quarta-feira, 28 de julho de 2010

Se porém fosse portanto.


SE PORÉM FOSSE PORTANTO

Se trezentos fosse trinta
o fracasso era um portento
se bobeira fosse finta
e o pecado sacramento
se cuíca fosse banjo
água fresca era absinto
se centauro fosse anjo
e atalho labirinto
Se pernil fosse presunto
armadilha era ornamento
se rochedo fosse vento
cabra vivo era defunto
se porém fosse portanto
vinho branco era tinto
se marreco fosse pinto
alegria era quebranto
se projeto fosse planta
simpatia era instrumento
se almoço fosse janta
e descuido fosse tento
se punhado fosse penca
se duzentos fosse vinte
se tulipa fosse avenca
e assistente fosse ouvinte
se pudim fosse polenta
se São Bento fosse santo
dona Benta fosse benta
e o capeta sacrossanto
se a dezena fosse um cento
se cutia fosse anta
se São Bento fosse bento
e dona Benta fosse santa.

Cacaso


Antônio Carlos de Brito, conhecido como Cacaso, (Uberaba, 13 de março de 1944 — Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1987) foi um professor universitário, letrista e poeta brasileiro.

Depois de viver no interior de São Paulo, mudou-se aos onze anos para o Rio de Janeiro, onde estudou Filosofia e, nas décadas de 1960 e 1970, lecionou Teoria da Literatura e Literatura Brasileira na PUC-RJ. Foi colaborador regular de revistas e jornais, como Opinião e Movimento, tendo, entre outros assuntos, defendido e teorizado acerca do cenário poético de seus contemporâneos, a geração mimeógrafo, criadores da dita poesia marginal, que ganhou publicidade com a antologia 26 poetas hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda, com quem Cacaso, em janeiro de 1974, escreveu o artigo "Nosso verso de pé quebrado", no qual fazem uma síntese das poéticas de então. Seus artigos estão reunidos em "Não quero prosa", publicado em 1997.

Com grande talento para o desenho, já aos 12 anos ganhou página inteira de jornal por causa de suas caricaturas de políticos. Antes dos 20 anos veio a poesia, através de letras de sambas que colocava em músicas de amigos como Elton Medeiros e Maurício Tapajós.

Como poeta estreou em 1967, com o livro "A palavra cerzida", que foi recebido com entusiasmo por José Guilherme Merquior, por representar junto de Francisco Alvim a primeira geração "pós-vanguarda". Em 1974, lança "Grupo Escolar", pela coleção Frenesi, composta também dos livros "Passatempo", de Chico Alvim, "Corações veteranos", de Roberto Schwarz, "Em busca do sete-estrelo", de Geraldo Carneiro, e "Motor", de João Carlos Pádua. Cacaso une-se então a outros poetas, como Eudoro Augusto, Carlos Saldanha e Chacal, formando a coleção Vida de Artista, pela qual lançou "Segunda classe" (em parceria com Luiz Olavo Fontes) e "Beijo na boca", ambos em 1975. Depois vieram "Na corda bamba" (1978), "Mar de mineiro" (1982) e "Beijo na boca" e outros poemas (1985), que reunia uma antologia poética da obra do autor. Seus livros não só o revelaram uma das mais combativas e criativas vozes daqueles anos de ditadura e desbunde, como ajudaram a dar visibilidade e respeitabilidade ao fenômeno da "poesia marginal", em que militavam, direta ou indiretamente, amigos como Francisco Alvim, Helena Buarque de Hollanda, Ana Cristina Cezar, Charles, Chacal, Geraldinho Carneiro, Zuca Sardhan e outros.

No campo da música, os amigos/parceiros se multiplicavam na mesma proporção: Edu Lobo, Djavan, Tom Jobim, Toquinho, Olívia Bvington, Sueli Costa, Cláudio Nucci, Novelli, Nelson Ângelo, Joyce, Toninho Horta, Francis Hime, Sivuca, João Donato, Eduardo Gudin e muitos mais.

Fonte: "http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Carlos_de_Brito”

12 comentários:

Livinha disse...

Ai, ai, ai
chic demais!!!
biito poema eu adorei os trocadilhos
muito bom!

Se amigo fosse santo
num haveriamos de precisar
de abrigo, né mêmo?

Noite benta para usted meu amigo

Bjs

Livinha

Amor feito Poesia disse...

... É um sonho esta vida, mas um sonho febril de um instante único. Quando dele se acorda, vê-se que tudo é só vaidade e névoa...

Gustavo Adolfo Becker.

Amo sua amizade.....Beijos & Flores! M@ria

Rafael Castellar das Neves disse...

Muuuuuuito bom!! Que jogo inteligente com as palavras!!

[]s

Everson Russo disse...

Interessantissimas as colocações,,,no fim é um aviso pra vida,,,abraços amigo e um belo dia pra ti.

Má Salvatori disse...

Encontrei vc, na Lou(amiga e poeta que amo...)
Gostei de tudo por aqui,Poeta...
Ficando...no seu lindo espaço

Adorei os trocadilhos, inteligentes,sensacionais...

Um beijo
Má Salvatori

Andradarte disse...

Se não lesse, não teria dado em doido.....Ufa...
Abraço

REGGINA MOON disse...

Furtado,

Muito bacana esse verso, todo rimado, parece um repente...Adorei!
Não conhecia o autor...

Grande beijo e ótima tarde!

Reggina Moon

Lia Noronha disse...

Lindo demais...abraços carinhosos e obrigada pela visita ao meu Cortidiano.

Lianara **Lia** disse...

Legal!
Gostei das rimas, mas fiquei encucada aqui... São Bento não é santo? Minha mãe é devota!

Beijos

Lia
Blog Reticências...

Pérola disse...

Muito bom meu querido,uma graça eu ameiiiiiiii.
Parabénsssssssss.
Beijo grande.

LC disse...

Meu querido amigo, amei te ver lá no Retratos. Sim, eu voltei e agora pra ficar (assim espero).

Adorei esse poema/trocadilho muito inteligente.

Quando puder passa lá no Empório do Café, eu reabri as portas . Vem tomar um cafézinho e ler um pouco, vc vai gostar.
http://emporiodocafe.blogspot.com

com carinho
abraços
Lu

Nalva disse...

Adoreeeeei!!!
Muito bom!!!!
RS....
Obrigada pelas visitas!!!
Abraços...

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