quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Estátua.


ESTÁTUA

Cancei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor,—frio escalpello,—
O meu olhar quebrei, a debate-lo,
Como a onda na crista d'um rochedo.

Segredo d'essa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu labio oscular, n'um pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu osculo ardente, allucinado,
Esfriou sobre o marmore correcto
D'esse entreaberto labio gelado...

D'esse labio de mármore, discreto,
Severo como um tumulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.

Camilo Pessanha


Camilo Almeida Pessanha (Coimbra, 07 de setembro de 1867 — Macau, 1º de Março de 1926) foi um poeta português, expoente máximo do Simbolismo.

Tirou o curso de Direito em Coimbra. Em 1894, transferiu-se para Macau, onde, durante três anos, foi professor de Filosofia Elementar no Liceu de Macau, deixando de leccionar por ter sido nomeado em 1900, conservador do registro predial em Macau e depois juiz de comarca. Entre 1894 e 1915 voltou a Portugal algumas vezes, para tratamento de saúde, tendo, numa delas sido apresentado a Fernando Pessoa que era como Mário de Sá-Carneiro, grande apreciador da sua poesia.

Publicou poemas em várias revistas e jornais, mas seu único livro Clepsidra (1920), foi publicado sem a sua participação (pois se encontrava em Macau) por Ana de Castro Osório, a partir de autógrafos e recortes de jornais. Graças a essa iniciativa, os versos de Pessanha se salvaram do esquecimento. Posteriormente, o filho de Ana de Castro Osório, João de Castro Osório, ampliou a Clepsidra original, acrescentando-lhe poemas que foram encontrados. Essas edições saíram em 1945, 1954 e 1969. Apesar da pequena dimensão da sua obra, é considerado um dos poetas mais importantes da língua portuguesa.

Camilo Pessanha morreu no 1º de Março de 1926 em Macau.

Fonte: Wikipédia
 

9 comentários:

Elaine Barnes disse...

Eu conheci pouco na escola. A professora citava Camilo Pessanha nas aulas de literatura.
Não sabia que tinha deixado só um livro. Ficou conhecido e se tornado um dos poetas mais importantes da lingua portuguesa. João de Castro Osório não permitiu que caisse no esquecimento. Puxa vida,linda a história, aqui uma aula sempre.Obrigada
Montão de bjs e abraços

Chica disse...

Linda escolha, bem elucidativo post!

Persiste a dificudade de vir aqui...Pena!

abração,chica

Sil.. disse...

E eu sempre aprendendo aqui.

Um abraço de bom dia, Furtado!!!

Wanderley Elian Lima disse...

Os poemas clássico têm uma linguagem toda especial, e o simbolismo está evidente nesse.
Grande abraço

Everson Russo disse...

Belissimo meu amigo,,,,sempre com otimas escolhas...abraços fraternos de bom dia na paz de Deus.

Lídia Borges disse...

Este poema é belíssimo!

E Camilo Pessanha, um poeta com lugar na galeria dos melhores, da Literatura Portuguesa.

Um beijo

Lau Milesi disse...

Olá, estou chegando, com licença. Cheguei até aqui trazida pelo seu bom humor ao comentar o miniconto do nosso querido amigo em comum, o Wanderley.

Gostei muito do seu blog e do seu didático post.Aprecio muito esses posts que nos trazem informações e cultura.Foi ótimo também porque relembrei meu tempo de colégio, época em que descobri Camilo Pessanha e suas obras.
Parabéns!
um abraço.

Valéria Sorohan disse...

Oi amigo!
Linda a poesia, amei de paixão. Eu tenho um fascínio por estátuas, qualquer dia vou escrever algo a respeito.

BeijooO*

Livinha disse...

Grande Camilo Pessanha
São lindos e profundos seus poemas.
Voltei mais uma vez a minha fase de estudante e poemas era o que mais gostava e mal sabia que tinha isto nas veias.
Mas os interesses que nos despertam é o que explica.

Adorei meu amigo

Linda noite pra ti

Bjs

Livinha

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