns poemas já publicados em revistas, mas na maioria ainda inéditos. Depois da segunda edição de sua obra (1945), outros inéditos surgiram.

Influenciado a princípio por Cesário Verde e Pierre Balayet, tornou-se o mais puro dos simbolistas portugueses. O contacto com a cultura chinesa levou-o a escrever vários estudos e a fazer traduções de vários poetas chineses. Foram, todavia, os seus poemas simbolistas que largamente influenciaram a geração de Orpheu, desde Mário de Sá-Carneiro até Fernando Pessoa. Camilo Pessanha morreu a 01 de Março de 1926 em Macau, vítima do ópio.


Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

domingo, 23 de maio de 2010

Novo Portal da Ediouro:

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Novo portal da Ediouro:


O novo Portal Ediouro está saindo do forno. Para antecipar o mergulho neste novo mundo de conteúdo, cultura e informações, lançamos o concurso cultural Livros que Mudam Vidas. No total, mil livros serão distribuídos entre os vencedores e as bibliotecas indicadas pelos participantes do concurso.

Para participar do concurso, basta entrar no site www.ediouro.com.br, escolher um livro e responder: “Por que ele mudou sua vida?”. Cada um dos autores das três respostas mais criativas vai receber 60 livros, mais a assinatura por um ano da revista História Viva. E as três bibliotecas que indicarem vão ganhar, cada uma, 210 livros.

Além disso, a biblioteca mais indicada entre todos os participantes do concurso também vai receber 210 livros. Caso já tenha sido agraciada devido à indicação de um dos três vencedores, a segunda mais citada levará o prêmio.

No total, 36 bibliotecas foram pré-listadas. o participante do concurso pode indicar qualquer outra, desde que atenda às especificidades estabelecidas no regulamento. As inscrições tiveram início em 18/5/2010 e seguem até 7/6/2010.


A Ediouro possui atualmente cerca de 7 mil títulos, um dos mais extensos e respeitáveis catálogos da América Latina, com grandes nomes da literatura brasileira e mundial. Reúne diversos selos renomados, como Nova Fronteira, Agir, Thomas Nelson Brasil e Coquetel, além de revistas informativas e de entretenimento.

Boa Sorte!  
 
 R.S. Furtado.

sábado, 22 de maio de 2010

Abrigo celeste.

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ABRIGO CELESTE

Estrela triste a refletir na lama,
Raio de luz a cintilar na poeira,
Tens a graça sutil e feiticeira,
A doçura das curvas e da chama.

Do teu olhar um fluido se derrama
De tão suave, cândida maneira
Que és a sagrada pomba alvissareira
Que para o Amor toda aminh'alma chama.

Meu ser anseia por teu doce apoio,
Nos outros seres só encontra joio
Mas só no teu todo o divino trigo.

Sou como um cego sem bordão de arrimo
Que do teu ser, tateando, me aproximo
Como de um céu de carinhoso abrigo.

Cruz e Sousa.

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João da Cruz e Sousa nasceu no dia 21 de novembro de 1861, em Desterro, atual Florianópolis. Filho de escravos alforriados pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa, seria acolhido pelo Marechal e sua esposa como o filho que não tinham. Foi educado na melhor escola secundária da região, mas com a morte dos protetores foi obrigado a largar os estudos e trabalhar.

Sofre uma série de perseguições raciais, culminando com a proibição de assumir o cargo de promotor público em Laguna, por ser negro. Em 1890 vai para o Rio de Janeiro, onde entra em contato com a poesia simbolista francesa e seus admiradores cariocas. Colabora em alguns jornais e, mesmo já bastante conhecido após a publicação de "Missal" e "Broquéis" (1893), só consegue arrumar um emprego miserável na Estrada de Ferro Central.

Casa-se com Gavita, também negra, com quem tem quatro filhos, dois dos quais vêm a falecer. Sua mulher enlouquece e passa vários períodos em hospitais psiquiátricos.

O poeta contrai tuberculose e vai para a cidade mineira de Sítio se tratar. Morreu no dia 19 de março de 1898, na cidade de Sitio em Minas Gerais, vítima da tuberculose, da pobreza e, principalmente, do racismo e da incompreensão.

Cruz e Souza é, sem sombra de dúvidas, o mais importante poeta Simbolista brasileiro, chegando a ser considerado também um dos maiores representantes dessa escola no mundo. Muitos críticos chegam a afirmar que se não fosse a sua presença, a estética Simbolista não teria existido no Brasil. Sua obra apresenta diversidade e riqueza.


Fonte: www.secrel.com.br

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Mocidade e morte.

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MOCIDADE E MORTE

Solevantado o corpo, os olhos fitos,
As magras mãos cruzadas sobre o peito,
Vede-o, tão moço, velador de angústias,
Pela alta noite em solitário leito.

Por essas faces pálidas, cavadas,
Olhai, em fio as lágrimas deslizam;
E com o pulso, que apressado bate,
Do coração os restos harmonizam.

É que nas veias lhe circula a febre:
É que a fronte lhe alaga o suor frio;
É que lá dentro à dor, que o vai roendo,
Responde horrível íntimo cicio.

Encostando na mão o rosto aceso,
Fitou os olhos húmidos de pranto
Na lâmpada mortal ali pendente,
E lá consigo modulou um canto.

É um hino de amor e de esperança?
É oração de angústia e de saudade?
Resignado na dor, saúda a morte,
Ou vibra aos céus blasfémia d'impiedade?

É isso tudo, tumultuando incerto
No delírio febril daquela mente,
Que, balouçada à borda do sepulcro,
Volve após si a vista longamente.

É a poesia a murmurar-lhe na alma
Última nota de quebrada lira;
É o gemido do tombar do cedro;
É triste adeus do trovador que expira.

Alexandre Herculano.

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Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu em Lisboa no ano de 1810. Sua vida foi marcada por lutas políticas e pela reconstrução literária da história de Portugal. Um dos mais importantes romancistas do século XIX, suas obras são de cunho romântico e vão desde a poesia ao drama e ao romance. É um dos grandes escritores de sua geração, desenvolvendo o tema romântico por excelência: a incompatibilidade do indivíduo com o meio social.

Devido ao seu envolvimento na Revolta do 4 de Infantaria, é obrigado a emigrar para Inglaterra, em 1831. No ano seguinte, tendo retornado a Portugal, Herculano começa a trabalhar na Biblioteca Pública do Porto, como segundo bibliotecário. Em 1839, é nomeado diretor das bibliotecas reais das Necessidades e da Ajuda. No ano de 1853, o romancista funda o Partido Progressista Histórico. Quatro anos depois, manifesta sua discordância em relação à Concordata de Roma, que restringia os direitos do padroado português na Índia.

Em 1859, adquire a quinta de Vale de Lobos, perto de Santarém, onde, embora retirado, continua a receber correspondência e muitas personalidades ligadas à cultura e ao poder. No ano seguinte, participa na redação do primeiro Código Civil português.

Em1866, casa-se com uma senhora por quem era apaixonado desde a juventude. Morre em 1877, rodeado de enorme prestígio, traduzido numa manifestação nacional de luto organizada pelo escritor João de Deus.


Poesia


A Voz do Profeta (prosa poética) - 1836
Harpa do Crente - 1837


Romance e narrativas


O Bobo - 1843
Lendas e Narrativas I e II -1839 e 1844
Eurico, o Presbítero -1844
O Pároco da Aldeia - 1844
O Monge de Cister - 1848
História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal - 1850
História de Portugal I, II, III e IV - 1846 e 1853


Teatro


O Fronteiro de África - 1838
Os Infantes em Ceuta - 1842


Fonte: cultura.portaldomovimento.com

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Invenção do jogo de cartas.

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INVENÇÃO DO JOGO DE CARTAS

1392 – São inventadas as cartas de jogar. Carlos VI da França queria encontrar um passatempo para as horas de folga, durante a noite em seu castelo. Incumbiu seu tesoureiro Charles Poupart de entregar ao pintor Jacquenin Gringoneur certa importância em ouro para que ele desenhasse um jogo de cartas de diversas cores. Dono de fértil imaginação, Gringoneur organizou todo um baralho representando as diferenças sociais da época. Assim, o naipe de copas (coração) significava a classe sacerdotal; ouros (riqueza) representava os comerciantes burgueses, negociantes de ouro e pedras preciosas; espadas falava da classe militar e paus, da grande massa dos campos.

Por outra parte, reis, damas e valetes representavam doze nobres, uns históricos, outros da lenda bíblica. Dentro dos naipes, agrupados, encontramos as seguintes “famílias”:

– OUROS: rei – Júlio César representado com um machado, símbolo das legiões romanas; dama – Raquel, filha de Abraão, que perdeu Jacó para a irmã; valete – Sir Hector (da corte do Rei Arthur).

– ESPADAS: rei – David de Israel, vencedor dos filisteus; dama – Palas Atena ou Minerva, filha de Júpiter, a deusa grega da sabedoria; valete – Hogier, o dinamarquês, famoso herói nórdico e primo de Carlos Magno.

– COPAS: rei – Carlos Magno (é o único dos quatro reis que trás nas vestes as tiras do arminho real, como manda a tradição); dama – Judite, heroína da Bíblia, que decapitou um guerreiro assírio para provar sua coragem; valete – La Hire, guerreiro francês que lutou contra Joana D’arc.

– PAUS: rei – Alexandre de Macedônia. É representado com um globo, pois foi ele o único rei que teve o mundo nas mãos; dama – Isabel da Inglaterra, a rainha virgem: valete – o famoso Sir Lancelote da Távola Redonda, irmão do valete de ouros (Hector).

CORINGA: é a única figura que representa o jogral dos antigos castelos. (É o remanescente dos primitivos baralhos de 78 cartas, que atualmente contém 53). Em certos jogos vale no lugar de qualquer carta, denotando a importância que lhe davam, visto que o jogral era bem recebido em qualquer parte.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, páginas 97/100.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

De longe.

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DE Longe

Não chores Mãe... Faz como eu, sorri!
Transforma as elegias de um momento,
em cânticos de esperança e incitamento.
Tem fé nos dias que te prometi.

E pode acreditar, estou sempre ao pé de ti,
quando por noites de luar, o vento,
segreda aos coqueirais o seu lamento,
compondo versos que eu nunca escrevi...

Estou junto a ti nos dias de braseiro,
no mar. na velha ponte,... no Sombreiro,
em tudo quanto amei e quis pra mim...

Não chores, mãe!... A hora é de avançadas!...
Nós caminhamos certos, de mãos dadas,
e havemos de atingir um dia, o fim...

Alda Lara

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Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque, nasceu em Benguela, Angola, a 09 de Junho de 1930 e faleceu em Cambambe a 30 de Janeiro de 1962. Era casada com o escritor Orlando Albuquerque. Ainda muito nova vai para Lisboa onde concluiu o 7.º ano do Liceu. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última.

Em Lisboa esteve ligada a algumas das atividades da Casa dos Estudantes do Império. Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos. Depois da sua morte, a Câmara  Municipal de Sá da Bandeira, atual Lubango, instituiu o Prémio Alda Lara para poesia. Orlando Albuquerque propôs-se editar-lhe postumamente toda a obra e nesse caminho reuniu e publicou um volume de poesias e um caderno de contos. Colaborou em alguns jornais e revistas, incluindo a Mensagem (CEI).

Da sua obra poética destacamos «Poemas» (1966, Sá de Bandeira, Publicações Imbondeiro), «Poesia» (1979, Luanda, União dos Escritores Angolanos), «Poemas» (1984, Porto, Vertente Ltda, poemas completos).


Fonte: www.sanzalangola.com

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Amamo-nos.

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AMAMO-NOS

Lá fora, a noite estava linda,
As estrelas como que rindo, estavam a brilhar.
Combinando sempre, com a beleza infinda,
Do terno, atraente e gostoso luar.

Lá dentro estávamos, a tudo indiferentes,
Indiferentes a beleza lá fora a reinar.
Juntinhos, abraçados com nossos corpos quentes,
Imbuídos num só pensamento. Amar... Amar... Amar.

Naquele quarto pequeno, porém acolhedor,
Amamo-nos... Amamo-nos... Num desejo insano.
A felicidade chegou, ao ouvir dizeres amor,
Te amo, te amo, te amo, te amo.

As horas se passaram, tudo terminou,
Senti a tristeza invadir meu coração.
Ao sairmos olhamo-nos, tudo findou,
Pois era chegada a triste separação.

Mas, por mais fortes, os sofrimentos meus,
Chegará o dia em que tudo terá fim.
Pois sei que um dia o nosso bom DEUS,
Te trará inteirinha de volta pra mim.

R.S. Furtado.

domingo, 16 de maio de 2010

Quando eu morrer...

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QUANDO EU MORRER...

Quando eu morrer
não me dêem rosas
mas ventos.

Quero as ânsias do mar
quero beber a espuma branca
duma onda a quebrar
e vogar.

Ah, a rosa dos ventos
a correrem na ponta dos meus dedos
a correrem, a correrem sem parar.
Onda sobre onda infinita como o mar
como o mar inquieto
num jeito
de nunca mais parar.

Por isso eu quero o mar.
Morrer, ficar quieto,
não.
Oh, sentir sempre no peito
o tumulto do mundo
da vida e de mim.

E eu e o mundo.
E a vida. Oh mar,
o meu coração
fica para ti.
Para ter a ilusão
de nunca mais parar.

Alexandre Dáskalos

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Alexandre Mendonça de Oliveira Dáskalos nasceu no Huambo (antiga Nova Lisboa), em 1924. Fez a instrução primária e preparatório na sua cidade natal. Mais tarde, em 1942, vai para o Liceu de Sá da Bandeira, atual cidade do Lubango onde concluiu o 7.º ano.

Terminado o Liceu vai para Lisboa e matricula-se na Escola Superior de Medicina Veterinária, tendo-se licenciado 5 anos mais tarde. Regressa a Angola em 1950.
Viria a falecer em Portugal em 1960.

Alguns dos seus poemas foram editados em 1960 pela Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, com o título "Poesias".


Fonte: www.sanzalangola.com

sábado, 15 de maio de 2010

Tronco despido.

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TRONCO DESPIDO

Qual tronco despido
De folha e de flores,
Dos ventos batido
No inverno gelado
De ardentes queimores
No estio abrasado,
De nada sentido,
Que nada ele sente...
Assim ao prazer,
À dor indif’rente,
Vão-me as horas da vida
Comprida
Correndo,
Vivendo,
Se é vida
Tam triste viver.

Almeida Garrett.

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João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu no Porto em 04 de fevereiro de 1799, e faleceu a 9 de dezembro de 1854. Partiu com a família para a Ilha Terceira em 1808, de onde regressou em 1815, ano em que se matricula no curso jurídico. Após seu casamento em 1822 e a estréia de sua tragédia Catão, emigra para a Inglaterra e França no ano seguinte, e publica em Paris, em 1826, D. Branca, e em 1827 Camões, voltando a Portugal em 1826. Funda nos anos seguintes os periódicos O Português e O Cronista, mantendo polêmicas políticas com José Agostinho de Macedo. Após ser preso e libertado, sai novamente para a Inglaterra, publicando em Londres Adozinda e a Lírica de João Mínimo.

Participa da campanha de 1832 ao lado de Dom Pedro, e após exercer funções diplomáticas é eleito deputado, em 1837, fundando nesse ano o Teatro Nacional. Nos anos seguintes, vê representadas as peças Um Auto de Gil Vicente, O Alfageme de Santarém e Frei Luís de Sousa, e publica em 1843 o 1º volume do Romanceiro, e em 1845 Arco de Santana (1º tomo), Flores sem Fruto e Viagens na Minha Terra, esta sua obra mais conhecida. É designado Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1852, quando recebe o título de Visconde, e publica em 1853 seu último livro, "Folhas Caídas".

Fonte: www.thesaurus.com.br 

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Origem das Espécies.

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ORIGEM DAS ESPÉCIES


1859 – Charles Robert Darwin (1809-1882), naturalista inglês, publica a primeira edição da Origem das Espécies. Aí cientista, após dedicar toda sua existência nesse estudo, destrói o conceito bíblico. Conclui que “a origem do gênero humano se acha inextricavelmente encadeada ao mundo animal; que o homem e o macaco tiveram origem comum em remotas eras, partindo ambos do mesmo tronco pré-histórico; deste antepassado não sendo homem nem macaco, descende, por um lado a nossa estirpe, e por outro os símios; que os macacos são primos distantes e, não antepassados da humanidade”. Afirma ainda que “os seres vivos procedem de uma gradual e lenta transformação da célula do homem. Esta transformação se realizaria por “seleção natural”. As raças humanas deveriam evolucionar mediante a persistência dos mais aptos. A herança, portanto, não é absoluta, verificando-se sempre diferenças entre pais e filhos. Mas as diferenças que servem para a conservação da raça acabam por prevalecer e converter-se em caracteres fixos. Desta forma, depois de um numero elevado de gerações, poderia surgir uma espécie distinta e primitiva. Desta maneira não só se explicaria a origem das espécies como também o seu progresso gradual”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 3, páginas 441/445.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Conde de Oeiras.

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AO ILUSTRÍSSIMO E EXCELENTÍSSIMO SENHOR CONDE DE OEIRAS

SONETO

Ergue de jaspe um globo alvo e rotundo,
E em cima a estátua de um Herói perfeito;
Mas não lhe lavres nome em campo estreito,
Que o seu nome enche a terra e o mar profundo.

Mostra na jaspe, artífice facundo,
Em muda história tanto ilustre feito,
Paz, Justiça, Abundância e firme peito,
Isto nos basta a nós e ao nosso mundo.

Mas porque pode em século futuro,
Peregrino, que o mar de nós afasta,
Duvidar quem anima o jaspe duro,

Mostra-lhe mais Lisboa rica e vasta,
E o Comércio, e em lugar remoto e escuro,
Chorando a Hipocrisia. Isto lhe basta.

Basílio da Gama.

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José Basílio da Gama nasceu em 1741, na cidade de São José do Rio das Mortes, atual Tiradentes, Minas Gerais. Teve formação jesuíta, chegando a noviço. Mudando-se para Portugal, acabou preso sob a acusação de ligação política com os jesuítas, recentemente expulsos do território português, na crise Pombalina. Condenado ao degredo, ficou em Angola durante algum tempo, mas, graças a um epitalâmio (= poema nupcial) escrito em homenagem à filha do marquês de Pombal, livrou-se do exílio. Retornou a Portugal e recompôs sua vida, no que foi ajudado por autoridades simpáticas ao Ministro. Escreveu muitos poemas de bajulação ao Marquês, dedicando-lhe sua obra-prima O Uraguay. Morreu em Lisboa, no ano de 1795. Seu pseudônimo de pastor era Termindo Sipílio.

Basílio da Gama deixou uma coletânea lírica, Lenitivo da Saudade, mas sua obra máxima é o poema épico O Uraguay. Esse poema foi baseado no conflito gerado pelo Tratado de Madri (1750), que interferia no trabalho desenvolvido pelos jesuítas com os índios, nos chamados Sete Povos das Missões. A guerra opôs tropas portuguesas e espanholas a jesuítas e índios. No poema, o autor posiciona-se favoravelmente ao marquês de Pombal e aos portugueses, caracterizando os jesuítas como os vilões da história.

José Basílio da Gama escreveu um poema de qualidade em que, além de cenas muito bem estruturadas, faz detalhadas e exuberantes descrições da natureza brasileira. Expressa um delicado lirismo, além de se dar ao luxo de escapar da quase inevitável influência de Os Lusíadas, feito conseguido por poucos nos séculos XVII e XVIII.

Quanto à estrutura técnica, o poema tem cinco cantos, versos decassílabos sem esquema rimático (brancos) e sem estrofação, obedecendo à tradição épica das cinco partes (proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo), mas sem seguir essa seqüência. Misturam-se personagens fictícios com outros que efetivamente viveram o fato histórico, como: Sepé, Padre Balda, Gomes Freire e mais alguns. Evitou-se a descrição da natureza. Basílio da Gama é também considerado um pré-romântico, a exemplo de Bocage e Tomás Antônio Gonzaga.

Fonte: www.profabeatriz.hpg.ig.com.br

terça-feira, 11 de maio de 2010

Agradecimentos.

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AGRADECIMENTOS

Aos meus queridos amigos seguidores e visitantes de um modo geral!

Quando da minha viagem à Recife em virtude do falecimento da Enice, (minha ex esposa) devido à urgência, não bloqueei a memória do meu sócio, secretário e fiel colaborador. Acontece que, quando retornei encontrei o mesmo gravemente enfermo, pois devido às constantes e longínquas viagens impostas pelos meus queridos netos, foi vítima da invasão de alguns malfadados vírus que, como verdadeiros cânceres, danificaram totalmente a sua memória, forçando-me a levá-lo ao especialista para transplantá-la. Portanto, mais uma vez solicito a valiosa e honrosa compreensão de todos, no sentido de perdoar-me em função de mais um período de ausência, prometendo atualizar as visitas, retribuindo a todas, pois quem visita, merece e quer ser visitado.

Aproveito a oportunidade para agradecer a todos indistintamente, pelo carinho demonstrado através das belas palavras de conforto, num gesto de verdadeira e inconteste solidariedade.

Muito obrigado de coração e que DEUS abençoe a todos!

Beijos no coração de cada um de vocês.

Furtado.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tu, só tú...

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TU, SÓ TU...

A Estrela d’Alva desaparecia
Quando eu parti naquela madrugada,
E a doce aurora, tímida e rosada.
Das nuvens de ouro levantava o dia.

Numa palmeira, que no espaço abria
O verde leque, para o céu voltada.
Da áurea garganta uma ave apaixonada
Cavatinas alegres despedia.

Manhã tão linda: o prado um firmamento
Glauco e cheiroso, estrelas multicores,
O chão bordando num deslumbramento!

E eu vendo o campo, eu vendo o céu tranqüilo,
Pensava em ti, dona das minhas dores;
Morta: só tu darias vida àquilo.

Guimarães Passos.

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Sebastião Cícero Guimarães Passos, jornalista e poeta, nasceu em Maceió, AL, em 22 de março de 1867, e faleceu em Paris, França, em 09 de setembro de 1909.

Era filho do Major Tito Alexandre Ferreira Passos e de Rita Vieira Guimarães Passos. Seu avô, José Alexandre de Passos, fora advogado e professor, dedicado também ao estudo de questões vernáculas. Guimarães Passos fez seus estudos primários e os preparatórios em Alagoas. Aos 19 anos foi para o Rio de Janeiro, onde se juntou aos jovens boêmios da época. Era a idade de ouro da boemia dos cafés, e não poderia haver melhor ambiente para o espírito do poeta. Entrou para a redação dos jornais, fazendo parte do grupo de Paula Ney, Olavo Bilac, Coelho Neto, José do Patrocínio, Luís Murat e Artur Azevedo. Colaborou com a Gazeta da Tarde, a Gazeta de Notícias, A Semana. E nas suas colunas ia publicando crônicas e versos. Nos vários lugares em que trabalhou, escrevia também sob pseudônimos: Filadelfo, Gill, Floreal, Puff, Tim e Fortúnio.

Foi também arquivista da Secretaria da Mordomia da Casa Imperial. Com a proclamação da República, e extinta essa repartição, Guimarães Passos perdeu o lugar e passou a viver unicamente de seus trabalhos jornalísticos. Com a declaração da revolta de 06 de setembro de 1893, aderiu ao movimento. Fez parte do governo revolucionário instalado no Paraná, e lutou contra Floriano Peixoto. Vencida a revolta, conseguiu fugir. Exilou-se em Buenos Aires durante 18 meses. Lá colaborou nos jornais La Nación e La Prensa e fez conferências sobre temas literários relacionados ao Brasil.

Em 1896, de volta do exílio, foi um dos primeiros poetas chamados para formar a Academia Brasileira de Letras, sendo fundador da cadeira 26 e escolheu para seu patrono outro boêmio, o poeta Laurindo Rabelo. Encontrou no Rio de Janeiro, a sua geração inteiramente transformada. Alguns dos antigos companheiros encontravam-se agora em postos bem remunerados, eram reconhecidos, enquanto ele permanecia como o último boêmio. Ficou doente de tuberculose e, não conseguindo melhoras no Brasil, partiu para a ilha da Madeira e, daí, para Paris, onde veio a falecer, em 1909. Só em 1921, a Academia Brasileira conseguiu fazer trasladar os restos mortais para o Brasil. Para aqui vieram acompanhados dos de Raimundo Correia, falecido em Paris em 1911.

Poeta parnasiano, lírico e, às vezes, um pouco pessimista, Guimarães Passos foi também humorista na sua colaboração para O Filhote, reunida depois no livro Pimentões, que publicou de parceria com Olavo Bilac. Ao tratar de Versos de um simples, José Veríssimo viu nele o "poeta delicado, de emoção ligeira e superficial, risonho, de inspiração comum, mas de estro fácil, como o seu verso, natural e espontâneo, poeta despretensioso, poeta no sentido popular da palavra".

Fonte: “Academia Brasileira de Letras”.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

À Enice.

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À ENICE

É difícil aceitar a ideia da tua partida,
E que também já não mais tem vida,
Este corpo que por muito tempo me aqueceu.
É difícil esquecer-me da velha mureta,
Onde alucinado, eu te chamava de Julieta,
E louca de amor, me chamavas de Romeu.

É difícil esquecer que desta linda união,
Nasceram dois seres, frutos de nossa paixão,
Pra fortalecer os laços de nossa grande amizade.
Pois com muita alegria e prazer incontido,
Recebemos nossos filhos, Roosevelt e Rosemildo,
Coroando e aprofundando a nossa felicidade.

É difícil esquecer as noites que passamos,
E juntos, apaixonados, aos céus juramos,
Que eterno e sem fim, seria o nosso amor.
Mas o destino, não sei, talvez por maldade,
Quis impor sua vontade, sem dó e sem piedade,
Separando-nos, sem ao menos avaliar nossa dor.

Hoje, tristes e amargurados de ti nos despedimos,
Eu, nossos filhos, noras, netas, parentes e amigos,
Incrédulos, mas cônscios da vontade de DEUS.
Rogamos ao mesmo que dos pecados nos perdoe,
Que te receba nos braços, te proteja e te abençoe,
E te ilumine sempre, por todos os caminhos teus.

Natal, 02 de maio de 2010.

R.S. Furtado.

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PS = Enice foi minha ex esposa, mulher, amante, companheira e mãe de dois dos meus filhos, mas o maldito  ciúme foi mais forte e nos separou até esta data.

Lamentavelmente no dia 02-05-2010, ela foi convocada pelo nosso PAI e viajou. Daí então, fui à Recife dar-lhe o último adeus, somente retornando hoje. Portanto, apresento as minhas desculpas aos (as) nossos (as) queridos (as) amigos (as), Seguidores (as) e visitantes pela ausência, prometendo que vou atualizar todas as visitas, pois quem visita, quer ser visitado.


R.S. Furtado.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Fraternidade Rosacruz.

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FRATERNIDADE ROSACRUZ

1500 a.C. – É fundada a Fraternidade Rosacruz pela irmandade Branca do Egito. Difunde um sistema de filosofia mística e metafísica. Promove o desenvolvimento das faculdades latentes no ser humano. Foi introduzida na Palestina por Salomão, na Grécia por Sólon e na Itália por Pitágoras. O nome adotado por Johan Valentin Andrea originou-se do emblema, uma cruz com uma rosa no centro. Essa fraternidade é geralmente conhecida em todo o mundo por "AMORC", ou seja, “Antiga Mística Ordem Rosae Crucis”. Em 1694 essa Ordem estabeleceu-se, pela primeira vez, na América. Não é sectária nem religiosa. Seu ensino inclui com maior extensão as ciências práticas que o ensino religioso. Abolui sistematicamente as artes supersticiosas do Oriente. Não pratica a adivinhação, a nigromancia nem o espiritismo. Interessa-se pela evolução do nosso planeta, tanto material como espiritual, pela sua direção e destino, tanto no campo religioso e político, quanto no econômico e intelectual. Cada jurisdição depende da autoridade do “imperador”. Mantém este um conselheiro, única autoridade a fazer dispensas, estabelecer lojas e capítulos. Mediante a eleição dum alto oficial, como membro do conselho internacional ficam aí, unidas, num só corpo, todas as jurisdições do mundo. Este organismo constitui o supremo poder desta organização internacional, que não se liga a sociedade alguma. A fraternidade "Rosacruz" é um todo homogêneo, independente. Não tem, tampouco, relação alguma com o “Grau Rosacruz” com que se simboliza o “Rito Escocês de Maçonaria”.

Nota: Este trabalho é resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 13 e 14.

domingo, 2 de maio de 2010

Cântico dos cânticos.

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CÂNTICO DOS CÂNTICOS

Imagina um sorriso só de criança,
Todo candura, e junta-lhe a meiguice
De um sorriso de mãe; e tens ideado
O sorriso de Alice.

Imagina um olhar - mistério e sonho,
Cheio de luz, de glória, de doidice...
Com a sedução dos olhos da mãe d’água:
E tens o olhar de Alice.

Imagina uma grave melodia,
Tão doce como nunca mais se ouvisse,
Como nunca se ouviu na terra ainda,
E tens a voz de Alice.

Já viste como o cisne fende o lago?
Como desliza a névoa na planície?
Como anda na clareira a pomba rola?
É ver o andar de Alice.

Olha o macio pétalo corado
De rosa que de todo não abrisse.
O mimo da conchinha nacarada
É a boca de Alice.

Se um dia visses no alcantil dos cerros
A imaculada neve que caísse,
Verias, ai de mim! do que é formado
O coração de Alice.

Lúcio de Mendonça.

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Lúcio Eugênio de Meneses e Vasconcelos Drummond Furtado de Mendonça, advogado, jornalista, magistrado, contista e poeta, nasceu em Piraí, RJ, em 10 de março de 1854, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 23 de novembro de 1909. Foi o fundador da Academia Brasileira de Letras. Ao escolher o poeta Fagundes Varela como patrono, coube-lhe a Cadeira nº. 11.

Era o sexto filho de Salvador Furtado de Mendonça e de Amália de Menezes Drummond. Órfão de pai aos cinco anos, e sua mãe tendo contraído segundas núpcias, Lúcio foi criado em São Gonçalo de Sapucaí, MG, em casa de parentes. Nunca teve professor de primeiras letras. Aprendeu a ler e escrever ligando os sons e caracteres gráficos através de leituras de jornais. Aos 16 anos matriculou-se no Colégio Pimentel, em São Gonçalo. A chamado de seu irmão Salvador de Mendonça, partiu para São Paulo, ingressando, em 1871, na Faculdade de Direito. A esse tempo, iniciou as suas atividades poéticas e literárias, escrevendo um caderno de versos, "Risos e lágrimas", e publicando trabalhos em O Ipiranga, jornal dirigido por Salvador de Mendonça. Lá tomou parte num movimento de protesto dos estudantes contra os professores da Faculdade e foi suspenso por dois anos. Passou esse período no Rio. Entrou para a redação de A República, convivendo com Quintino Bocaiúva, Joaquim Serra, Salvador de Mendonça, Francisco Otaviano, Machado de Assis, Joaquim Nabuco, e outros. Em 72, publicou, com prefácio de Machado de Assis, o livro de estréia, "Névoas matutinas".

Em 1873, estava de novo em São Paulo, novamente matriculado na Faculdade de Direito. Publicou seu segundo livro, "Alvoradas", e entrou para a redação do jornal Província de São Paulo, colaborando também com A República, órgão do Clube Republicano Acadêmico, que ele dirigiu em 1877. Após a colação de grau, em 1878, regressou ao Rio. Foi para São Gonçalo de Sapucaí. Em 1880, casou-se com D. Marieta, filha do solicitador João Batista Pinto. Com a nomeação de delegado da Inspetoria Geral da Instrução Pública da Província de Minas no Distrito de São Gonçalo. Foi eleito vereador da Câmara de São Gonçalo, exercendo a vereança até 1885.

Mesmo depois de ministro do Supremo, Lúcio não deixou o jornalismo, e, sob o pseudônimo de Juvenal Gavarni, publicou, na Gazeta de Notícias, uma série de sátiras políticas, em que, com fino humorismo, focalizou as personalidades de Prudente de Morais, José do Patrocínio, Quintino Bocaiúva, Afonso Celso, Medeiros e Albuquerque, e outros.

Na terceira fase da Revista Brasileira, dirigida por José Veríssimo, Lúcio passou a ser um dos freqüentadores da redação. Ali se congregavam, em torno de Machado de Assis e de Joaquim Nabuco, os principais representantes da literatura brasileira no momento. Foi então que lhe nasceu o sonho de criar a Academia Brasileira de Letras, da qual ele é, por depoimento unânime dos criadores da Instituição, o verdadeiro fundador, o "Pai da Academia".

Fez parte das primeiras comissões da Instituição: nomeado com Olavo Bilac, Visconde de Taunay, Rodrigo Octavio e Pedro Rabelo para organizar o Regimento Interno (1897); nomeado com Visconde de Taunai, Filinto de Almeida e Pedro Rabelo para organizar o projeto sobre distintivo acadêmico (1897); integrante da comissão de Bibliografia (1897) e da comissão especial para estudar as propostas de sócios correspondentes, juntamente com Graça Aranha e Valentim Magalhães (1898).

No Supremo Tribunal Federal teve atuação destacada defendendo com vigor os seus pontos de vista. Em 1901, foi nomeado Procurador Geral da República. Em 1904, foi-lhe concedida licença para tratar da saúde. Ia perdendo a vista, doença que também atingiu a seu irmão Salvador de Mendonça. Em 26 de outubro de 1907, aposentou-se, a esforços de seus amigos, pois não lhe era mais possível trabalhar. Viajou para a Europa, indo à Itália e à Alemanha, a fim de obter cura para sua enfermidade. Passou o ano de 1909 na sua chácara da Gávea, ao lado de Salvador de Mendonça, vindo a falecer em 23 de novembro.

Fonte: Academia Brasileira de Letras.
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