sexta-feira, 23 de abril de 2010

Versos a Lúcio - III

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VERSOS A LÚCIO - III

Quando surgiste acima da montanha
De algum mundo de luz e liberdade,
Tinhas no triste olhar funda saudade,
Mensageiro do céu em terra estranha.

Quando espalhaste a viva claridade
De todo esse teu ser, fulgiu tamanha
A branca-luz que sempre te acompanha,
Que te ocultar não pôde a Imensidade.

Hoje, por sobre as rosas do Oriente,
Por sobre a curva argêntea do crescente,
Tu da Pátria entrevês o vulto escuro.

Estrela d`alva, protetora estrela,
Rasga o véu que procura inda escondê-la,
Torna a guiá-la, estrela do futuro!

Salvador de Mendonça.

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Salvador de Menezes Drummond Furtado de Mendonça, jornalista, advogado, diplomata, romancista, ensaísta, poeta, teatrólogo e tradutor, nasceu em Itaboraí, RJ, em 21 de julho de 1841, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 5 de dezembro de 1913. Na sessão preparatória da Academia Brasileira de Letras, em 28 de janeiro de 1897, foi um dos nomes escolhidos para completar o quadro dos fundadores. Criou a Cadeira nº. 20, que tem como patrono Joaquim Manuel de Macedo.

Era filho do comendador Salvador Furtado de Mendonça, dos Açores e de Portugal, e de Amália de Menezes Drummond, descendente dos Drummond da Escócia. Dela recebeu os rudimentos de sua educação, iniciando-se no conhecimento das línguas, da música e do desenho. Depois de freqüentar uma escola pública em Itaboraí, foi para a Corte, aos 12 anos, continuar seus estudos no Colégio Marinho e, por dois anos, no Colégio Curiácio, dirigido pelo Barão de Tatuphoeus. Ao terminar os preparatórios, em 1858, o Barão de Tatuphoeus levou-o à presença de Pedro II, como um prêmio aos seus esforços de estudioso. Por essa época conheceu figuras como Machado de Assis, com quem fez amizade e manteve convívio diário, e Casimiro de Abreu. Conheceu também escritores já consagrados, como Gonçalves Dias, Araújo Porto-Alegre e Joaquim Manuel de Macedo, que Salvador haveria de escolher como patrono.

Em 1859, foi para São Paulo para matricular-se na Faculdade de Direito. Iniciou a sua colaboração na Revista Mensal do Ensaio Filosófico Paulistano. Ali publicou a poesia “Singairu, lenda das margens do Piraí, 1567”. É um episódio de formação do nosso país. No ano seguinte fundou, com Teófilo Ottoni Filho, o jornal A Legenda. Ali iniciou-se nos assuntos de crítica social e política. Em fins de 1860 faleceram seus pais e Salvador voltou para o Rio de Janeiro, como chefe de uma família de oito irmãos, entre os quais Lúcio de Mendonça. Entrou para a redação do Diário do Rio de Janeiro, de Saldanha Marinho. Em 1861, casou-se com Amélia Clemência Lúcia de Lemos. Tornou-se professor de Latim e iniciou atividades em outros jornais: no Jornal do Commercio fazia a crítica teatral e no Correio Mercantil, a “Semana Lírica”. Simultaneamente ia criando a sua obra de teatro.

Em 1865, foi encarregado pelo Marquês de Olinda de reger a cadeira de Coreografia e História do Brasil no Imperial Colégio Pedro II, em substituição a Joaquim Manuel de Macedo. Em 1867, regressou a São Paulo para concluir o curso de Direito. Assumiu o cargo de diretor de O Ipiranga, órgão do Centro Liberal de São Paulo, e nessa atividade iniciou a propaganda republicana no Brasil. Graduado em 1869, voltou para o Rio e, com Saldanha Marinho, foi trabalhar como advogado. Em 1870 fundou-se o Clube Republicano, organização devida a Saldanha Marinho, Salvador de Mendonça e Quintino Bocaiúva. Foi então redigido o histórico “Manifesto de 70”, cujo capítulo “A verdade democrática” é de autoria de Salvador de Mendonça. Fundou-se também o jornal A República, em cuja redação se congregavam Quintino Bocaiúva, Salvador, Aristides Lobo, Lafayette, Pedro Soares de Meireles e Flávio Farnese.

Nos anos seguintes, Salvador dedicou-se também a traduzir obras de autores franceses para a Casa Garnier. Em 1875, publicou o primeiro e único romance, Maraba. No mesmo ano ficou viúvo. Nomeado cônsul privativo do Império em Baltimore, logo depois foi nomeado para o consulado de Nova York e, em 3 de maio de 1876, foi promovido a cônsul geral do Brasil nos Estados Unidos. No ano seguinte casou-se com a norte-americana Maria Redman.

Como poeta, Salvador de Mendonça, que parece ter feito a formação intelectual na poesia de Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu, é um legítimo continuador dos românticos. Seus versos de mocidade, perdidos em velhas coleções de jornais do Rio e de São Paulo, têm características dos poetas do fim do Romantismo. Há, porém, em sua poesia aspectos que o distinguem, como o intenso sentimento da terra, da gente e da paisagem do Brasil.

Fonte: Academia Brasileira de Letras.

13 comentários:

Helô Müller disse...

De onde vc desencava poetas com poesias tão bonitas, hein amigo? rs
Gostei da historinha da vida dele, tb!!
Beijos meus, querido!
Helô

Poesia...Poesia disse...

Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior.É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!

Mário Quintana

Paz e alegrias na sua vida.

Clecilene Carvalho disse...

Nas montanhas nasce a luz da esperança que liberta e renova a força de viver em nossos corações.

Otimo final de semana.

Valéria disse...

Isso é maravilhoso numa época em que o cotidiano nos torna incensíveis.

BeijooO'

Elaine Crespo disse...

Romildo!

Teus posts são sempre além de uma perfeição quanto aos poemas mais ainda, como já falei em outro comentário, nos da a informação sobre estes poetas que não conhecia e que adorei conhecer!

Belo trabalho, muito instrutivo também!

Parabéns!!

Um lindo fim de semana!!

Beijos
Elaine

Everson Russo disse...

Belissimo poema....abraços amigo e um belo final de semana pra ti.

Hana disse...

Oi querido amigo vim correndo te dar um beijinho assim que tive meu dia de folga, tudo aki ta lindo, adoro sempre, obrigada pelo seu afeto lá em meu cantinho da harmonia.
com carinho
Hana

Fabrício Santiago disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog O Livro dos Dois Dias do Everton Russo, cuja literatura adoro. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Divulgar é preciso! Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado, além sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs



Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.


Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.


Abraços

http://narroterapia.blogspot.com/

Versi D'Amori disse...

Furtado,

Sempre é uma "aula" de Literatura vir aqui ler suas postagens...gostei muito do estilo desse autor, lembra mesmo Gonçalves Dias...maravilha!!

Retire em meu Blog o Selo "BLOG ORIGINAL" que encontra-se em destaque... é seu!

Grande beijo!!

Bom Final de Semana!

Reggina Moon

reltih disse...

se nota la madurez del escritor. un gusto venir hasta tu casa.
un abrazo

Felina Mulher disse...

Quando venho aqui sempre aprendo mais um pouco....bom ler-te amigo.


Um grande beijo.

Amor feito Poesia disse...

Eu poderia dizer que a vida é assim...
Incerta, efêmera, porém linda.
Mas direi apenas que ela é preciosa.
Uma estrela numa tela de cores infinitas.

(Sirlei L. Passolongo)


Beijos perfumados e BOM FDS!!

Ira Buscacio disse...

Furtado,
Que trabalho lindo vc tem feito!

Sómsm um homem sensível e generoso pode nos doar tanto amor.
Bom fds!
Bj

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