sábado, 6 de março de 2010

Crepúsculo Sertanejo.

http://4.bp.blogspot.com/_q2j9mas7sGI/S0m8hEdsoeI/AAAAAAAACi8/MIhIQfk14B8/s400/Passagem+da+noite.JPG

CREPÚSCULO SERTANEJO

Cai a noite. Um rubor fulge atrás da colina,
cuja sombra se alonga pouco e pouco, enorme.
A velha árvore, além, verde nuvem, se inclina
para o chão, balançando o vulto desconforme.

É uma nota profunda a vibrar na surdina
das cores e da luz, no amplo vale que dorme.
No silêncio feral, que é uma vaga neblina
de sons, passa-lhe a voz como um borrão informe.

Sob a copa uma forma em cinza se desmancha.
Um boi cansado busca a figueira cansada;
muge, e deita-se, em paz, numa violácea alfombra.

Muge. A fronde e o animal fazem uma só mancha;
o mugido e o rumor da fronde, a mesma zoada.
Manchas de som... Zoadas de cor... Silêncio. Sombra.

Amadeu Amaral.

http://www.capivari.sp.gov.br/secretarias/cultura/_fotos/amadeu_amaral.jpg

Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado nasceu em Monte-Mor (numa faixa de terra que antes do seu nascimento pertencia a Capivari e depois voltaria a integrar-se nesse município) em 06 de novembro de 1875. Fez o curso primário em Capivari e aos onze anos veio para São Paulo para trabalhar no comércio e estudar. Assistiu algumas aulas do Curso Anexo da Faculdade de Direito, foi um autodidata, pois não concluiu o curso secundário. Fez-se jornalista, profissão que abraçou definitivamente. Ao falecer era redator chefe do Diário da Noite; já havia trabalhado em vários jornais, como o Correio Paulistano, O Estado de São Paulo e a Gazeta de Noticias, do Rio. Foi nomeado por Artur Bernardes para um cargo na Diretoria do Imposto sobre a Renda, mas no governo seguinte desistiu desse posto. Ensinou Português e faleceu em 24 de outubro de 1929, em São Paulo. Era membro da Academia Brasileira de Letras.
Autodidata, surpreendeu a todos por sua extraordinária erudição, num tempo em que não havia em São Paulo, as universidades e cursos especializados. Dedicou-se aos estudos folclóricos e, sobretudo, à dialectologia. No Brasil, foi o primeiro a estudar cientificamente um dialeto regional. “Dialeto caipira”, publicado em 1920, escrito à luz da lingüística, estuda o linguajar do caipira paulista da área do vale do rio Paraíba, analisando suas formas e esmiuçando-lhe o vocabulário. Visando à formação dos jovens, assim como Bilac incentivara o serviço militar, Amadeu Amaral procurou divulgar o escotismo, que produziu frutos, certa época no país.

Sua poesia enquadra-se na fase pós-parnasiana, das duas primeiras décadas do século XX. Como poeta, destacou-se pelo desejo de contribuir, com suas obras, para a elevação de seus semelhantes, em todas as suas obras, a ponto de seu sucessor, Guilherme de Almeida, ao ser recebido na Academia, ter intitulado o seu discurso: “A poesia educativa de Amadeu Amaral”, mas porque visava indiretamente ao aperfeiçoamento humano.

Fontes: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967 e Academia Brasileira de Letras.

10 comentários:

Léo Santos disse...

Bah! Tô conhecendo teu blog agora, mas já vi que tenho muita coisa pra aprender contigo! Vou ler tudinho tá...

Um abraço!

ANTÒNÌO MANUEL disse...

Caro:

Furtado:

Amigo!

Como sempre você nos ofresse textos que são Jôias da Litratura!

Agradeço muito essa sua partilha:


Tenha um Maravilhoso Fim de Semana em Luz e Pàz

Forte Abraço


Antònìo Manuel

Déia disse...

Lindíssimo texto!

Nada como o luar, amanhecer, anoitecer.... no sertão... tudo tem um gosto maior de vida, de amor, de imensidão.

bj

Pena disse...

Genial Amigo:
Um nome a reter pela postura e beleza expressa do seu poder literário imenso.
"...É uma nota profunda a vibrar na surdina
das cores e da luz, no amplo vale que dorme.
No silêncio feral, que é uma vaga neblina
de sons, passa-lhe a voz como um borrão informe..."

Admirável.
Abraço amigo de muito respeito.
MUITO OBRIGADO pela visita que adorei.
Bem-Haja!


pena


Excelente!

Silvana Nunes .'. disse...

Bom dia.
O seu espaço é divino. Eu não curto muito a poesia parnasiana, mas esta está muito boa.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... deseja um bom final de semana para você.
Saudações Florestais !

Chica disse...

Maravilhosa poesia! abraços, lindo fim de semana,chica

REGGINA MOON disse...

Querido Furtado,

Lindo Soneto...gosto muito da forma como apresenta suas postagens, além de belos poemas ainda nos dá uma noção importante biográfica do autor.Isso é muito importante!!
Parabéns!!!

Um beijo,

Reggina Moon

Vou postar o seu poema ...DEPOIS em meu Blog hoje, esperei a sua postagem virar...se me permite.Adorei!

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amigo
O crepúsculo no sertão é de uma beleza unica. Melancólico, romântico e lindo. Mora na cidade grande mas tenho a alma sertaneja.
Abração

Felina Mulher disse...

Bela escolha tiveste...sempre partilhando belos poemas.

Vim te dar um beijo de boa noite e desejar bons sonhos e lindo despertar.


beijitosss.

MARIA L. BÓZOLI disse...

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

Clarice Lispector

Um Domingo de Paz e beijos meus!

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