sábado, 12 de junho de 2010

Identidade.

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IDENTIDADE

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto

http://www.tim.co.mz/var/ezflow_site/storage/images/programas/informacao/culturite/destaques/conversa-com-o-escritor-mia-couto/8544-1-por-MZ/Conversa-com-o-escritor-Mia-Couto_medium.jpg

António Emílio Leite Couto, escritor moçambicano, passou a ser conhecido como Mia Couto por culpa de seu irmão menor, que não conseguia pronunciar direito o Emílio. Mas, segundo o próprio autor, o apelido também tem muito a ver com sua paixão por felinos. Quando pequeno, dizia a seus familiares que queria ser um gato (sem alusão à moderna acepção utilizada pelas mocinhas brasileiras). Nasceu na Cidade da Beira (Moçambique) em 1955, filho de uma família de emigrantes portugueses. Publicou os primeiros poemas no "Notícias da Beira", com 14 anos. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques para estudar Medicina. A partir de 1974, começou a fazer jornalismo, tal como o pai. Com a independência de Moçambique, tornou-se director da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Dirigiu também a revista semanal "Tempo" e o jornal "Notícias de Maputo".

Em 1985 formou-se em Biologia pela Universidade Eduardo Mondlane. Foi também durante os anos 80 que publicou os primeiros livros de contos. Estreou-se com um livro de poemas, "Raiz de Orvalho" (1983), só publicado em Portugal em 1999. Depois, dois livros de contos: "Vozes anoitecidas" (1986) e "Cada Homem é uma Raça" (1990). Em 1992 publicou o seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula". A partir de então, apesar de conciliar as profissões de biólogo e professor, nunca mais deixou a escrita e tornou-se um dos nomes moçambicanos mais traduzidos: espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, norueguês e holandês são algumas línguas. Outros livros do autor: "Estórias Abensonhadas" (1994); "A Varanda do Frangipani" (1996); "Vinte e Zinco" (1999); "Contos do Nascer da Terra" (1997); "Mar me quer" (2000); "Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos" (2001); "O Gato e o Escuro" (2001); "O Último Voo do Flamingo" (2000); "Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra" (2002). "O Fio das Missangas" (2004) é o seu último livro de contos.

Em 1999 foi vencedor do prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra, um dos mais conceituados prémios literários portugueses, no valor cinco mil euros, que já premiou Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho e Eduardo Lourenço, entre outros. Em 2001, recebeu também o Prémio Literário Mário António (que distingue obras e autores dos países africanos lusófonos e de Timor-Leste) atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian por "O Último Voo do Flamingo" (2000).


Fonte: lugardaspalavras.no.sapo.pt

10 comentários:

Livinha disse...

Interessante e profundo pensamentos do poeta, que até então para mim era desconhecido

Chego no instante em que nada sei, preciso ser educado, não sou eu mesmo
Endurecido, cuja a vida me molda.
Sou flor e ao mesmo tempo um inseto,
correto e incorreto
Termino por virar areia, sou esterco, um futuro de retorno ao passado.
É nesse mundo que combato os meus erros, pois que somente nele eu me renovo, por isto nasço...

Adorei meu amigo, perfeito!!

Feliz fim de semana
Bjs
Livinha

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amigo
Mais uma belo poema e uma interessante biografia. Gostei.
Um ótimo fim de semana para você. Fique com Deus
Um abraço

Bloggirls disse...

Antonio Emilio colocou nesse pensamento a força do ser humano desejando nunca perder a sutileza e a delicadeza do polén,da essência. Nossa,gostei dele demais! Desejo um final de seman de muitas alegrias pra você amigo. Montão de bjs e abraços
Elaine Barnes

Everson Russo disse...

Belo poema amigo,,,um belo dia dos namorados pra ti...forte e fraterno abraço de paz.

Sandra Botelho disse...

Alguns poetas conseguem desenhar alma alheia...
Bjos achocolatados

ONG ALERTA disse...

Lindo, que história de vida, paz.
Beijo Lisette

reltih disse...

muy interesante tema. me gustó.
un abrazo

REGGINA MOON disse...

Furtado,

Adoro esse verso de Mia Couto...ele me diz muito, preciso ser muitos para me encontar...maravilhoso!!

Hoje, dia que se comemora o Amor, tão sonhado e descrito lindamente pelos poetas, onde uns sentem saudades, outros felicidade e muitos ainda o esperam...

Grande beijo!!!

Reggina Moon

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!(Vinícius de Moraes)

Visite meu novo Blog:
www.fernandopessoas.blogspot.com

Helô Müller disse...

Os eternos conflitos da alma na busca de si mesmo... Sei bem o que é isso, amigo! Passarei toda a minha vida, me buscando, e morrerei sem saber! Quem sabe no minuto final, se estiver consciente?!...
Nossa... ando nostálgica e conflitada pra caramba, mas o que se há de fazer? A vantagem é que estes momentos são ricos, ainda que super desgastantes....
Pronto, falei e disse! rs
Beijos e um dominguinho tranquilinho procê!
Já conhecia algumas de suas poesias, mas jurava tratar-se de uma mulher!
Helô

Caminhos Poéticos disse...

Mia Couto, sempre maravilhosa.
Obrigada por compartilhar amigo.
Beijos e Bom Domingo...M@ria

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