domingo, 4 de abril de 2010

Meu pai.

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MEU PAI

Desce, meu Pai, a noite baixou mansa.
Nem uma nuvem se vê mais no céu:
Aninharam-se aqui no peito meu,
Onde, chorando, a negra dor descansa.

Quando morreste eu era bem criança,
Balbuciava, sim, o nome teu,
Mas d’este rosto santo que morreu
Já não conservo a mínima lembrança.

A noite é clara; e eu, aqui sentada,
Tenho medo da lua embalsamada,
Corta-me o frio a alma comovida.

Se lá no Céu teu coração padece,
Vem comigo rezar a mesma prece:
Tua bênção, meu pai, me dará vida!

Auta de Souza

http://www.senado.gov.br/web/senador/Garibaldi/img/mulher/imag6.jpg

Auta de Souza nasceu em Macaíba, então Arraial, depois cidade do Rio Grande do Norte a 12 de Setembro de 1876. Era magrinha, calada, de pele clara, um moreno doce à vista como veludo ao tacto. Antes de ter completado 3 anos, ficou órfã de mãe e aos 4 anos de pai. Sua existência na Terra foi assinalada por sofrimentos acerbos. Ainda menina, assistiu à morte de um de seus irmãos, vitimado pelo fogo produzido pela explosão de um lampião a querosene.
        Antes dos 12 anos, foi matriculada no Colégio São Vicente de Paulo, no bairro da Estância, onde recebeu carinhosa acolhida por parte das religiosas francesas que o dirigiam e lhe ofereceram primorosa educação: Literatura, Inglês, Música, Desenho e Francês, o que lhe permitiu ler no original Lamartine,Victor Hugo , Chateaubriand e Fénelon.
        De 1888 a 1890, a jovem Auta estuda, recita, verseja, ajuda as irmãs do Colégio e aprimora a beleza de sua fé, na leitura constante do Evangelho.
        Aos 14 anos manifestaram-se os primeiros sintomas da enfermidade que lhe roubou, em plena juventude, o viço, e foi a causa de sua morte, ocorrida em 7 de fevereiro de 1901, com 24 anos de idade.
        O forte sentimento religioso e mesmo a doença não impediram de ter uma vida absolutamente normal em sociedade.
        Era católica, mas não submissa ao clero. Era comunicativa, alegre, sociável. A religiosidade dela era profunda, sincera, medular, mas não ascética, mortificante, mística. Seu amor por Jesus e pelo Anjo da Guarda não a distanciaram de todos os sonhos das donzelas: amor, lar, missão maternal.
        Com 16 anos, ao revelar o seu invulgar talento poético, enamorou-se do jovem promotor público de Macaíba, João Leopoldo da Silva Loureiro. Dotada de aguda sensibilidade e imaginação ardente, dedicava ao namorado amor profundo, mas a tuberculose progredia e seus irmãos convenceram-na a renunciar. A separação foi cruel, mas apenas para Auta. A João Leopoldo faltava o refinamento espiritual para perceber o sentimento que extravasava através dos olhos meigos a grande poetisa.
        Essa sucessão de golpes dolorosos marcou profundamente sua alma de mulher, caracterizada por uma pureza cristalina, uma fé ardente e um profundo sentimento de compaixão pelos humildes, cuja miséria tanto a comovia. Era vista lendo para as crianças pobres, para humildes mulheres do povo ou velhos escravos, as páginas simples e ingênuas da "História de Carlos Magno", brochura que corria os sertões, escrita ao gosto popular da época.
        A orfandade da Poetisa ainda criança; a desencarnação trágica de seu irmão; a moléstia contagiosa e a frustração no amor, amalgamados à forte religiosidade de Auta, levaram-na a compor uma obra poética singular na História da Literatura Brasileira: "Horto", seu único livro, um cântico de dor, mas também de fé cristã.
        O sofrimento veio burilar a sua inata sensibilidade, que transbordou em versos comovidos e ternos, ora ardentes, ora tristes, lavrados à sombra da enfermidade, no cenário desolador do sertão de sua terra.
        Em 14 de Novembro de 1936, houve a instalação da Academia Norte Rio Grandense de Letras, com a poltrona XX dedicada a Auta de Souza.

Fonte: Forum Espírita e Wikipédia.

9 comentários:

MARIA L. BÓZOLI disse...

A vida requer cuidado.
Os amores tambem.
Flores e espinhos são belezas
que se dão juntas.
Não queira uma só, elas não
sabem viver sozinhas...
Quem quizer levar a rosa para sua vida,
terá de saber que com elas
vão inumeros espinhos.
Não se preocupe,... a beleza da
rosa vale o incômodo dos espinhos...


__Pdr: Fábio de Mello__


Feliz Páscoa e beijos meus!!

EDUARDO POISL disse...

O que posso desejar para você?

Que as verdadeiras amizades continuem eternas
e tenham sempre um lugar especial em nossos corações.
Que as lágrimas sejam poucas, e logo superadas.
Que as alegrias estejam sempre presentes
e sejam festejadas por todos.
Que o carinho esteja presente em um simples olá,
ou em qualquer outra frase, ou digitada rapidamente.
Que os corações estejam sempre abertos para novas amizades,
novos amores, novas conquistas.
Que Deus, esteja sempre com sua mão estendida,
apontando o caminho correto.
Que as coisas pequenas como a inveja ou o desamor,
sejam retiradas de nossa vida.
Que aquele que necessite ajuda encontre
sempre em nós uma animadora palavra amiga.
Que a verdade sempre esteja acima de tudo.
Que o perdão e a compreensão superem as amarguras e as desavenças.
Que este nosso pequeno mundo virtual seja cada vez mais humano.
Que tudo o que sonhamos se transforme em realidade.
Que o Amor pelo próximo seja nossa meta absoluta.
Que nossa jornada de hoje esteja repleta de flores.

Feliz Páscoa

Um abraço do amigo Eduardo Poisl

reltih disse...

... muy sentido escrito...
un abrazo

Pena disse...

Admirável Amigo:
Um poema sensível e perfeito.
Tem sentimentos enormes de maravilhar por onde passa.
Sim! Respeito o poder de Deus, mas sem beatismos ou exageros.
Desconfio mais da Igreja e dos seus valores.
Havia muito a dizer, mas não aqui.
Já registei: Auta de Souza.
Feliz Páscoa na companhia dos seus.
Abraço forte de uma amizade sincera.
Com constante admiração.

pena

Bem-Haja, pela simpatia deixada no meu blogue. MUITO OBRIGADO.
É Extraordinário.
Adorei.

continuando assim... disse...

estamos perto do final... se final houver.
o capítulo 18, é o último capítulo do livro
quem já leu o "Continuando assim...", sabe como termina o livro.
A todos vocês que têm andado por aqui pacientemente , lanço o desafio prometido .
Antes de publicar o último capítulo , gostava que me dissessem como gostariam de terminar esta história de Alice e André.
Podem publicar os "vossos finais" nos comentários ou mandar directamente para o mail
queirozteresam@gmail.com
Irei postar aqui todos os finais possíveis , todos os "vossos finais" :)
Estou quase certa que algum de vós encontra o final perfeito.
está lançado o desafio, para já espero as vossas respostas
um grande beijo a todos !!

Teresa

Livinha disse...

Que delícia de poema, que riqueza
ansia em dose dupla, saudade e vontade de conhecer um pai que não se tem mais as lembranças...
Os poemas de Auta de Souza, são maravilhosos, poemas que nos toca a alma, retratando sofrimentos da vida...

Adorei!

Meu amigo tenha uma semana
maravilhosa, que esta paz que emana
nas bençãos santificada da Páscoa, seja direcionada por todos os dias,
no semblante de cada um...

Mta Paz!
Bjs
Livinha
=)

Hana disse...

Adoro estes textos espiritualista, são muito especiais.obrigada por compartilhar.
com carinho
Hana

Sonhadora disse...

Meu amigo
mais um belo poema e sempre aprendendo mais alguma coisa.

Beijinhos
Sonhadora

REGGINA MOON disse...

Furtado,

Auta de Souza, maravilhosa!!!Lindo poema, bem envolvente, quase uma oração!!Belíssima escolga amigo!

Um beijo e ótima semana pra voce!!

Reggina Moon

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