sábado, 25 de setembro de 2010

Luar.


Luar

De brejo em brejo,
os sapos avisam:
--A lua surgiu!...

No alto da noite as estrelinhas piscam,
puxando fios,
e dançam nos fios
cachos de poetas.

A lua madura
Rola,desprendida,
por entre os musgos
das nuvens brancas...
Quem a colheu,
quem a arrancou
do caule longo
da via-láctea?...

Desliza solta...

Se lhe estenderes
tuas mãos brancas,
ela cairá...

Guimarães Rosa


João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 27 de junho de 1908 — Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967), foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata.

Foi o primeiro dos sete filhos de Florduardo Pinto Rosa ("Fulô") e de D. Francisca Guimarães Rosa ("Chiquitinha").

Autodidata, começou ainda criança a estudar diversos idiomas, iniciando pelo francês quando ainda não tinha 7 anos, como se pode verificar neste trecho de entrevista concedido a uma prima, anos mais tarde:

Eu falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração.

Ainda pequeno, mudou-se para a casa dos avós, em Belo Horizonte, onde concluiu o curso primário. Iniciou o curso secundário no Colégio Santo Antônio, em São João del-Rei, mas logo retornou a Belo Horizonte, onde se formou. Em 1925, matriculou-se na então "Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais", com apenas 16 anos.

Em 27 de junho de 1930, casou-se com Lígia Cabral Pena, de apenas 16 anos, com quem teve duas filhas: Vilma e Agnes. Ainda nesse ano se formou e passou a exercer a profissão em Itaguara, então município de Itaúna (MG), onde permaneceu cerca de dois anos. Foi nessa localidade que passou a ter contato com os elementos do sertão que serviram de referência e inspiração a sua obra.

De volta de Itaguara, Guimarães Rosa serviu como médico voluntário da Força Pública (atual Polícia Militar), durante a Revolução Constitucionalista de 1932, indo para o setor do Túnel em Passa-Quatro (MG) onde tomou contato com o futuro presidente Juscelino Kubitschek, naquela ocasião o médico-chefe do Hospital de Sangue. Posteriormente, entrou para o quadro da Força Pública, por concurso. Em 1933, foi para Barbacena na qualidade de Oficial Médico do 9º Batalhão de Infantaria. Aprovado em concurso para o Itamaraty, passou alguns anos de sua vida como diplomata na Europa e na América Latina.

No Brasil, em sua segunda candidatura para a Academia Brasileira de Letras, foi eleito por unanimidade (1963). Temendo ser tomado por uma forte emoção, adiou a cerimônia de posse por quatro anos. Em seu discurso, quando enfim decidiu assumir a cadeira da Academia, em 1967, chegou a afirmar sob tom sarcástico: "…a gente morre é para provar que viveu." Faleceu três dias mais tarde na cidade do Rio de Janeiro, em 19 de novembro. Se o laudo médico atestou um infarto, sua morte permanece um mistério inexplicável, sobretudo por estar previamente anunciada em sua obra mais marcante — Grande Sertão: Veredas —, romance qualificado por Rosa como uma "autobiografia irracional". Talvez a explicação esteja na própria travessia simbólica do rio e do sertão de Riobaldo, ou no amor inexplicável por Diadorim, maravilhoso demais e terrível demais, beleza e medo ao mesmo tempo, ser e não-ser, verdade e mentira. Diadorim-Mediador, a alma que se perde na consumação do pacto com a linguagem e a poesia. Riobaldo (Rosa-IO-bardo), o poeta-guerreiro que, em estado de transe, dá à luz obras-primas da literatura universal. Biografia e ficção se fundem e se confundem nas páginas enigmáticas de João Guimarães Rosa, desaparecido prematuramente aos 59 anos de idade, no ápice de sua carreira literária e diplomática.

Fonte: Wikipédia

11 comentários:

Maria Bonfá disse...

oi amigo..saudade.. agradeço por sua paciencia comigo.. amei esse poema. aliás como não amar um poema de um grande escritor como Guimarães Rosa.. aplaudo e muito sua escolha.. beijão querido

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amigo
Pouco se divulgam os poemas de Guimarães Rosa, e ele tem coisas lindas como esse poema. Valeu pela lembrança.
Grande abraço

Everson Russo disse...

Luar magico de tantas inspiraççoes....abraços de bom sabado pra ti amigo...fica com Deus smepre.

Gislãne disse...

Guimarães Rosa! (suspiros intensos)

Escolheste bem, como sempre

:)

Chica disse...

Lindo poema escoolhste de Guimarães Rosa! Desejo um lindo fim de semana,com tudo de bom,abraços,chica

JB disse...

Que poema! Belíssima escolha!
Que vontade de abrir os braços e de ser acolhida nesse luar salpicado de estrelas! E claro, perder-se nesse azul de céu e mar... não há luar que resista!

Beijinho

Professora Carla Fernanda disse...

Lindo poema! Guimarães Rosa é um dos melhores. Te desejo um belo fim de semana primaveril!
Carla Fernanda

Sandra Botelho disse...

Oi amigo, hoje eu vim comentar e reclamar, o amigo poeta nem foi buscar o seu presente no Gotinha...Snif, snif!
Bjos tristes!

Livinha disse...

Poema romantico...
amo tanto...
Já roubei tantas estrelinhas do
céu, rebolei n'outros... Mas na intensidade da luz da lua, que é de todo tão ofuscante, essas que rebolei, ninguém viu.
Porque hoje, já não paira mais no ar, sequer no ventre de vidas, o romantismo eternecedor.
parece que ninguém mais se apaixona, meu Deus que horror!!!
E por que será, que será em meu amigo?
me diga por favor!

Lindo de viver...

Bjs

Livinha.

ps:E aí, sobrou um pedacinho de bolo? aff meu amigo comeram todo?
Acho que sei, qual era o sabor.
Tinha gosto de amor, com essência de flor...

Viu! A inspiração, fingi que mora por aqui. Mas tão logo me apegue com ela, ela some e me deixa no vazio... rsrss

Professora Carla Fernanda disse...

Boa noite! Se eu morasse em uma casa teria muuuitas plantas. Adoro!
Meu pau-brasil está em um jarro por falta de outro local onde colocá-lo. Espero que ele cresça e não fique apertado. Se ele chegar neste ponto terei que transportá-lo para um espaço maior. Por enquanto vou cuidar dele.
Carla Fernanda

Claudinha Monteiro disse...

Belo post, e bela lembrança deste artista na concepção mais fundamental dessa palavra.
Bjos e bom domingo pra ti tb...

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