quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ficaram-me as penas.


FICARAM-ME AS PENAS

O pássaro fugiu, ficaram-me as penas
da sua asa, nas mãos encantadas.
Mas, que é a vida, afinal? Um voo, apenas.
Uma lembrança e outros pequenos nadas.

Passou o vento mau, entre açucenas,
deixou-me só corolas arrancadas...
Despedem-se de mim glorias terrenas.
Fica-me aos pés a poeira das estradas.

A água correu veloz, fica-me a espuma.
Só o tempo não me deixa coisa alguma
até que da própria alma me despoje!

Desfolhados os últimos segredos,
quero agarrar a vida, que me foge,
vão-se-me as horas pelos vãos dos dedos.

Cassiano Ricardo


Cassiano Ricardo Leite, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 26 de julho de 1895 e morreu no Rio de Janeiro em  14  de janeiro de 1974. Tendo participado do movimento modernista e de grupos que se lhe sucederam, Cassiano Ricardo soube aproveitar como poucos o Indianismo, uma das influências do momento, tomando-o como base de uma autenticidade americana. ‘Martim Cererê’, seu livro mais conhecido, traduzido para muitos idiomas e ilustrado por Di Cavalcanti, se fundamenta no mito tupi do Saci-Pererê, manifestando uma conciliação das três raças formadoras da cultura nacional, a indígena, a africana e a portuguesa. Mesclando essas três fontes linguísticas, ele elabora o que foi chamado de "mito do Brasil-menino". Modernista e primitiva a um só tempo, brasileira sem ser nacionalista, sua estrutura lembra alguns elementos da história em quadrinho e dos filmes de animação, prenunciando a pop art. Além de ter escrito esse livro clássico da literatura brasileira, Cassiano Ricardo manteve, até o fim de sua vida, uma pesquisa poética experimental e independente, acompanhando de perto os novos movimentos de vanguarda, sobre os quais escreveu. Seu último livro, 50 anos após o de estréia, exemplifica essa constante inquietação.

OBRAS:

Dentro da Noite (1915)
Vamos Caçar Papagaios (1926)
Borrões de Verde e Amarelo (1926)
Martim Cererê (1928)
O Sangue das Horas (1943)
Um Dia Depois do Outro (1947)
Poemas Murais (1950)
A Face Perdida (1950)
O Arranha-Céu de Vidro (1956)
Poesias Completas (1957)
22 e A Poesia de Hoje (1962)
Algumas Reflexões sobre Poética de Vanguarda (1964)
Jeremias Sem-Chorar (1964) 

Fonte: http://pt.shvoong.com/

13 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Furtado
Gosto de conhecer autores que você sempre está nos apresentando, assim não fico preso sempre aos mesmos. Obrigado.
Grande abraço

Stella disse...

Autore molto bravo.
Un grande abbraccio Furtado.

Chica disse...

Gosto muito dos poemas de Cassiano. Esse é mais um lindo!abraços, ótimo e tranquilinho dia!chica

Everson Russo disse...

Um voo apenas, uma lembrança e outros pequenos nadas,,,isso é muito forte,,,reflexivo...abraços de bom dia pra ti amigo.

Valéria Sorohan disse...

Quando a gente dá conta as horas já passaram. É rápido, muito rápido.

BeijooO'

Laura disse...

Gostei demais.

Beijo

Rosane Marega disse...

BOM DIAAAAA ROSEMILDO!!!
E QUE SEJA PERFEITO E CHEIO DE AMOR!
BEIJOSSSSSSSSS

Maria Valadas disse...

OLá meu querido Furtado:
Um prazer imenso, ler todos os poetas escolhidos por ti.

Já tinha saudades...

Beijo.

Maria

Sandra Botelho disse...

Lindo demais o poema querido.
Gosto de vir aqui, to sempre conhecendo talentos...
Bjos achocolatados

Mariana disse...

Adorei o poema.
este autor eu não conhecia,obrigada por apresentar.
bjs

Livinha disse...

As horas fogem pelos dedos, porque a vida na certa está sendo bem vivida, ocupada, sem ver o vazio por entre os dedos...

Lindo poema.

Hummmm tô me sentindo abandonada...
talvez sejam-me as horas que me fez tomada... rsrss


Bjs

Livinha

Lou Witt disse...

Bela escolha como sempre.

Beijossss

Professora Carla Fernanda disse...

Boa noite Rosenildo! Amanhã é dia de Ação de Graças e eu quero te agradecer por existir na minha vida.
Obrigada e beijos,
Carla Fernanda

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