segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Açucena.

http://3.bp.blogspot.com/_wya_Y27oLsA/SlUvxa4yCCI/AAAAAAAAa_s/iOl57KBl8LM/s400/36+-+Saia-branca+(4).jpg

A AÇUCENA – (Lenda japonesa)

Morava o príncipe Tokiko num castelo montado no cume do monte Azul. Numa tarde, regressando de seu habitual passeio no bosque, deparou-se com uma jovem de rara beleza. O príncipe fitou-a ternamente. Admirou o rosto perfeito da moça. Gostou imenso dos olhos amendoados e finos, como dois frutos deliciosos pendentes dos cabelos cacheados da nipônica linda vestida de branco. Gostou e parou. Largando a sela do fogoso corcel, indagou dos criados da comitiva da jovem, qual o nome da formosa donzela. E, de joelhos, na frente da moça, ferido de amor e de grande emoção, rogou-lhe aceita-lo como esposo.

A resposta da linda Mikio surgiu sorrindo nos lábios vermelhos: “Eu quero!” E acrescentou:

– Contanto que você nunca me fale de flores e nunca me fale de morte!
Tokiko estremeceu. Não podia entender a inesperada e esquisita condição imposta pela noiva. Mas anuiu, sem indagar motivos. E na sua cabeça ficou dançando aquela frase musical: Nem flores nem morte!”Colocou a bela Mikio na garupa de sua montaria e cavalgou para o castelo no alto do monte.

A festa das núpcias alargou a noite até a madrugada. As luzes pintaram mosaicos nas salas alegres. A música tocou. E a multidão dos ricos convivas subia e descia as estradas largas que serpeiam na serra. E o príncipe Tokiko viveu feliz com a princesa Mikio por muitos anos.
Certo dia, uma dama da corte ouviu a conversa dos príncipes. Quem falava era Mikio:

– Querido príncipe, há muito tempo (eu era criança), minha madrasta me pos um terrível encantamento. Eu morreria, jurou ela, depois de casada, se meu marido me deixasse ouvir o nome da morte ou nomes de flores. Mas, agora estou feliz. Você tem sido tão bom para mim. E faltam apenas dois dias para completar o tempo daquela maldição. Depois disso nada me poderá acontecer.

A dama da corte era mulher má e invejosa da felicidade do casal. Por isso alegrou-se pela posse do segredo. Tinha nas mãos o meio de desmanchar o amor do príncipe. Mais do que depressa, chamou o cantor do palácio. Disse para o jogral da corte:

– Amanhã haverá um jantar festivo. É aniversário de casamento do nosso augusto príncipe. Você cantará, ao som dos tambores e flautas, a marcha das Bodas e a ária do Além.

No dia seguinte, Tokiko e Mikio entraram contentes na sala toda enfeitada. Tomaram assento nos seus lugares. E começou o banquete. O primeiro prato servido foi o de ostras frias. E foi servido aos acordes da marcha das Bodas. A alegria tinia em todos. E os convivas tiniam as taças saudando os dois príncipes bondosos. Iam a meio as comemorações, quando o jogral iniciou molemente a ária do Além. Ao chegar naquelas palavras que se cantam assim:

“o rico ou o pobre, o fraco e o forte,
terminam sem dó no frio da morte” –
a princesa Mikio, lívida caiu gritando de dor. E fria e gelada de medo e pavor, com a pele tremendo na face amarela, deitada no chão olhava Tokiko, e encurtava uma perna que, dura, tocava num vaso de rosas, no canto da mesa ali posto pela perversa mulher da corte real.

Em vão Tokiko a mantinha nos braços. Em vão lhe beijava a descorada face. Mikio gemia. Dos olhos só uma lágrima corria. E o corpo inteiro diminuía. Tokiko abraçava-a. E ela encurtava. Nos braços fortes o príncipe a tinha. E ela nem mais gemia. Sorria. Tokiko passava-lhe as mãos no rosto, na testa, nos densos cabelos. E ela fininha, fininha, diminuía. E pouco depois a face branca e gelada foi se apertando. E restou nos braços do príncipe Tokiko uma flor alva, como copo de leite, numa haste longa e fria. É que nas terras longínquas do velho Japão nascia a Açucena.

E a açucena, imaculadamente branca, há de lembrar sempre a todos os homens que também os reis não são felizes, quando se cercam de invejosos de coração perverso.

Autor desconhecido.

10 comentários:

Déia disse...

Aiiiiiiiiiiii que triste!!!
Prefiro finais felizes rs

bj

Fatima disse...

Triste, mas tão verdadeiro o moral da história.
Agora uma curiosodade;
Meu tio João da cidade de Turmalina em Mg sempre me chamou de flor de açucena e la´na fazenda dele os empregados me chamavam de açucena. Chamam até hoje.
Bjs querido.

Chica disse...

Triste e verdadeira lição...abraços, tudo de bom,chica

Retalhos de Amor disse...

Triste final...
Reflexivas palavras!!!

Obrigado, Amigo...
Por teus cerzires no meu
Retalhos!!!

Paz e bem!!!

Beijo...
No coração!!!
Iza

Livinha disse...

Meu amigo que linda história,
triste porque do material nada rstou, porém esse sabemos que é mesmo provisório, mas o amor para sempre ambos levaram, indestrutivel, intransponível eterno... Mente criativa, romantica esta do autor que sequer sabemos o nome... Lindo exemplo de vida, pena que isto seja uma realidade como pena ainda, que os invejosos, frios e orgulhosos não se dão conta de que o amor nasceu pra todos e que tudo é uma conquista. A maldade não impera, um dia ela chega ao fim...
Furtado, passe lá em casa deixei uma fatia de bolo para você meu amigo, que faz parte desta travessia na minha vida neste corrente ano... Mais um ano de vida, nas bençãos de Jesus e sou feliz por comemorar isto com vc pela alegria de suas constantes visitas em meu recanto, meu jardim de paz...
Grde beijo
Livinha

uminuto disse...

a beleza de uma flor tão bem retratada na foto e no texto
um beijo

AFRICA EM POESIA disse...

Furtdo


:
Lindo contoFoi bom passar por aqui sentar e ler ...
deixo um beijinho.

+++++++++++

África

África...
Linda...
Imensa...
E mágica...
África dos Leões...
Dos elefantes...
Das girafas...
E do salalé...
Do muito...
E do pouco...
Da magia...
Da vida...
Do amor...
E da saudade...
África...
É tudo isto...
África...
É a imensidão...
Do ir...
Do amar...
E do querer... voltar...


Lili Laranjo

Lucy disse...

Adorei a lenda Furtado.
Nunca havia lido uma lenda chinesa antes rs.
abraços....

Sandu Grecu disse...

Ciao Rosemildo! Obrigado for mesaj.
Certamente será um passeio muito interessante. Vamos tentar, no futuro, para convidar o Brasil. Infelizmente os custos para trazer um atleta do Brasil são muito elevados, tendo em conta a distância entre a Moldávia e Brasil.

Renata Braga disse...

Lindo e triste...


Pena existir esse sentimento, que só traz infelicidade.

Muito lindo Rosemildo!

Beijo

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