domingo, 14 de dezembro de 2008

Triste despedida

TRISTE DESPEDIDA

Segunda feira, 19-10-98. Como sempre, minha mulher me desperta as 6:00 hs. para ir ao trabalho. Só que dessa vez foi diferente, falei pra ela que não iria trabalhar, pois era dia dos Comerciários e, ela por sua vez me disse: Levanta-te e vai à casa da tua mãe! Ela viajou! Está com DEUS! Com a notícia senti uma profunda dor no coração, foi como se tivesse sido vítima de uma forte punhalada.

Dona Adelaide, 90 anos de idade, heroína, firme, forte, sempre disposta a enfrentar a labuta diária em favor do bem estar do seu rebanho. Nunca reclamou de nada, nem deixou transparecer nenhum sinal de fraqueza. Seu único objetivo era, nada mais, nada menos, oferecer q que de melhor, não somente aos seus, como também as pessoas que dela necessitavam. Sempre carinhosa e conselheira, apesar de suas condições humilde e semi-analfabeta, vivia em constante preocupação com os problemas, quer fossem dos parentes, amigos, ou mesmo de problemas que chegavam ao seu conhecimento, de pessoas desconhecidas. Costureira, mãe de oito filhos, logo cedo foi forçada a conciliar a costura com o trabalho numa fábrica de cobertores, a fim de aumentar a renda familiar, trabalhando das 07:00 as 17:00 hs. na fábrica e das 18:00 as 23:00 hs. na máquina de costura. Acometida da Ação Degenerativa do Sistema Nervoso, ficou acamada durante mais ou menos quatro anos, não sei se vivendo ou vegetando, até que, vítima de uma infecção respiratória, partiu para o outro mundo – com certeza bem melhor que este -, abrindo assim, uma profunda e impreenchível lacuna, no coração daqueles que a amavam.

Em nome de todos, filhos, sobrinhos, genros, noras, netos, bisnetos e parentes de um modo geral, resta-me rogar ao nosso mestre supremo que a proteja e a tenha num lugar de muita paz, como também, agradecer a todos, indistintamente, que nesta hora tão difícil, partilharam do nosso sofrimento, confortando-nos com palavras de consolo e carinho, num grandioso gesto de fé e solidariedade cristã.

Que DEUS nos abençoe e tenha piedade de nós.

Rosemildo Sales Furtado
Torreão-Recife.



Um comentário:

Sueli disse...

Rosemildo, que linda homenagem. Aleatoriamente escolhi esse texto e - como não acredito em coincidências - algo de muito simbólico aconteceu: minha mãe também foi - e é - costureira e seu nome também é Adelaide.
E eu sei, essas mulheres são guerreiras!!! Quanto ao seu comentário lá no "Vivência", só tenho a agradecer. Eu ainda acredito que tudo muda pra melhor, mesmo que a gente não entenda isso.
Mas o "mestre" lá em cima entende!
Abraços e sucesso....sempre!!!

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