quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Auto-retrato.



AUTO-RETRATO

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico

Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação do espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.

Manuel Bandeira.
(1886-1968)

6 comentários:

Fada do Mar Suave disse...

Maravilhoso!!! Adoro Manuel Bandeira e suas poesias tão sensíveis e belas.
Poetas que sabem como tocar em nossos corações.
O blog está maravilhoso. Parabéns!!!

Andresa disse...

Olaaaaaaaaaaaaaaa Amigo....
BOm Dia!!!!!!!
Um tipico Poema de Manuel Bandeira! UMa obra maravilhosa.
Excelente escolha.

Um dia bem ensolarado para ti
beijos
Andresa

Emoções disse...

Bom dia Rosemildo!
Gosto muito das poesias de manuel Bandeira.
Sâo de uma beleza ímpar.
Parabéns pela escolha.
Bjss

Anne Lieri disse...

Rosemildo,uma beleza esse auto retrato de Manuel Bandeira!Linda e tocante postagem!Abraços,

Fatima disse...

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milénios.
E o risco brevíssimo - que foi? passou! - de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia a dentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

-Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

Manuel Bandeira

Gosto muito do Bandeira.
Bjs.

AFRICA EM POESIA disse...

FURTADO

Deixo com carinho.
é do melhor do meu livro MAGIA DE NATAL...

O DIA LONGO


O novo dia nunca mais chega...
Acordei cheia de impaciência...
Ouvi dizer...
Amanhã é Natal...
É um dia de Amor...
Acordei...
Para ver o que se passaria...
E olhei o céu...
Era igual ao céu de ontém...
E olhei o sol...
Como ontem...
O sol estava escondido...
E fui procurando...

Para mim...
Nada de novo...
Não via o Natal...


A minha casa...
Continuava igual...
As janelas...
Tinham os mesmos vidros...
Velhos e partidos...
A porta...
No fundo...
Com os mesmos buracos...
Onde os ratos
Entravam...
Sem pedirem licença...

Voltei a olhar...

E o Natal...
Afinal onde estava?
Procurei debaixo
Da grande pedra...
Na berma da estrada...
E não encontrei nada...

Depois fui a casa...
E trouxe um pão...
Pão simples, mas bom...
Quando...
Dei uma dentadinha
Com os meus dentinhos...
Pequeninos...
Vi um menino...
Pequenino como eu...
Com os olhos abertos...
A olhar o meu pão...

Nesse momento...
Senti que gostaria...
Que fosse meu irmão...

Peguei no meu pão
Dei-lhe metade...
Demos as mãos...
Caminhamos pela estrada
E
Uns anos mais tarde...
Entendi...
Que nesse dia...
Tinha sido NATAL...

LILI LARANJO

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