sexta-feira, 30 de abril de 2010

Infância.

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INFÂNCIA

Não mais existe, a casa em que passei,
Meus descansados dias de criança.
O parreiral, que em sua sombra mansa,
Minhas primeiras lições estudei.

O jardim em flor - grata lembrança -,
Onde azuis borboletas eu peguei.
O cajueiro que em alta trança,
Sem temor tantas vezes me embalei.

O trajeto da vida hoje eu seguindo,
As mortas ilusões eu vou deixando.
Enquanto vagos sonhos vêm surgindo,

Só a infância nos dá num viver brando.
A morte, um doce adormecer sorrindo,
E um despertar pela manhã brincando.

R.S. Furtado.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Versos difíceis.

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VERSOS DIFÍCEIS

Faço e desfaço... A Idéia mal domada
o cárcere da Forma foge e evita.
Breve, na folha tanta vez riscada
palavra alguma caberá escrita...

E terás tu, ó minha doce amada,
o decisivo nome da bendita
companheira formosa e delicada
a quem minh’alma tanto busca, aflita?

Não sei... Há muito a febre me consome
de achar a Forma e conhecer o nome
da que a meus dias reservou o fado.

E hei de ver, quando saiba, triunfante,
o verso bom, a verdadeira amante,
- a folha: cheia, - o coração: cansado!

Medeiros e Albuquerque.

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José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque, jornalista, professor, político, contista, poeta, orador, romancista, teatrólogo, ensaísta e memorialista, nasceu em Recife, PE, em 04 de setembro de 1867, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 09 de junho de 1934. Em 1896 e 1897, compareceu às sessões preliminares de instalação da Academia Brasileira de Letras. É o fundador da Cadeira n. 22, que tem como patrono José Bonifácio, o Moço.

Era filho do Dr. José Joaquim de Campos de Medeiros e Albuquerque. Depois de aprender as primeiras letras com sua mãe, cursou o Colégio Pedro II. Em 1880, acompanhou o pai em viagem para a Europa. Em Lisboa, foi matriculado na Escola Acadêmica, e ali permaneceu até 1884. De volta ao Rio de Janeiro, fez um curso de História Natural com Emílio Goeldi e foi aluno particular de Sílvio Romero. Trabalhou inicialmente como professor primário adjunto, entrando em contato com os escritores e poetas da época, como Paula Ney e Pardal Mallet. Estreou na literatura em 1889 com os livros de poesia "Pecados e Canções da decadência", em que revelou conhecimento da estética simbolista, como testemunha a sua “Proclamação decadente”.

Em 1888 colaborou no jornal Novidades, ao lado de Alcindo Guanabara. Embora tivesse entusiasmo pela idéia abolicionista, não tomou parte na propaganda. Fazia parte do grupo republicano nas vésperas da proclamação da República, foi a São Paulo em missão junto a Glicério e Campos Sales. Com a vitória da República, foi nomeado, pelo ministro Aristides Lobo, secretário do Ministério do Interior e, em 1892, por Benjamin Constant, vice-diretor do Ginásio Nacional. Foi professor da Escola de Belas Artes (desde 1890), vogal e presidente do Conservatório Dramático (1890-1892) e professor das escolas de 2o grau (1890-1897). É o autor da letra do Hino da República.

Simultaneamente às atividades de funcionário público, exercia as de jornalista. Durante o período florianista, dirigiu O Fígaro. Foi nesse jornal que teve ocasião de denunciar a deposição que se tramava em Pernambuco do governador Barbosa Lima. Em 1894, foi eleito deputado federal por Pernambuco. Medeiros estreou na Câmara conseguindo a votação para lei dos direitos autorais.

Em 1897, foi nomeado diretor geral da Instrução Pública do Distrito Federal. Estando na oposição a Prudente de Moraes, foi forçado a pedir asilo à Embaixada do Chile. Demitido do cargo, foi aos tribunais defender seus direitos e obteve a reintegração.

Voltou também à Câmara dos deputados, formando nas fileiras de oposição a Hermes da Fonseca. Durante o quatriênio militar (1912-1916), foi viver em Paris. De volta ao Brasil, defendeu a entrada do Brasil na 1ª guerra mundial na Europa, em campanha que contribuiu para o rompimento de relações do Brasil com a Alemanha. Ocupou a Secretaria Geral da ABL de 1899 a 1917. Foi autor da primeira reforma ortográfica ali promovida em 1902.

Fonte: Academia Brasileira de Letras.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ironia do coração.

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IRONIA DO CORAÇÃO

Como estavas formosa entre o mar e a minh'alma!
Ias partir... no céu vinha rompendo a aurora.
Eu te pedia - luz, tu me pedias - calma;
Eu te dizia: - "Crê"; tu me dizias: - "Chora!"

Beijei-te as mãos, beijei-te os pequeninos pés,
Como os lábios de um padre um assoalho sagrado.
Longe, ouvia-se ainda, entre os caramanchéis,
A melodiosa voz do luar apaixonado.

"É a voz do nosso amor, nos esponsais das flores.
Não chores mais, acalma a tua ansiedade.
Assim, como hei de eu dar tréguas às minhas dores,
E recalcar no peito esta amarga saudade?"

Partiste... Sobre mim cerrou-se a escuridão.
E eu não ouso subir aos meus sonhos agora,
Porque, irônico e mau, me grita o coração,
Quando não creio: "crê!", quando não choro: "chora!"

Luís Murat.

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Fundador da Cadeira 1. Recebeu o Acadêmico Humberto de Campos.

Luís Morton Barreto Murat, jornalista, poeta, filósofo e político, nasceu em Itaguaí, RJ, em 04 de maio de 1861, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 3 de julho de 1929.

Era filho do Dr. Tomás Norton Murat. Após concluir os estudos básicos no Imperial Colégio de Pedro II, segue para São Paulo e matricula-se no Curso de Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito, bacharelando-se em 17 de março de 1886. Sua estréia literária deu-se em São Paulo, em 1879, no “Ensaio Literário”, órgão do clube literário Curso Anexo, redigido por ele e outros colegas. Mudando-se para o Rio de Janeiro, abraçou o jornalismo, e seus artigos captavam as atenções gerais. Publicou seu primeiro livro de poesias, Quatro poemas, em 1885. Fundou o jornal Vida Moderna (10 jul. 1886 a 25 jun. 1887) com Artur Azevedo, no qual colaboravam Araripe Júnior, Xisto Bahia, Coelho Neto, Alcindo Guanabara, Guimarães Passos, Raul Pompéia e outros. Depois colaborou na Cidade do Rio, de José do Patrocínio, em A Rua, com Olavo Bilac e Raul Pompéia, e em outros jornais cariocas. Escrevia também sob o pseudônimo Franklin. Jornalista combativo, empenhou-se a fundo nas campanhas da Abolição e pelo advento da República.

Em janeiro de 1890, publicou o poema dramático “A Última Noite de Tiradentes”, em folhetim, na Gazeta de Notícias. Nesse ano, foi eleito deputado pelo Estado do Rio e atravessou várias legislaturas. Foi secretário geral do governo fluminense e escrivão vitalício da provedoria da então Capital Federal. Insurgiu-se contra Floriano Peixoto, recebendo ordem de prisão, mas as imunidades parlamentares o salvaram. Foi, então, para o jornal O Combate e atacou violentamente o presidente.

Na revolta da Marinha, em setembro de 1893, redigia o jornal que publicou o manifesto do Almirante Custódio José de Melo. Esteve com os revoltosos na esquadra, mas deixou-se prender quando sentiu desvirtuado o intuito da revolução. Foi julgado e absolvido por unanimidade no Paraná.

Autor de poesia romântica, liga-se acidentalmente à geração parnasiana, permanecendo meio difuso e pouco claro em suas manifestações como poeta. Sofreu influências dos românticos Victor Hugo e Théophile Gauthier, que se evidenciam na tendência para as imagens fulgurantes e para a exaltação verbal, e dos poetas nórdicos, ao expressar certas notas profundas, obscuridades e uma atmosfera de espiritualismo. Era um poeta culto e investigador, e fez a poesia sem parecer preocupado em filiar-se a uma escola.

Fonte: Academia Brasileira de Letras.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Literatura jônio-dórica.

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LITERATURA JÔNIO-DÓRICA

800 a.C. – É fundada a base da Literatura jônio-dórica, na Grécia, com a publicação dos poemas épicos ou heróicos Ilíada e Odisséia, atribuídos a Homero. A Ilíada (de Ílios, Tróia) tem por assunto a guerra movida pelos gregos aos troianos. É motivada pelo rapto de Helena, esposa de Menelau, seduzida por Páris, filho de Príamo, rei de Tróia. A Odisséia (de Odisseus, forma grega de Ulisses), narra a longa e acidentada viagem de regresso do astucioso herói grego a sua pátria, a ilha de Ítaca. Um e outro poema encerram as primeiras pinturas da civilização européia.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, páginas 16/17.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Fadário.

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FADÁRIO

O poeta, primeiro, preludia
Sons fugitivos de um viver sem dor:
Colhe sonhos gentis na fantasia;
É o doce cantor.

Ama o céu, e o mar, e a natureza,
Essa eterna epopéia do Senhor;
Ama, sem escolher, qualquer beleza;
É o doce cantor.

Ao depois, o poeta se desprende
Do formoso jardim, no qual viveu:
Sua alma agora vivo lume acende;
É o cantor do céu.

ara o amor da mulher achou estreita
A terra, em que inocente adormeceu;
Para mundos etéreos se indireta;
É o cantor do céu.

Voltou depressa, que encontrou espinhos,
Julgando achar esplêndidos troféus:
Sentou-se sobre o marco dos caminhos;
É o cantor de Deus.

E, solitário, co’olhar aflito
Fitado lá na abóbada dos céus;
E nas faces o pranto do proscrito...
É o cantor de Deus.

Franklin Dória (Barão de Loreto)

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Franklin Américo de Menezes Dória (Barão de Loreto), político e poeta, nasceu na ilha dos Frades, Itaparica, BA, em 12 de julho de 1836, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de outubro de 1906. Eleito pelos trinta membros que compareceram à sessão de instalação, em 28 de janeiro de 1897, para completar o quadro de Acadêmicos, Franklin Dória é o fundador da Cadeira nº. 25, que tem como patrono o poeta Junqueira Freire, seu grande amigo.

Era filho de José Inácio de Menezes Dória e de Águeda Clementina de Menezes Dória. Formou-se em Direito na Faculdade de Recife em 1859, tendo como colegas Aristides Lobo, Gusmão Lobo e Joaquim Medeiros e Albuquerque, pai de Medeiros e Albuquerque. No mesmo ano de sua formatura, aos 23 anos, publicou "Enlevos", seu único volume de poesia, impregnado de lirismo nas descrições do cenário das belezas naturais da "ilha encantada" do poeta. Cedo abandonou o verso. E desde o aparecimento do seu primeiro livro só publicou, em poesia, a tradução de "Evangelina", de Longfellow, lida na presença do Imperador.

Dedicou-se à advocacia e à política. Como advogado, tomou a si a defesa de causas importantes, como, por exemplo, a de Pontes Visgueiro, autor de famoso crime no Maranhão. Exerceu as funções de promotor, delegado e juiz. Em 1863, foi eleito deputado provincial na Bahia. Em 1864, nomeado governador do Piauí; em 1866, governador do Maranhão, e em 1880, governador de Pernambuco. Em 1872, foi eleito para a Câmara Federal, sendo reeleito, em mandatos alternados, até 1885. Algumas de suas campanhas no Parlamento do Império a campanha pela instrução pública e a campanha pela eleição direta revelaram-no um grande parlamentar, e ocupou a presidência da Câmara.

Foi ministro da Guerra no gabinete Saraiva (1881), quando, entre outras iniciativas, fundou a Biblioteca do Exército, que perdura até hoje, e Ministro do Império no último gabinete da Monarquia, do Visconde de Ouro Preto (1889). Conselheiro do Império, recebeu o título de Barão de Loreto em 1888. Era ligado à Família Imperial, acompanhando-a no exílio. De volta ao Brasil, dedicou-se à advocacia e à literatura. Foi professor de literatura por concurso no Colégio Pedro II, com a tese Da Poesia – caracteres essenciais, diferença da prosa- qualidade da poesia. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Fonte: Academia Brasileira de Letras.

sábado, 24 de abril de 2010

Covardemente.

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COVARDEMENTE

Chegava o fim da madrugada,
Lentamente o sol nascia.
Deitada ao lado, de sangue manchada,
Dormindo, inerte, ela jazia.

Tal como uma flor despetalada,
Refletindo a imagem da inocência.
Como um covarde, eu a olhava,
Por ter agido sem consciência.

Louca de amor, ela tão inocente,
A mim, se entregou, e eu com maldade.
Como um louco e covardemente,
Roubei sua valorosa virgindade.

Sentindo uma tristeza amarga,
Arrependido, uma forte dor sentia.
Por praticar um ato tão canalha,
Aproveitando-me do amor que ela nutria.

Agora, como um mísero animal,
Rogando ao senhor que me ilumine.
Espero o castigo pelo ato brutal,
De DEUS, que é o mais sublime.

R.S. Furtado

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Versos a Lúcio - III

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VERSOS A LÚCIO - III

Quando surgiste acima da montanha
De algum mundo de luz e liberdade,
Tinhas no triste olhar funda saudade,
Mensageiro do céu em terra estranha.

Quando espalhaste a viva claridade
De todo esse teu ser, fulgiu tamanha
A branca-luz que sempre te acompanha,
Que te ocultar não pôde a Imensidade.

Hoje, por sobre as rosas do Oriente,
Por sobre a curva argêntea do crescente,
Tu da Pátria entrevês o vulto escuro.

Estrela d`alva, protetora estrela,
Rasga o véu que procura inda escondê-la,
Torna a guiá-la, estrela do futuro!

Salvador de Mendonça.

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Salvador de Menezes Drummond Furtado de Mendonça, jornalista, advogado, diplomata, romancista, ensaísta, poeta, teatrólogo e tradutor, nasceu em Itaboraí, RJ, em 21 de julho de 1841, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de dezembro de 1913. Na sessão preparatória da Academia Brasileira de Letras, em 28 de janeiro de 1897, foi um dos nomes escolhidos para completar o quadro dos fundadores. Criou a Cadeira nº. 20, que tem como patrono Joaquim Manuel de Macedo.

Era filho do comendador Salvador Furtado de Mendonça, dos Açores e de Portugal, e de Amália de Menezes Drummond, descendente dos Drummond da Escócia. Dela recebeu os rudimentos de sua educação, iniciando-se no conhecimento das línguas, da música e do desenho. Depois de freqüentar uma escola pública em Itaboraí, foi para a Corte, aos 12 anos, continuar seus estudos no Colégio Marinho e, por dois anos, no Colégio Curiácio, dirigido pelo Barão de Tatuphoeus. Ao terminar os preparatórios, em 1858, o Barão de Tatuphoeus levou-o à presença de Pedro II, como um prêmio aos seus esforços de estudioso. Por essa época conheceu figuras como Machado de Assis, com quem fez amizade e manteve convívio diário, e Casimiro de Abreu. Conheceu também escritores já consagrados, como Gonçalves Dias, Araújo Porto-Alegre e Joaquim Manuel de Macedo, que Salvador haveria de escolher como patrono.

Em 1859, foi para São Paulo para matricular-se na Faculdade de Direito. Iniciou a sua colaboração na Revista Mensal do Ensaio Filosófico Paulistano. Ali publicou a poesia “Singairu, lenda das margens do Piraí, 1567”. É um episódio de formação do nosso país. No ano seguinte fundou, com Teófilo Ottoni Filho, o jornal A Legenda. Ali iniciou-se nos assuntos de crítica social e política. Em fins de 1860 faleceram seus pais e Salvador voltou para o Rio de Janeiro, como chefe de uma família de oito irmãos, entre os quais Lúcio de Mendonça. Entrou para a redação do Diário do Rio de Janeiro, de Saldanha Marinho. Em 1861, casou-se com Amélia Clemência Lúcia de Lemos. Tornou-se professor de Latim e iniciou atividades em outros jornais: no Jornal do Commercio fazia a crítica teatral e no Correio Mercantil, a “Semana Lírica”. Simultaneamente ia criando a sua obra de teatro.

Em 1865, foi encarregado pelo Marquês de Olinda de reger a cadeira de Coreografia e História do Brasil no Imperial Colégio Pedro II, em substituição a Joaquim Manuel de Macedo. Em 1867, regressou a São Paulo para concluir o curso de Direito. Assumiu o cargo de diretor de O Ipiranga, órgão do Centro Liberal de São Paulo, e nessa atividade iniciou a propaganda republicana no Brasil. Graduado em 1869, voltou para o Rio e, com Saldanha Marinho, foi trabalhar como advogado. Em 1870 fundou-se o Clube Republicano, organização devida a Saldanha Marinho, Salvador de Mendonça e Quintino Bocaiúva. Foi então redigido o histórico “Manifesto de 70”, cujo capítulo “A verdade democrática” é de autoria de Salvador de Mendonça. Fundou-se também o jornal A República, em cuja redação se congregavam Quintino Bocaiúva, Salvador, Aristides Lobo, Lafayette, Pedro Soares de Meireles e Flávio Farnese.

Nos anos seguintes, Salvador dedicou-se também a traduzir obras de autores franceses para a Casa Garnier. Em 1875, publicou o primeiro e único romance, Maraba. No mesmo ano ficou viúvo. Nomeado cônsul privativo do Império em Baltimore, logo depois foi nomeado para o consulado de Nova York e, em 3 de maio de 1876, foi promovido a cônsul geral do Brasil nos Estados Unidos. No ano seguinte casou-se com a norte-americana Maria Redman.

Como poeta, Salvador de Mendonça, que parece ter feito a formação intelectual na poesia de Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu, é um legítimo continuador dos românticos. Seus versos de mocidade, perdidos em velhas coleções de jornais do Rio e de São Paulo, têm características dos poetas do fim do Romantismo. Há, porém, em sua poesia aspectos que o distinguem, como o intenso sentimento da terra, da gente e da paisagem do Brasil.

Fonte: Academia Brasileira de Letras.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A primeira mamadeira.

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A PRIMEIRA MAMADEIRA

1845 – É patenteada a primeira mamadeira. O inventor da mamadeira foi Elijah Pratt, norte-americano. A sua invenção, porém, não obteve muito sucesso. O bico de sua mamadeira tinha cheiro e gosto desagradáveis. As mães evitavam o seu uso para as crianças. Em princípios do século XX, o progresso realizado em laboratórios levou ao desenvolvimento de um bico de borracha, sem cheiro e sem gosto. Foi um grande aperfeiçoamento em relação ao engenho de Elijah Pratt, mas, quando usado com garrafa de vidro, esse bico frequentemente provocava cólicas e outras indisposições no bebe. Médicos observaram que o vácuo fazia o bico de borracha murchar à medida que o leite era sugado e o bebe passava a engolir ar no esforço para saciar sua fome. Era o ar assim engolido que causava cólicas. Anos depois uma enfermeira pediatra resolveu o problema. Observou que as glândulas do seio materno encolhem quando deixam sair o leite. A ideia da enfermeira foi fazer uma mamadeira que encolhesse como o seio da mãe, quando sugada pelo bebe. Isso evitaria o vácuo, sem necessidade de válvulas ou outros engenhos.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 3, página 411.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Desencanto.

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DESENCANTO

Cantei para os surdos,
Meu canto sem graça;
Falei para os mudos
O verbo da raça.

Neguei minha voz
Ao ensino sem cor;
Destino atroz
De quem ensinou.

O pranto das águas,
Deitadas de horror;
Coitadas das mágoas
Vestidas de dor.

Debalde era o canto
Que não encantou;
A música do pranto
Despida do amor

Da noite era o manto,
Vestida à mortalha;
Cruel o espanto
Do corte à navalha.

João Batista.


João Batista Xavier de Sousa nasceu em Nata/RN, em 08 de junho de 1941. Vivendo em Mangabeira, pequeno povoado à margem do Rio Jundiaí – Macaíba/RN, tendo sempre como ponto referencial a casa dos seus pais, José e Nair. Vem estudar em Natal e aprender a ganhar a vida.

Formando-se com láurea no Curso de Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, à época, integrava o quadro da Polícia Militar do Estado. Sua sensibilidade aflora no estudo e conhecimento da Educação. Professor com larga experiência Marista, Assessor Técnico em Educação, Orientador, Palestrante nos mais diversos eventos culturais e de Educação. Sempre estudioso, participou do Curso de Atualização em Educação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Por três vezes assumiu a Secretaria Municipal de Educação em Macaíba.

Natalense, realizou outro sonho, o de ser "Cidadão Macaibense", título que guarda junto a tantos outros.

Sempre amigo, tenaz, humano, com sua luz de mestre educador, iluminou com sabedoria o caminho de muitos jovens.

Quando a luz lhe fugiu dos olhos, sem sucumbir ao desespero, sua alma tornou-se mais clara, brilhante, fluorescente... E a dor, assim, encontrou o seu porto, o seu farol, navegando pela caneta do poeta, no primeiro livro de poesias que foi "Encanto", e, seqüenciando, "Pedaços Inteiros", "Uma Escola Possível" e "Cantos e Prantos", estando programado para breve, o lançamento de "Refúgio", a sua mais nova criação.

Fontes: “Cantos e Prantos” Gráfica CDF – 1ª edição – 2005 e o próprio autor.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A doença da vida.

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A DOENÇA DA VIDA

Corri toda a cidade, noite adiante:
Ruas e praças, becos e vielas,
As avenidas amplas, largas, belas,
Sob o vivo esplendor da luz radiante.

Vi-lhe os bairros de lôbregas mazelas;
Os palácios, o nobre orgulho arfante
Dos seus salões, tudo como um passante
Curioso de quadros e de telas...

Oh! a tristeza ardente, comovida,
Dos que vivem na muda indiferença
De uma ruidosa Acrópole incendida!

Oh! a tristeza amarga de quem pensa!
O Tédio, o Spleen, o Ideal, doença da Vida,
Poe, Baudelaire, Leopardi, vossa doença.

Pereira da Silva.

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Antônio Joaquim Pereira da Silva, jornalista e poeta, nasceu em Araruna, Serra da Borborema, PB, em 09 de novembro de 1876, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11 de janeiro de 1944.

Era filho de Manuel Joaquim Pereira da Silva e de D. Maria Erciliana da Silva. Aos 14 anos foi matriculado no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e começou a trabalhar na Estrada de Ferro Central do Brasil. Fez os preparatórios na Escola Militar. Começou a interessar-se pelos estudos literários, estudou gramática e leu Casimiro de Abreu, Gonçalves Dias, Fagundes Varela e Castro Alves. Em 1895, matriculou-se na Escola Militar, onde fez os preparatórios. Em 1897, foi preso em função de movimento revolucionário entre os alunos. Foi implicado e, preso incomunicável, levado para o 13o Batalhão de Cavalaria, no Paraná. Em Curitiba, conheceu escritores e poetas, entre os quais Dario Veloso, que muito o influenciou. Depois da prisão, em 1900, desligou-se do Exército. Voltando ao Rio de Janeiro, passou a trabalhar como funcionário postal e cursou a Faculdade de Direito.

Começou sua carreira como crítico literário nos jornais A Cidade do Rio (de José do Patrocínio, onde usou o pseudônimo J. d'Além), Gazeta de Notícias, Época e Jornal do Commercio. Participou do grupo simbolista que publicou a revista Rosa-Cruz, que tinha à frente Félix Pacheco, Saturnino de Meireles, Paulo Araújo e Castro Menezes. Tornou-se um destacado poeta do movimento, de 1903 a 1905.

Casou-se, no Rio, com a filha de Rocha Pombo. Foi nomeado, logo depois de bacharelar-se, juiz de direito no Paraná. Em Curitiba, escreveu "Solitudes", seu segundo livro, que mereceu aceitação pública. Lá poderia ter tido um belo futuro, mas decidiu pedir demissão do emprego e voltar para o Rio, em 1918, em companhia da mulher, que não se adaptara ao clima de Curitiba. Conseguiu emprego de escrevente na Central do Brasil e voltou a colaborar na Rosa-Cruz. À noite, trabalhava na Gazeta de Notícias como revisor. Em 1922, a convite do editor Leite Ribeiro, organizou e passou a dirigir a revista Mundo Literário, com Agripino Grieco e Théo Filho.

Abandonado pela mulher, e com um filho aos seus cuidados, eis o quadro da sua vida que irá se refletir na sua poesia. Fernando Góes a define como “a obra de um elegíaco, de um pessimista, um desencantado, cujos temas são a solidão, a dor, a morte, a tristeza”. Já Andrade Murici destaca aspectos da sua obra em que “a poesia está profundamente embebida do espírito do simbolismo: a linguagem alusiva e secreta, o envolvimento em atmosfera de transcendência. (...) A fluidez da expressão simbolista não o conduziu, entretanto, nem à diluição, nem ao informe. Pelo contrário, evitou a descaída para a vulgaridade”.

Fonte: Academia Brasileira de Letras.

domingo, 18 de abril de 2010

Um ex-campeão.

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UM EX-CAMPEÃO

Sentado numa ponta de calçada,
Um velhote que em tempos que lá vão.
Da conquista foi forte campeão,
Contempla com espanto a pequenada.

Que ali passa, exubera e desafia,
Mas o velhote apenas se arrepia.

Que tentação tremendamente roxa,
Como era no seu tempo diferente!
Por mais audaz que fosse o insolente,
Não via perna, e muito pior vê coxa.

Com a delícia da saia joelho acima,
Ele se agita, mas já não se anima.

Recorda a sua mocidade ardente,
Que dele, a muito, está distanciada.
Busca então seu torrado lentamente,
E, por desforra, cheira uma pitada.

R.S. Furtado.

sábado, 17 de abril de 2010

Casa paterna.

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CASA PATERNA

Da velha casa em que a manhã da vida
passei – conservo uma lembrança exata:
antes de eu vir ao mundo foi erguida
perto da serra, quase ao pé da mata.

Dá para o sul a frente enegrecida;
ao lado, para um poente de escarlata,
janelas donde, na estação florida,
se aspira os cheiros dos jasmins de prata.

Perto, o bambual em cujo seio amigo
cantam graúnas, e o pomar antigo
com meiros, tiés e gurundis em bando.

O ribeirão, o cafezal, a horta...
Ah! que saudade o coração me corta
do lar querido que deixei chorando!

Gustavo Teixeira.


Gustavo Teixeira nasceu em 04 de março de 1881 em São Pedro de Piracicaba, onde sempre viveu, com exclusão de breve período em que tentou o jornalismo em São Paulo. Conhece-se, desse tempo, uma fotografia sua, em que figura ao lado de Júlio Prestes, Batista Cepelos, Francisco Lagreca e René Thiollier (no livro deste, Episódios de Minha Vida, São Paulo, Anhembi, 1956, entre país. 16 e 17). Exerceu as funções de secretário da Câmara Municipal de seu município. Eleito para a Academia Paulista de Letras na vaga de Paulo Setúbal, faleceu pouco depois, em 22 de setembro de 1937.

Cassiano Ricardo, que estudou a poesia do bardo de São Pedro, acentua o seu derramamento em “poemas excessivos, longos demais, como ‘O Sonho de Marina’, ‘Última Página’, ‘Leda’, ‘Versos Brancos’ e muitos outros”, e também a sua falta de surpresa, quer no ritmo, quer na rima; aponta o poeta de Martim Série que onde há “violetas” se seguirão “borboletas”, ou vice-versa (embora não deixem de ocorrer varias parelhas de “violetas” e “Julietas”, acrescentamos nós). Isso também se havia dado entre os simbolistas: depois de “astros” viria “rastros”, e o próprio Gustavo Teixeira não escaparia a combinação, no terceto final de “A Águia”, onde o homem anda a gemer “de rastros”, ao passo que a águia tem por diadema os “astros”.

Gustavo Teixeira não atingiu com “Ementário” nem “Poemas Líricos” o primeiro plano, mesmo em nosso neoparnasianismo; mas de qualquer modo representa bem, nessa primeira fase, o poeta do interior que sonha com ideias inatingíveis de beleza, sendo mesmo estranho, como assinala Cassiano Ricardo, “que tenha sido tão grego nas condições ‘municipais’ em que escreveu o seu Ementário”. A publicação de suas poesias inéditas, principalmente as do "Último Evangelho", viria mostrar que no fim da vida o poeta alcançara uma posição de equilíbrio, que se pode notar em vários sonetos daquele livro: sua arte é, então, bem mais simples e mais precisa, bastando para conceder-lhe, tranquilamente, um lugar ao sol entre os neoparnasianos.

Fonte: “Poesia Parnasiana – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Formosura ideal.

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FORMOSURA IDEAL

Essa visão que em sonho me aparece,
e que, mesmo sonhando, me resiste,
por que foge, por que desaparece,
mal eu desperto, apaixonado e triste?

Por que, branca e formosa resplandece
como uma estrela, e a torturar-me insiste,
se é certo, – oh! Dor cruel que me enlouquece! –
que ela somente no meu sonho existe?

Cheia de luz e de pureza e graça,
– alma de flor e coração de estrela –
ela, sorrindo, nos meus sonhos passa...

E sempre a mesma angústia dolorida:
branca e formosa dentro d’alma tê-la,
sem poder dar-lhe forma e dar-lhe vida!

Zeferino Brasil.


Nasceu Zeferino de Sousa Brasil em Porto Grande, município de Taquari (Rio Grande do Sul), em 24 de abril de 1870. Foi funcionário público e exerceu o jornalismo, tendo sido também romancista, teatrólogo e crítico de arte. “Sua prosa tem o mesmo fulgor e a mesma cadência de sua poesia”, assinala Manuelito de Ornelas. Faleceu em Porto Alegre, em 03 de outubro de 1942.

Depois de acentuar que Zeferino Brasil foi o maior poeta parnasiano do Sul do país, escreve Manuelito de Ornelas: “Fustigado pelo demônio interior, naquele conflito do espírito com o físico, cuja harmonia um acidente quebrara, Zeferino Brasil tem, às vezes, a frescura das vozes ingênuas, na aceitação quase beneditina das penitências da vida e, outras vezes, a revolta de um Lúcifer diante do Criador. Foi um pouco anjo; foi um pouco demônio.

Ainda estou a revê-lo, cabeleira revolta, boca imensa e rasgada, gravata preta, de tope, caída sobre o peito, apoiado em sua bengala de junco, a passar – como um irmão de Santo Antero – pela sombra acolhedora das árvores gigantes da Praça da Alfândega...

Zeferino Brasil não foi somente parnasiano; foi também simbolista (em livros tais como Visão do Ópio e, embora menos, Na Torre de Marfim), mas já como parnasiano, escreveu “Teias de Luar”, “O Sonho de Titânia” e “A Rainha de Sabá”. Seu livro mais expressivo, de dicção mais pessoal e pura, é, para nós, "Teias de Luar", que lhe concedeu um lugar apenas seu em nosso parnasianismo.

Fonte: “Poesia Parnasiana – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

As primeiras regras da pedagogia.

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AS PRIMEIRAS REGRAS DA PEDAGOGIA.

390 acPlatão (427-347) estabelece as primeiras regras da Pedagogia, de que se tem notícia. Seu “Livro VII das Leis” é inteiramente consagrado à Educação. Ei-lo: “O objetivo da educação, consiste, principalmente, em obter o desenvolvimento harmonioso de todas as nossas faculdades. Desde cedo é necessário, pois, dar todos os cuidados e atenções à criança, porque sua alma é como cera mole, onde fácil e fortemente se gravam as primeiras impressões. Estas têm considerável influência sobre a orientação de vida do adulto. Desde o nascimento, deve, portanto, começar a educação. Os primeiros elementos da educação começam no aleitamento e no próprio embalar da criança. Seria de desejar que a própria casa fosse como um navio no mar. Os recém-nascidos deveriam estar sempre submetidos a um balanço rítmico e contínuo. Todas as amas sabem perfeitamente quão benefício é o balanço para as crianças quando não têm sono. A dança e a música são dois excelentes elementos na educação da criança. Servem de calmante e preparam-nas para o ritmo e o movimento. O que excita, principalmente, a criança, é o medo. Esse deriva, crê o filósofo, da fraqueza da alma das crianças. Assim, quando opomos à agitação que vai na alma da criança um movimento externo, equilibram-se os movimentos e a calma renasce. As crianças até os seis anos devem ser tratadas com carinho, mas também com firmeza. Não se deve corrigi-las com violência para que não fiquem irritadas nem tampouco deixar que fiquem insolentes por falta de punição adequada. Dos três aos seis anos as crianças devem reunir-se nos logradouros públicos, acompanhadas pelas sua amas, a fim de aprenderem a brincar e, ao mesmo tempo, se acostumarem a vida social. As amas devem vigiá-las para que brinquem em ordem e para moderá-las em seus movimentos mais vivos. Essas amas serão vigiadas, por sua vez, por uma das doze mulheres que o funcionário responsável pela educação designou para o serviço do ano. Aos seis anos os meninos são separados das meninas. Os meninos iniciarão os exercícios de equitação, os exercícios com o arco, a funda e o dardo.”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, páginas 35/37.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A bordo.

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A BORDO

Tu vais! No alto mar, por sob um céu de anil,
Lúcido e transparente, infindo e imaculado.
Volve aqui para nós o semblante magoado,
Lança um último olhar às costas do Brasil.

Quando a brisa marinha, indolente e sutil,
A face te oscular num beijo prolongado,
Lembra-te então de mim, do pobre desterrado,
Desta ingênua paixão, tão simples e infantil!

Quando vires voar os albatrozes brancos,
Com as asas rasgando os píncaros e os flancos
Das montanhas azuis do oceano sem fim,

Deixa então a tua alma atravessar o espaço...
Que ela venha poisar no meu febril regaço
E chore o teu amor lembrando-se de mim.

Filinto de Almeida.

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Francisco Filinto de Almeida nasceu a 04 de dezembro de 1857 na cidade de Porto, Portugal, veio aos dez anos para o Brasil e adquiriu a nacionalidade brasileira. Foi deputado estadual, em São Paulo, de 1892 a 1894, e chegou a dirigir O Estado de São Paulo. Em 1895 fixou-se no Rio de Janeiro, onde exerceu atividade jornalística e teatral. Escreveu na Semana de Valentim Magalhães sob o pseudônimo de Filindal, e colaborou em vários outros jornais, de São Paulo e do Rio. No jornalismo usou também os pseudônimos Chico Férula, A., A. Bomtempo, A. Julinto (com Júlia Lopes de Almeida), Munícipe Urbano, João da Luz, Justo Leal. P. Talma e Zé Bananal. É o fundador da Cadeira nº. 3 da Academia Brasileira de Letras, que tem como patrono Artur de Oliveira, de quem fora amigo e foi sucedido por Roberto Simonsen. Produziu comédias, crônicas e um romance em colaboração com sua esposa Júlia Lopes de Almeida, A Casa Verde. Sua última obra é o livro Cantos e cantigas, publicado em 1915, que abrange as produções de 1887 a 1914. Na feição primitiva, era um lírico exclusivo. No segundo livro de poesias, revela progressos na forma e na inspiração. Firma-se como poeta parnasiano, expressando seus sentimentos e refletindo sobre o mundo exterior. Faleceu no Rio de Janeiro, em 28 de janeiro de 1945.

Fontes: “Poesias Parnasianas – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967 e Academia Brasileira de Letras.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Morrer.

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MORRER

Morrer! Coragem. Que nenhuma trema,
Fibra seguir da trôpega matéria.
Quando chegar a minha extrema,
De demandar a região etária.

Quero dar cumprimento a lei suprema,
Que por ser suprema é lei funérea.
Imposta a todos nós como um emblema,
Seja a vida de fausto ou de miséria.

Já não sinto esperança que me embale.
A um troféu esculpido em diamante,
A morte para mim já equivale.

Talvez seja minha alma astro irradiante,
Ou flor singela que matize o vale,
Quando eu da vida me encontrar distante.

R.S. Furtado.

domingo, 11 de abril de 2010

Estoicismo.

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ESTOICISMO

Ouve tu, homem bom! Ouve, alma forte e pura!
Se a Vida destruiu teu santo ideal antigo;
Se teu pai te expulsou, como um torpe mendigo,
Por que fosses trilhar a rua da amargura;

Se a amante te traiu, num beijo de ternura;
Se te vendeu, sorrindo, o teu melhor amigo;
Se a déspota, da tua altivez em castigo,
Na prisão te deixou por leito a terra dura...

Não te queixes! Não dês ao tirano e ao perverso
O prazer de escutar-te um ai... Consciência justa,
Tu podes, num só gesto, esmagar o universo!

Sofre, pois, mudo, sem um gemido mesquinho;
Envolve-te na Dor silenciosa e augusta,
Como num manto real de púrpura e de arminho!

Magalhães de Azeredo.

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Carlos Magalhães de Azeredo nasceu no Rio de Janeiro, em 07 de setembro de 1872. Estudou em Portugal (1879-1880), depois no Colégio São Luís, de Itu (até 1887), e graduou-se em 1893 na Faculdade de Direito de São Paulo. Diplomata de carreira, serviu no Uruguai (1895-1896), Cuba (1912), Grécia (1913-1914), Santa Sé (intermitentemente, 1896-1911, 1914-1919), 1919-1939, vindo a aposentar-se como embaixador. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (cadeira nº 9). Faleceu em Roma, em 04 de novembro de 1963, tendo sido seus restos transladados para o Rio de Janeiro, onde baixaram à sepultura.

A vida diplomática, levando-o para fora do Brasil, prejudicou-lhe o contato com as novas gerações literárias, embora tivesse se dedicado desde cedo às letras. Aos 12 anos escreveu um pequeno volume de versos, "Inspirações da infância", que ficou inédito. Estudante, colaborou em diversos jornais em São Paulo e no Rio, onde residiu antes de seguir para Montevidéu, em função diplomática. Em 1895, publicou "Alma primitiva", em prosa, e, em 1898, "Procelárias", o seu primeiro livro de poesias.

Fontes: “Poesias Parnasianas – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967 e Academia Brasileira de Letras.

sábado, 10 de abril de 2010

Por quê?

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POR QUÊ?

Ris, se digo que és boa; e se te digo
Que és má, tomas um ar de indiferença...
Fazes um gesto vago de descrença,
Quando afirmo serei teu muito amigo...

Se de tuas promessas te desligo,
Amuas-te; e é fatal a desavença,
Ao te falar da gratidão imensa
E do respeito meu para contigo...

Se as mãos te beijo, cedes; mas, fremente,
Se a procuro, essa boca me resiste!...
Enfado-me, gargalha loucamente!

Não sei, porém, se alta razão te assiste,
Se a atitude é de sábio ou de demente,
Quando, ao jurar que te amo, ficas triste!

Goulart de Andrade.

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Nasceu José Maria Goulart de Andrade em Maceió, Alagoas, em 06 de abril de 1881. Estudou lá mesmo, e, ao mudar-se para o Rio de Janeiro, aos 16 anos, desejou ingressar na Marinha: fez o curso prévio na Escola Naval, mas diplomou-se em engenharia na Escola Politécnica do Rio de Janeiro (1906). Engenheiro da prefeitura carioca, foi também redator da Câmara de Deputados, professor e diretor do Ginásio Pan-Americano, membro da Academia Brasileira de Letras. Faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de dezembro de 1936. Desde cedo, vinculou-se ao grupo de poetas boêmios, entre os quais Guimarães Passos (seu conterrâneo), Olavo Bilac, Emílio de Menezes, Martins Fontes. Como poeta, esmerou-se na especialidade das poesias difíceis, de forma fixa o vilancete, o rondel, a balada e sobretudo o canto, real, uma das mais complexas formas poéticas. Tornou-se também jornalista, sendo um dos redatores de O Imparcial nos primeiros tempos, onde teve o convívio de João Ribeiro, Humberto de Campos e Augusto de Lima. Publicou inúmeros trabalhos na Revista da Academia Brasileira de Letras.

Fontes: “Poesias Parnasianas – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967 e Academia Brasileira de Letras.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O bate papo dos insetos.

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O BATE PAPO DOS INSETOS

1963 (julho) – Prova-se que os insetos conversam. O autor dessa descoberta é o engenheiro paulista Johan Dalgas Frisc. Gravou em fita magnética a fala das formigas. Testemunham esse fato os senhores Oswaldo Barbosa de Oliveira e José Carlos Reis Magalhães. Para tanto anulou toda interferência estranha à gravação, produzida pelo vento, chuva, grito, etc., longe da estrada. Perseguiu as formigas na floresta, sem perturbar-lhes o ritmo normal do trabalho. Fez com que elas não suspeitassem de que estavam sendo observadas. De posse de um gravador eletrônico, que aumenta em dez mil vezes o som original e do seu minucioso conhecimento, captou a voz das formigas. Interpretou-as quando se cumprimentam ou transmitem sinal de perigo ao formigueiro, donde todas fogem. Ele prova assim que as baratas, aranhas e outros insetos também conversam, possuem uma linguagem própria. Tudo será gravado em disco. Frisc é muito conhecido em quase todo o mundo. Foi elogiado até pela BBC de Londres. Seus discos sobre o “Canto das Aves do Brasil”, “Vozes da Selva Amazônica”, ultrapassaram nossas fronteiras. Foram vendidos no Peru, Uruguai, Colômbia, Argentina, Venezuela, Portugal, Itália, Estados Unidos, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Seu ultimo disco “Vozes da Amazônia”, reproduz o lendário canto do uirapuru, na mata virgem do nosso sertão bravio.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 5, páginas 877/878.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pórtico.

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PÓRTICO

Ó minha esposa, minha mãe, meu filho,
- Santíssima trindade do meu peito -
Se este jardim de sonhos imperfeito
Floresce a pobre lira que eu dedilho;

É que deixastes nele o estranho brilho
Do vosso olhar, que me fecunda o jeito
De tratar, como a um casto amor-perfeito,
Vosso perfeito amor, que a nada humilho.

O verso... vosso bem é que mo trouxe;
Não me dissera a Musa uma verdade,
Se de vós três a síntese não fosse.

Quem quer que leia, pois, meus versos, há de,
Certo, aceitá-los... se aceitar o doce
Mistério da Santíssima Trindade.

Luís Carlos


Luís Carlos da Fonseca nasceu no Rio de Janeiro, em 10 de abril de 1880. Engenheiro, trabalhou na E. F. Central do Brasil, servindo em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. Seus primeiros versos foram publicados em Juiz de Fora; em São Paulo, onde residiu, por vários anos, Luís Carlos continuou a estampá-los em jornais e revistas, e ao mudar-se para o Rio, foram lidos por Augusto de Lima em junho de 1917 na Academia Brasileira de Letras. Não muito tempo depois, ingressou no sodalício. Faleceu no Rio de Janeiro, em 10 de abril de 1932.

Os cantos de Luís Carlos – que encheram completamente 250 páginas de seu livro de estréia – foram classificados por Alberto de Oliveira como “analises do sentimento das coisas, divagações filosóficas, intimidades, afeições domésticas” Se fácil é neles descortinarmos a sonoridade a que se reportava o vate fluminense, difícil é darmos com o “alentado sopro de inspiração” que o mesmo Alberto neles divisava.

Fontes: “Poesias Parnasianas – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967 e Wikipédia.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Surdez.

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SURDEZ

Do silêncio no cárcere sombrio,
Em que já conformado eu sou cativo.
Não tenho ao desatino algum motivo,
Serenamente, o meu viver desfio.

Do valor da honradez não me desvio,
Embora meu tormento purgativo.
Às vezes com rigor soa positivo,
Contra o destino. Mas ainda confio.

Por não ouvir dos pássaros o trino,
Ou da música suave o som divino,
Maldigo o meu silêncio alguma vez.

Mas não ouvir quando o imbecil gargalha,
Ou uma afeita pilhéria de um canalha,
Muito bendigo então minha surdez.

R.S. Furtado.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Amanhã.

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AMANHÃ

Amanhã! – é o sol que desponta,
É a aurora de róseo fulgor,
É a pomba que passa e estampa
Leve sombra de um lago na flor.

Amanhã! – é a folha orvalhada,
É a rôla a carpir-se da dor,
É da brisa o suspiro, – é das aves
Ledo canto, – é da fonte o frescor.

Amanhã! – são acasos da sorte;
O queixume, o prazer, o amor,
O triunfo que a vida nos doura,
Ou a morte de baço palor.

Amanhã! – é o vento que ruge,
A procela d’horrendo fragor,
É a vida no peito mirrada,
Mal saltando um alento de dor.

Amanhã! – é fôlha pendida,
É a fonte sem meigo frescor,
São as aves se canto, são bosques
Já sem folhas, e o sol sem calor.

Amanhã! – são acasos da sorte!
É a vida no seu amargor,
Amanhã! – o triunfo, ou a morte;
Amanhã! – O prazer, ou a dor!

Amanhã! – o que val’, se hoje existe!
Folga e ri de prazer e de amor;
Hoje o dia nos caba e nos toca,
De amanhã Deus sòmente é Senhor!

Gonçalves Dias.

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António Gonçalves Dias nasceu no dia 10 de agosto de 1823, em Caxias, no Maranhão e faleceu no naufrágio do navio “Ville de Boulogne”, no dia 03 de novembro de 1864, nas costas do Maranhão. Estudou Direito em Coimbra, Portugal, entre 1840 e 1844; lá ocorreu sua estréia literária, em 1841, com poema dedicado à coroação do Imperador D. Pedro II no Brasil. Em 1843, escreveria o famoso poema Canção do Exílio. De volta ao Brasil, foi nomeado Professor de Latim e secretário do Liceu de Niterói, e iniciou atividades no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Nos anos seguintes, aliou a intensa produção literária com o trabalho como colaborador de vários periódicos, professor do Colégio Pedro II e pesquisador do IHGB, que o levou a fazer várias viagens pelo interior do Brasil e para a Europa. Em 1846, a publicação de Primeiros Cantos o consagraria como poeta; pouco depois publicaria Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848) e Últimos Cantos (1851). Suas Poesias Completas seriam publicadas em 1944. Considerado o principal poeta da primeira geração do Romantismo brasileiro, Gonçalves Dias ajudou a formar, com José de Alencar, uma literatura de feição nacional, principalmente com seus poemas de temática indigenista e patriótica.

Fontes: “Poetas Românticos Brasileiros” – Editorial Amadio – Volume 2 e http://www.astormentas.com/

domingo, 4 de abril de 2010

Meu pai.

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MEU PAI

Desce, meu Pai, a noite baixou mansa.
Nem uma nuvem se vê mais no céu:
Aninharam-se aqui no peito meu,
Onde, chorando, a negra dor descansa.

Quando morreste eu era bem criança,
Balbuciava, sim, o nome teu,
Mas d’este rosto santo que morreu
Já não conservo a mínima lembrança.

A noite é clara; e eu, aqui sentada,
Tenho medo da lua embalsamada,
Corta-me o frio a alma comovida.

Se lá no Céu teu coração padece,
Vem comigo rezar a mesma prece:
Tua bênção, meu pai, me dará vida!

Auta de Souza

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Auta de Souza nasceu em Macaíba, então Arraial, depois cidade do Rio Grande do Norte a 12 de Setembro de 1876. Era magrinha, calada, de pele clara, um moreno doce à vista como veludo ao tacto. Antes de ter completado 3 anos, ficou órfã de mãe e aos 4 anos de pai. Sua existência na Terra foi assinalada por sofrimentos acerbos. Ainda menina, assistiu à morte de um de seus irmãos, vitimado pelo fogo produzido pela explosão de um lampião a querosene.
        Antes dos 12 anos, foi matriculada no Colégio São Vicente de Paulo, no bairro da Estância, onde recebeu carinhosa acolhida por parte das religiosas francesas que o dirigiam e lhe ofereceram primorosa educação: Literatura, Inglês, Música, Desenho e Francês, o que lhe permitiu ler no original Lamartine,Victor Hugo , Chateaubriand e Fénelon.
        De 1888 a 1890, a jovem Auta estuda, recita, verseja, ajuda as irmãs do Colégio e aprimora a beleza de sua fé, na leitura constante do Evangelho.
        Aos 14 anos manifestaram-se os primeiros sintomas da enfermidade que lhe roubou, em plena juventude, o viço, e foi a causa de sua morte, ocorrida em 7 de fevereiro de 1901, com 24 anos de idade.
        O forte sentimento religioso e mesmo a doença não impediram de ter uma vida absolutamente normal em sociedade.
        Era católica, mas não submissa ao clero. Era comunicativa, alegre, sociável. A religiosidade dela era profunda, sincera, medular, mas não ascética, mortificante, mística. Seu amor por Jesus e pelo Anjo da Guarda não a distanciaram de todos os sonhos das donzelas: amor, lar, missão maternal.
        Com 16 anos, ao revelar o seu invulgar talento poético, enamorou-se do jovem promotor público de Macaíba, João Leopoldo da Silva Loureiro. Dotada de aguda sensibilidade e imaginação ardente, dedicava ao namorado amor profundo, mas a tuberculose progredia e seus irmãos convenceram-na a renunciar. A separação foi cruel, mas apenas para Auta. A João Leopoldo faltava o refinamento espiritual para perceber o sentimento que extravasava através dos olhos meigos a grande poetisa.
        Essa sucessão de golpes dolorosos marcou profundamente sua alma de mulher, caracterizada por uma pureza cristalina, uma fé ardente e um profundo sentimento de compaixão pelos humildes, cuja miséria tanto a comovia. Era vista lendo para as crianças pobres, para humildes mulheres do povo ou velhos escravos, as páginas simples e ingênuas da "História de Carlos Magno", brochura que corria os sertões, escrita ao gosto popular da época.
        A orfandade da Poetisa ainda criança; a desencarnação trágica de seu irmão; a moléstia contagiosa e a frustração no amor, amalgamados à forte religiosidade de Auta, levaram-na a compor uma obra poética singular na História da Literatura Brasileira: "Horto", seu único livro, um cântico de dor, mas também de fé cristã.
        O sofrimento veio burilar a sua inata sensibilidade, que transbordou em versos comovidos e ternos, ora ardentes, ora tristes, lavrados à sombra da enfermidade, no cenário desolador do sertão de sua terra.
        Em 14 de Novembro de 1936, houve a instalação da Academia Norte Rio Grandense de Letras, com a poltrona XX dedicada a Auta de Souza.

Fonte: Forum Espírita e Wikipédia.

sábado, 3 de abril de 2010

A ciência de curar.

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A CIÊNCIA DE CURAR

410 aC – Hipócrates funda a Ciência de Curar sem a intervenção dos Deuses. Nasceu em Atenas em 460. Faleceu em Larissa com 110 anos. É considerado “o pai da Medicina”. As doenças são acontecimentos naturais. Obedecem às leis naturais, ensinava. Hipócrates esclareceu o problema das doenças. Consolidou a doutrina. Isto se dava pela primeira vez na história da vida humana. Em seus Aforismos, Hipócrates ensina: – “É curta a vida, mas a arte é longa”. “As pessoas que são naturalmente muito gordas morrem mais cedo do que as que são magras”. “A tísica se manifesta mais comumente entre as idades de dezoito a trinta e cinco anos”. “A um escarro de sangue segue-se um escarro de pus”, em que Hipócrates observava nas pessoas atacadas de tuberculose pulmonar o sintoma inicial da hemorragia, seguida de expectoração ordinária. “Os eunucos não ficam artríticos nem calvos”. “Se um doente de hidropsia é presa de soluços, o caso é desesperador”. “Para combater a angústia, a sonolência, ou os calafrios, beba-se vinho, misturado a iguais proporções de água”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 32/35.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Bom Jesus, amador das almas puras.

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BOM JESUS, AMADOR DAS ALMAS PURAS

Bom Jesus, amador das almas puras,
Bom Jesus, amador das almas mansas,
De ti vêm as serenas esperanças,
De ti vêm as angélicas doçuras.

Em toda parte vejo que procuras
O pecador ingrato e não descansas,
Para lhe dar as bem-aventuranças
Que os espíritos gozam nas alturas.

A mim, pois, que de mágoa desatino
E, noite e dia, em lágrimas me banho,
Vem abrandar o meu cruel destino.

E, terminado este degredo estranho,
Tem compaixão de mim, Pastor divino!
Que não falte uma ovelha ao teu rebanho!

José Albano.

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Nascido em Fortaleza, no Ceará, em 12 de abril de 1882, José d’Abreu Albano, neto dos Barões de Aratanha, estudou no Seminário daquela diocese, depois em colégios religiosos da Inglaterra, da Áustria e da França. De regresso, fez os preparatórios no Ceará e em 1902 tentou estudar Direito no Rio de Janeiro. Professor de latim no Ceará, em 1904, no ano seguinte trabalha no gabinete do Barão do Rio Branco, no Itamarati, e em 1908 no Consulado do Brasil em Londres. Em 1912 deixa o emprego e põe-se a viajar pela Europa. Em 1914, combalido das faculdades mentais, volta ao Ceará e em 1917 ao Rio de Janeiro; no ano seguinte fixa-se em Paris. Faleceu em 11 de julho de 1923 num hospital de Montauban, na França.

José Albano era pessoa singular, até na aparência. Conforme o descreve Luís Edmundo, “quando aqui chegou vindo de Viena, onde estudava desde menino, o poeta José de Abreu Albano” trazia “a mais vasta cabeleira já descida em terras brasílicas e uma barba em novelo que lhe dava o bíblico ar de um Yokanan que usasse croisé de sarja, polainas e monóculo”. Chegado ao grupo de João Ribeiro, que fazia ponto na Livraria Garnier, ainda segundo Luís Edmundo “falava como escreviam Diogo do Couto e Fernão Lopes de Catanheda. (...) Detesta o automóvel, a democracia e os relógios Pateck Philippe.

A poesia de José Albano é complexa com sua língua de tons envelhecidos, mas os Dez Sonetos, por ele próprio escolhidos, são de grande fluência, doçura e religiosidade bastantes para os terem celebrizado. Ultimamente José Albano vem sendo reestudado pela crítica; Manuel Bandeira reeditou-o em 1948.

Fonte: “Poesia Parnasiana – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967.
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