quarta-feira, 10 de março de 2010

Íntimo.

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ÍNTIMO

Minha mãe! Minha mãe! Tu, que adivinhas
esta magoa amaríssima que eu canto,
tu, que trazes as pálpebras de pranto
cheias, tão cheias como eu trago as minhas;

tu, que vives em lagrimas, e tinhas
a vida, outrora, tão feliz, enquanto
deste teu filho, que tu queres tanto,
todas as magoas serenando vinhas;

tu, que do astro do Bem segues o brilho,
pede ao Deus que, apesar das tuas dores,
ainda persiste a castigar teu filho,

que eu não morra a sofrer, como hoje vivo,
esta angustia de uma arvore sem flores
e esta magoa de pássaro cativo!

Humberto de Campos

http://mariazenith.files.wordpress.com/2008/10/humberto-de-campos2.jpg

Humberto de Campos Veras nasceu na cidade maranhense que hoje tem o seu nome (antiga Miritiba), em 25 de outubro de 1886. Trabalhou desde criança: foi caixeiro, seringueiro, jornalista, andou pelo Amazonas e pelo Pará. Deslocou-se depois para o Rio de Janeiro, fazendo-se redator de O Imparcial, e conquistou fama fácil sob o pseudônimo de Conselheiro XX, publicando livros de cunho humorístico. Sua bibliografia atinge mais de 40 volumes, muitos dos quais constituíram claros êxitos literários, na ocasião em foram publicados. Membro da Academia Brasileira de Letras, Humberto de Campos, cuja fama tem diminuído, pois como poeta, não atingiu o primeiro plano.

Em 1920 ingressa na política, elegendo-se deputado federal pelo estado natal, e renova-o, sucessivamente, até perder o mandato com a Revolução de 1930. Getúlio Vargas, admirador do escritor, nomeia-o diretor da Casa Ruy Barbosa.

Sem estudos, Campos entretanto foi um dos grandes autores brasileiros, mesmo que seus escritos não tenham o merecido destaque. Inovou nas crônicas, adicionando ao estilo novos elementos. Quando adoeceu, mudou completamente seu estilo: de mordaz e cômico, transformou-se num arauto em defesa dos menos favorecidos, encontrando agora consolo por parte dos mais pobres.

Abandonado pelos parentes e antigos amigos poderosos, persiste contudo em sua nova e definitiva fase. Recebe dezenas de cartas de pessoas carentes. Submete-se a várias operações, fica cego, e assim falece no Rio de Janeiro, em 05 de dezembro de 1934, justamente quando nascera um "novo" Humberto de Campos.

Fontes: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1067 e Wikipédia.

11 comentários:

Helô Müller disse...

Mais uma belíssima escolha, amigo! Andas numa inspiração só... Aliás, és assim "full time", né não?! Essa é a imagem que passas com a sua sensibilidade afloradíssima...
Bj
Helô

"Cantinho Poético" disse...

Olá amigo!!
Sua postagem não poderia ser melhor e mais linda.
Parabéns e continue assim.

Beijos de coração prá coração!
Bom Dia!!!!!!!!!!!

ANTÒNÌO MANUEL disse...

Caro:

Amigo Furtado!

Parabèns

Belo texto de um grande Autor: Pôeta, Escritor e nobre na causa Social

Lhe deixo este texto do prôprio

*****

Miritiba

É o que me lembra:

Uma soturna vila
olhando um rio sem vapor nem ponte;

Na água salobra, a canoada em fila...

Grandes redes ao sol, mangais defronte...

De um lado e de outro, fecha-se o horizonte...

Duas ruas somente... a água tranqüila...

Botos no prea-mar...

A igreja...

A fonte
E as grandes dunas claras onde o sol cintila.

Eu, com seis anos, não reflito, ou penso.
Põem-me no barco mais veleiro, e, a bordo,
Minha mãe, pela noite, agita um lenço...

Ao vir do sol, a água do mar se alteia.

Range o mastro...

Depois...

Só me recordo
Deste doido lutar por terra alheia!



Humberto de Campos

*****

Caro Furtado:

Agradeço a sua presènça sempre constante:

Lhe desejo continuação de uma otima Semana.

Forte Abraço

Antònìo Manuel

Valéria disse...

Amigo Furtado, passei pra ler-te e dizer que sempre acerta na escolha.

BeijooO'

Everson Russo disse...

Que eu não morra a sofrer como hoje vivo,,gostei disso, a gente precisa mesmo....abraços amigo e um belo dia pra ti.

Si Arian disse...

Querido Rosemildo,

Uma bela escolha... Estou aqui para te admirar mais uma vez!
Grata sempre pela sua participação!
Receba um abraço carinhoso.

Maria Bonfá disse...

que linda postagem.. a foto é maravilhosa.. adorei conhecer a historia do autor..parabens..beijão

Livinha disse...

"Que eu não morra a sofrer como hoje vivo..."

A dor não cessa nunca meu amigo querido, essa dor da alma, que nos faz aflitos. Da hora da partida, ao mesmo tempo ser alívio, é sacrifício quando deixamos outras vidas...

Hoje, especialmente hoje, novo curativo... Cicatrizes doem, parece que comicha quando tá pra cair água do céu bendito e hoje cá estou a deixar, águas de mim rolar... Passe por lá e saberá por que...
Mais um pedaço e mim, divulgado em meus poemas...
Parabéns pela linda escolha quanto ao poema, excelente autor, excelente palavras, que me chega neste momento como uma oração abençoada...
Bjs
Livinha

Cris Poulain disse...

Acho importante esta troca,fico feliz com todos que estão conhecendo um pouco de mim.
Como o tempo para escrever e ler é pouco,aviso a todos que deixarei um dia da semana para visitá-los.
Assim conhecerei mais de cada um e,principalmente,nossos blogs não só constarão na lista de seguidores,terão realmente nossas opiniões críticas e verdadeiras.
NÃO GOSTO SOMENTE DE CONSTAR!
NÃO GOSTO DE SUPERFICIALIDADE,mas sim de fazer algo que seja real e verdadeiro.
CRESCENDO JUNTOS!!!

Sonhadora disse...

Meu querido amigo
Uma linda imagem para tão belo poema.

que eu não morra a sofrer, como hoje vivo,
esta angustia de uma arvore sem flores
e esta magoa de pássaro cativo!


Adorei...diz-me tanto.

beijinhos
Sonhadora

Lou Witt disse...

Que poema lindo!!!

Beijo, querido amigo!!!

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